outubro 14, 2014
outubro 02, 2014
Pesquisadora recebe distinção pela USP na defesa da tese “Imagens da Mulher no Ocidente Moderno”

Com
a tese “Imagens da Mulher no Ocidente Moderno” a pesquisadora mineira
Isabelle De Melo Anchieta recebeu distinção acadêmica por unanimidade
em uma banca composta pelo historiador e professor emérito Fernando Novais, a
antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz, o antropólogo italiano Massimo
Canevacci e os sociólogos Ferdinando Martins e Maria Arminda do Nascimento
Arruda pela USP, em 16 de setembro. Na
fala final a pró-reitora de extensão e cultura da USP e orientadora da tese,
Maria Arminda afirmou: "a pesquisa da Isabelle é de vanguarda. Pós-gênero.
Ela é corajosa, valente e nas mais de 300 bancas que estive nunca vi nada
igual".
O
reconhecimento trata-se de uma excepcionalidade, já que a Universidade de São
Paulo aprovou norma impedindo a distinção das teses. Desde então, o doutorando era
apenas aprovado(a) ou
reprovado(a). A banca, entretanto, conferiu a candidata a distinção através de
um parecer na ata afirmando: “A banca, por unanimidade, destaca a originalidade, o escopo da pesquisa,
bem como a sua realização. Sublinha ainda o desempenho da defesa. A banca
aprova, pois, a tese com distinção e recomenda a sua publicação". Além dessa quebra de protocolo da banca,
o público protagonizou outra: os aplausos no fim da defesa.
A mineira
conquistou também nesse ano outro feito inédito, foi a única brasileira
selecionada entre os 8 finalistas na Competição Mundial Jovens Sociólogos
promovido pela ISA (Associação Internacional de Sociologia), em parceria com a UNESCO. Isabelle viajou ao Japão em
julho para receber o prêmio e apresentar o seu artigo, quando também recebeu
elogios da banca examinadora. A professora Ph.D. Emma Porio, executiva da Associação
Internacional de Sociologia, disse após a apresentação de Isabelle, "é
muito novo o que está dizendo, você propõe uma abertura de mentalidade que há
tempos não vejo nos Congressos Internacionais".
Isabelle
propõe um neologismo denominado “individumanização” que combina
individualismo e humanização. Segundo a pesquisadora foi “a conjugação entre esses dois processos
sociais aparentemente contraditórios e que se revelaram interligados durante a
pesquisa que denominei “individumanização”.
Um termo que nos possibilita entender essa
engenhosa dinâmica social que gradativamente amplia os processos sociais de
individualização na medida em que aumentam as oportunidades de comunicar nossas
particularidades _ humanizando-nos. Assim, contrariando todas as previsões, essa tendência se deu por meio da
aceleração da individualização. Conformação que não produziu, como se
esperava, o isolamento social (o homo
clausus), mas tem ativado uma nova forma de socialização, vínculos, disputas,
solidariedades e trocas. Fatos que podem indicar uma nova tendência global nas
relações humanas; uma nova forma de identificação e integração, que tem
curiosamente como motriz a aceleração da individualização”.
As recentes conquistas da belo-horizontina são
fruto de suas pesquisas dedicadas a História Social da Imagem. Tema ao
qual se dedica há 8 anos, realizando viagens ao exterior para conhecer
pessoalmente as imagens em panfletos noticiosos, manuscritos, quadros e
mosaicos. Isabelle visitou conventos, museus e bibliotecas
na Itália, França, Espanha, Inglaterra, Suíça, Alemanha, Turquia (Istambul) e
Estados Unidos. “Me dei conta que percebi coisas
“novas” no contato direto com as imagens. Em todas as análises há, por assim
dizer, conexões inéditas. Por exemplo, demonstro a mútua contaminação entre as
imagens das bruxas e das índias tupinambás canibais. No volume dedicado a Maria
e Maria Madalena revelo os efeitos imprevistos gerados pela imagem da Virgem
Maria ao empurrar as mulheres pobres para a prostituição. Algumas delas serão
as primeiras pessoas que não pertenciam a um estrato social elevado a terem um
retrato público realizado por grandes artistas da época, ascendendo simbólica e
economicamente. Por isso, localizo as cortesãs como as primeiras a entrarem na
modernidade, antes mesmo da chegada da modernidade. Irei também conectar as freiras
possessas dos conventos a imagem de Maria Madalena. Imitando a suposta
prostituta bíblica elas passam de endiabradas a santas por meio dos exorcismos
espetaculares e, por fim, demonstro como se dá a formação do estereótipo
personalizado e transgressivo das Stars de Hollywood”.
Isabelle
conclui que as mulheres sempre tiveram poder sobre suas imagens. Contrapondo-se
a ideia corrente de que o marco dessa autonomia seja a auto-representação e
produção de imagens pelas mulheres, a partir do sec. XVII. A pesquisadora também
propõe na conclusão dois neologismos. Polimagens e Individumanização.
O
primeiro remete a ideia de que uma imagem contém várias imagens que a precedem.
Trabalhando com séries, a pesquisadora revela o diálogo entre as imagens,
demonstrando as continuidades, sobrevivências e parciais rupturas entre as
imagens na longa duração histórica. Para ela a imagem nunca é o ponto zero,
elas se citam e se contaminam, estabelecendo diálogos que lhe são próprios.
O segundo, neologismo é segundo ela um
processo em curso onde persiste a
questão levantada em sua conclusão: “estamos sendo conduzidos a um nível de integração social mais ampliado? Ou será
esse mais um ideal contemporâneo? Conseguiremos estabelecer identificações
recíprocas mais estendidas, ultrapassando a diferença sexual, as origens e as
nacionalidades? Será que esse processo pode conduzir a uma maior pacificação
com a configuração de certa unidade humana? Sabemos que há uma série de
“travas” persistentes. O preconceito racial, as diferenças entre homens e
mulheres, entre etnias e culturas, as desigualdades econômicas e as separações
entre os grupos são realidades do nosso tempo.
No entanto, apesar de tantos impedimentos ao
processo de “individumanização”, já podemos perceber a emergência de uma nova
imagem pública no séc. XXI: a face humana.
O rosto tornou-se simultaneamente o símbolo de nossa singularidade e integração
à humanidade. Tem papel central, “talvez o mais central”, para a identidade-eu
e para a sociabilidade. Vale lembrar que o rosto é um atributo exclusivamente
humano. Nenhum outro animal desenvolveu a diferenciação a esse nível. Ele
permite que nos identifiquemos mutuamente, mesmo durante nosso processo de
envelhecimento. É como se nosso aparato biológico corroborasse para uma segunda
natureza_ a social. A dependência do olhar alheio para a nossa existência no
singular.O rosto também é a imagem recorrente usada pelas organizações não
governamentais dedicadas aos direitos humanos para fazer circular suas
propostas nas redes. No subtexto, reivindica-se o direto de todos a uma face humana, independentemente do sexo, cor,
idade, etnia e religião. Mesmo a ideia de mulher tende a integrar-se à
ideia da unidade humana. As imagens do séc. XXI as vinculam mais a um humanismo
prático _associado ao direito_ do que a um feminismo reiterativo”.
Jornalista e professora
Isabelle Anchieta possui
também mestrado em Comunicação pela
UFMG e graduação em jornalismo pela PUC Minas, recebendo o prêmio de Destaque Acadêmico do curso. Como
jornalista foi âncora da Rede Globo
Minas em Divinópolis e repórter de documentários pela Rede Minas/ TV Cultura.
Em 2008 recebeu prêmio nacional de Jornalismo pelo Rumos Itaú Cultural como
professora de Jornalismo Cultural. Tem dois livros publicados “Sete Propostas para o Jornalismo Cultural” (2009)
e “Mapeamento do Jornalismo Cultural no
Brasil” (2008). A pesquisadora é
também colaboradora das revistas Sociologia e Mente e Cérebro da Scientific
American. Seus artigos[1]
sobre jornalismo são adotados em disciplinas nas universidades de língua portuguesa
como a Universidade de Coimbra, a Universidade da Madeira e a Universidade de
Nova de Lisboa, em Portugal e também na Universidade Lusófona, em Cabo Verde.
Isabelle De Melo Anchieta
[1]
Com destaque para a adoção dos artigos: “Jornalismo cultural: por uma formação
que produza o encontro da clareza do jornalismo com a densidade e a
complexidade da cultura” (artigo premiado pelo Rumos Itaú Cultural, 2008); “A
defesa de uma nova objetividade jornalística: a intersubjetividade”(2007); “A
notícia como forma de conhecimento segundo Robert Park (2007); “O paradoxal
estatuto do conhecimento jornalístico”(2012).

agosto 26, 2014
agosto 09, 2014
julho 08, 2014
junho 12, 2014
Tentei torcer...não consegui....
Comprei uma linda camisa e esperava, em algum momento, ser tomada por esse sentimento que nos congrega _ a melhor parte da Copa para mim.
Esses dias, em conversa com um historiador da USP ele lembrava dessa sensação que nos acontece em poucos momentos da vida social, a de estarmos integrados. Cada bandeira na rua, a ausência da timidez em abordar e brincar com o outro, nos oferecia uma irmandade.... Mas, porque esse sentimento não me atingiu?...Acho que uma série de artifícios nos atravessaram: a Fifa, suas regras e mesmo a abertura do evento é um sintoma visual dessa nova "colonização"...Não me sinto representada naquela colagem mal feita de estereótipos. Mas, minha vergonha não se limita a essa imagem, quase infantil, do Brasil. Tenho vergonha dos nossos políticos, dos magistrados (que forçaram a aposentadoria do único Ministro que tentou fazer de fato o seu trabalho). Tenho vergonha do uso político da Copa. Em ter o futebol como prioridade _ sou mais da turma que prefere escolas e hospitais. Que prefere menos a corrupção e mais transparência. Mas, não deixei de me sensibilizar com os brasileiros que tentam torcer e se congregar para além dos artificialismo que se impuseram e que estão sendo, pela primeira vez, desvelados cruelmente. Me impressiona sobretudo a capacidade reflexiva dos brasileiros na crítica da Copa como uma forma moderna do "pão e circo" e me orgulho da tomada de consciência, ainda que tardia _ já que devíamos não ter querido a Copa quando Lula manobrava para consegui-la. Dilma recebeu o ônus do que foi um dia os louros do seu antecessor. E nós estamos diante do desafio de ter a maturidade de separa o joio do trigo...não acho que cabe vaiar a presidenta da república no estádio, nem mesmo quebrar a cidade como protesto. Há de se saber protestar e de mudar o país de forma definitiva. Aconselho seguirem a nova iniciativa do movimento que emplacou o Ficha Limpa e agora tenta vingar uma reforma política #eleiçõeslimpas, organizado por Márlon Reis. Não é quebrando a cidade que demonstraremos a nossa vontade de mudar e as novas prioridades do país, mas criando mecanismos legais que impeçam a corrupção e nos permitam participar do processo político através de formas de representação semi-direta via Leis de Iniciativa Popular, Referendos e Plebiscitos. Teria sido uma boa ideia Lula ter nos perguntado o que queríamos: a Copa ou as Escolas, não acham?
Foto: Samuel Macedo

novembro 26, 2013
novembro 10, 2013
Socióloga brasileira está entre os escolhidos na Competição Mundial organizada pelo ISA (Associação Internacional de Sociologia)/ UNESCO
Com o artigo intitulado “A sociedade de rostos” em que trata da crescente importância da imagem humana_ e sua circulação nas redes sociais_ como uma nova forma de luta por reconhecimento e integração social no séc. XXI a aluna da pós-graduação da USP, Isabelle Anchieta _orientanda da professora Maria Arminda Arruda do Nascimento_ foi escolhida, junto a outros sete doutores e doutorandos, na Sexta Competição Mundial de jovens sociólogos convocada pela Associação Internacional de Sociologia , com apoio da UNESCO . Foram primeiramente selecionados 120 artigos centrados em problemas socialmente relevantes entre pesquisadores de instituições de ensino em todo o mundo, formados há menos de 10 anos. Em seguida 8 foram selecionados sendo a doutoranda a única brasileira. Isabelle receberá menção honrosa durante o XVIII Congresso Mundial de Sociologia que ocorre em Yokohama, Japão, em julho de 2014.
Para a reflexão Isabelle selecionou, como estudo de caso, o drama das mulheres sem rosto do Paquistão, que sofreram a desfiguração por meio de ácido por seus companheiros e o impacto de suas imagens nas redes sociais brasileiras. Seu objetivo era demonstrar como a violência contra a expressão mais visível da identidade social, o rosto, promove uma comoção que supera fronteiras étnicas, raciais, sexuais e culturais, instaurando a ideia de Humanidade.
Em um trecho afirma: “Trata-se de um processo social que aponta mudanças nas relações de poderes _ em que os indivíduos começam a questionar a soberania dos Estados-nação e inclusive de sua cultura local, em defesa de algo que nos transcende e nos une: a humanidade. Ideia que tem ganhado materialidade e força através de organizações internacionais e na crescente demanda por Direitos Humanos. Dados que indicam um nova tendência global nas relações humanas, uma nova forma de luta por reconhecimento, identificação e integração, que tem curiosamente como motor a aceleração da individualização. Momento em que todos tratam se ser vistos, ouvidos e lidos em um novo ambiente global onde a imagem do rosto passa a ser a expressão mais aguda do direito de individualização. A face parece ser a imagem dessa nova ordem de socialização e integração pós-nacional”.
Atualmente a doutoranda conclui sua tese intitulada de “A Sociogênese da Imagem da Mulher no Ocidente, após a Descoberta da América” para o programa de pós-graduação em Sociologia da FFLCH, da USP. A aluna tem mestrado em Comunicação Social pela UFMG e atuou como professora de Jornalismo Cultural na Universidade Mackenzie/SP, Newton Paiva/BH e como jornalista para a Rede Globo Minas e repórter para a TV Cultura.
• Contatos:
isabelleanchieta@usp.br
Isabelleanchieta@gmail.com
https://www.facebook.com/isabelleanchieta
Para a reflexão Isabelle selecionou, como estudo de caso, o drama das mulheres sem rosto do Paquistão, que sofreram a desfiguração por meio de ácido por seus companheiros e o impacto de suas imagens nas redes sociais brasileiras. Seu objetivo era demonstrar como a violência contra a expressão mais visível da identidade social, o rosto, promove uma comoção que supera fronteiras étnicas, raciais, sexuais e culturais, instaurando a ideia de Humanidade.
Em um trecho afirma: “Trata-se de um processo social que aponta mudanças nas relações de poderes _ em que os indivíduos começam a questionar a soberania dos Estados-nação e inclusive de sua cultura local, em defesa de algo que nos transcende e nos une: a humanidade. Ideia que tem ganhado materialidade e força através de organizações internacionais e na crescente demanda por Direitos Humanos. Dados que indicam um nova tendência global nas relações humanas, uma nova forma de luta por reconhecimento, identificação e integração, que tem curiosamente como motor a aceleração da individualização. Momento em que todos tratam se ser vistos, ouvidos e lidos em um novo ambiente global onde a imagem do rosto passa a ser a expressão mais aguda do direito de individualização. A face parece ser a imagem dessa nova ordem de socialização e integração pós-nacional”.
Atualmente a doutoranda conclui sua tese intitulada de “A Sociogênese da Imagem da Mulher no Ocidente, após a Descoberta da América” para o programa de pós-graduação em Sociologia da FFLCH, da USP. A aluna tem mestrado em Comunicação Social pela UFMG e atuou como professora de Jornalismo Cultural na Universidade Mackenzie/SP, Newton Paiva/BH e como jornalista para a Rede Globo Minas e repórter para a TV Cultura.
• Contatos:
isabelleanchieta@usp.br
Isabelleanchieta@gmail.com
https://www.facebook.com/isabelleanchieta

outubro 16, 2013
Meu cavalo morreu
Meu cavalo morreu. E, com ele, parte da minha experiência de liberdade. Dizem que são as pessoas que nos formam...Verdade, mas incluiria os animais e os objetos nessa afirmação. Parece estranho?! Mas, creio que minha percepção do mundo está mediada por muitas experiências: a do avião, da fotografia, dos carros, dos livros, das telas....Mas, hoje quero falar do meu branquinho. Não tinha nome, apenas sua cor, um branco manchado (de bolinhas negras). Não que seja a ausência de sua nomeação uma desconsideração da minha parte, mas o reconhecimento de que não podia ser cercado por palavra, arame, curral algum... Era um bicho bravo. “Tinha ardência”, dizia meu pai. Era difícil montar nele, já saia disparado. Se outro cavalo ao lado o ultrapassasse...ai, ai, ai...eu já me preparava...unia forças (não sei mais de onde) e ultrapassava... sempre. Tinha de estar ali: na frente. Cavalgava um espírito nato de um cavalo de corrida.
Uma vez me jogou em um monte de espinhos, sangrei como nunca. Me levantei, bati em seu rosto e voltei a ele. Não me ofendia: me ensinava a ser brava. O branquinho era assim...não gostava de ordem: gostava de correr. Isso, sim, como gostava...como se eu não estivesse em cima dele querendo o mesmo. Era ele ali, querendo. Uma vontade visceral, sentida, que me liberava do peso do cabresto. Sinônimo de uma experiência rarefeita em minha vida: a de não sentir culpa. A melhor tradução que encontrei para a liberdade. Éramos, assim: dois brincando de sermos livres nesse galope. Separados: unidos. Companheiros em busca desse ar acelerado, desse coração que palpita, desse medo alegre...
Como posso sentir isso sem ele? De verdade, eu ainda não sei...
Uma vez me jogou em um monte de espinhos, sangrei como nunca. Me levantei, bati em seu rosto e voltei a ele. Não me ofendia: me ensinava a ser brava. O branquinho era assim...não gostava de ordem: gostava de correr. Isso, sim, como gostava...como se eu não estivesse em cima dele querendo o mesmo. Era ele ali, querendo. Uma vontade visceral, sentida, que me liberava do peso do cabresto. Sinônimo de uma experiência rarefeita em minha vida: a de não sentir culpa. A melhor tradução que encontrei para a liberdade. Éramos, assim: dois brincando de sermos livres nesse galope. Separados: unidos. Companheiros em busca desse ar acelerado, desse coração que palpita, desse medo alegre...
Como posso sentir isso sem ele? De verdade, eu ainda não sei...

outubro 15, 2013
Porque os professores deveriam ter o salário de um deputado e o reconhecimento de um jogador de futebol?
Desde o movimento “Não é só por 20 centavos” circula na net uma frase do dramaturgo Bertolt Brecht muito oportuna a introdução deste texto: “Que tempos são estes que temos de defender o óbvio?”
Nunca entendi porque um professor ganha menos do que um deputado, um senador, um juíz, um promotor de justiça?! Nunca entendi porque tem que trabalhar tanto, repetir aulas acriticamente e não tem tempo para estudar e se aperfeiçoar?! Nunca entendi porque deve publicar artigos de graça em revistas científicas e ainda conceder todos os direitos autorais do seu trabalho intelectual? Nunca entendi porque no final do mês ele quase não consegue pagar suas contas e tem uma vida restrita em todos os sentidos, inclusive culturalmente. Não tem recursos para viajar, comprar livros, participar de congressos ou mesmo oferecer um ensino de qualidade aos seus filhos.
Nunca entendi porque ele não é valorizado por empresários e políticos? Porque sua profissão não é tida como uma profissão? Será que é porque ganhamos trocados em troca do nosso trabalho intelectual? Porque a produção de conhecimento, por ser imaterial, não possa ser quantificada? Ou, porque não estamos no poder formulando as leis e definindo os nossos próprios salários?
A corrupção e o auto-favorecimento levam a uma miopia perigosa, inclusive para os mensaleiros de plantão. Pois, sem o desenvolvimento do país os seus interesses também estão em risco. Um país que não gera riqueza, não é um bom país para ninguém. O ganho imediato, o “tudo para mim”, a falta de princípios conduz a uma cegueira a médio, longo prazo. Lembrem-se do óbvio: são os professores que formam os juízes, os engenheiros, os médicos, os jornalistas, os economistas, os sociólogos, psicólogos... Querem bons profissionais? Teremos de formar bons professores. Um país desenvolvido, rico e autossuficiente é um país que investiu em algum momento nos profissionais da educação.
Um investimento financeiro, claro, mas também social: o de seu reconhecimento ampliado. Pois, como nos lembra o educador Paulo Freire ensinar não é uma mera transferência de conhecimento . Depende de uma relação de integridade, pois é acima de tudo um encontro humano, esse, sim, uma forma de abrir-se a possibilidades...
Mas, infelizmente não é essa a aposta do país, quem sabe seja por esta razão que nos revelamos ao mundo uma aposta frustrada. Uma país que tinha tudo para decolar e não decolou.
No entanto, uma faísca se ascende em meio a neblina: professores e alunos unidos em solidariedade em defesa da educação. Dois grupos que, de fato, podem reconduzir o país para o desenvolvimento e para a formação de princípios éticos.
Creio, sem duvidar, que o fortalecimento deles é o caminho para o bem estar social

julho 17, 2013
Estou indignada com a indignação
Revendo ontem uma entrevista com o filósofo Luc
Ferry, percebi o quanto seria oportuno para o país escutar suas palavras nesse
momento. Tratava, dentre outros temas, da indignação lembrando que a própria
palavra é sintoma do seu mal: crer que somos demasiado dignos e que o outro não
o é. A despeito da indisposição do filósofo com a indignação acredito que ela
é, até certo ponto, um sintoma saudável de que nosso grau de intolerância ao
mal feito continua vigoroso, que nem tudo é relativo e indiferente, que não
somos passivos e apáticos. Mas, concordo com o fato de que: “a indignação é um
sentimento que se deve saber superar. É preciso passar logo a outra coisa. Deve
ser uma pequena faísca, nada mais do que isso”. Essa frase me deixou pensando:
soubemos superar a indignação no Brasil? Infelizmente creio que não. Fui uma
entusiasta da reação dos brasileiros, mas hoje me sinto decepcionada com a
condução do debate, ou melhor das indignações. As pessoas continuam a atacar,
mas não a propor. E quando as propostas surgem logo são desqualificadas.
Adotou-se uma postura de “recusar por recusar”, como disse sabiamente minha
colega, a professora Cicélia Pincer.
Percebi que isso aconteceu com a proposta
do Plebiscito. Eu não votei em Dilma e de fato não gosto do que o PT se tornou,
mas me surpreendi com a sua coragem, como enfrentou de imediato o tema. Propôs
e, ainda assim, foi e é alvo de uma infinidade de críticas, especialmente por ter
sido ‘precipitada’, quando na verdade respondia, com respeito e rapidez,
aos manifestantes _ ao contrário do silêncio prolongado de Lula no caso do
Mensalão. Suas propostas foram enfraquecidas pela série de ataques que sofreu,
ficando praticamente isolada (mesmo diante dos integrantes do seu
partido). Com isso, o Congresso se viu desobrigado a atender suas
propostas. Ao meu ver o Plebiscito não se reduziria a responder 5 ou mais
perguntas, seria uma boa oportunidade para abrir um amplo debate sobre a
Reforma Política para o qual os brasileiros demonstram-se preparados e não
deixar que as mudanças ocorram a nossa revelia.
Outra proposta de Dilma também foi
deformada rapidamente pelos Congressistas, a dos royaltis do petróleo (a
presidenta propôs destinar 100% para a educação). “O repasse caiu de R$ 279,08
bilhões para R$ 108,18 bilhões. No caso da educação, o porcentual diminui
53,43%: de R$ 209,31 bilhões para R$ 97,48 bilhões. Na saúde, com a redução de
84,7%, o valor despenca de R$ 69,77 bilhões para R$ 10,7 bilhões” (ES).
Na Argentina, onde moro no momento, por
exemplo, fomos também as ruas em 4 oportunidades, mas Cristina ignorou o
movimento, desqualificou-o e nada mudou. Ainda que os Congressistas
tenham também reagido “positivamente” a algumas indignações da rua creio que a
boa vontade é esporádica. Para que torne-se contínua é preciso que as pessoas
participem do processo político através dos instrumentos de participação direta
(Plebiscito, Referendo e Projetos de Lei de Iniciativa Popular).
Sobre esses últimos uma conquista está
sendo igualmente desqualificada pelos indignados, a assinatura digital, que
tramita para ser aprovada. A PEC “reduzirá para a metade o número de
adesões de eleitores necessárias à apresentação de um projeto de lei de
iniciativa popular. O total de assinaturas exigido para que um projeto de lei
de iniciativa popular possa ser aceito e tramitar no Congresso, segundo o
texto, cairia do atual 1% do eleitorado nacional para 0,5% - de 1,4 milhão para
cerca de 700 mil pessoas. A proposta abre, além disso, a possibilidade de se
coletar assinaturas pela internet, o que tende a tornar-se bem mais fácil levar
adiante tais iniciativas. O texto segue agora para a Câmara”. Mas, já há
críticas do que dizem que nem todos tem Internet e que isso seria uma medida
classista....
Primeiro a assinatura eletrônica não
excluí a convencional, pode ser somada a ela. Por isso, não impede que todos
que tenham ou não acesso a rede participem e assinem. Não contemplar a
eletrônica seria ao meu ver um retrocesso histórico. Temos de acompanhar o
nosso tempo, usar as conquistas tecnológicas a nosso favor para facilitar e
incentivar a participação direta e semi-direta. Para se ter uma ideia apenas
uma (1) Lei de Iniciativa Popular foi realizada no país _ o Ficha Limpa. Prova
de que o sistema atual inviabiliza e dificulta a participação. As Leis tem que
acompanhar as mudanças sociais, dentre elas incluir o universo digital, que
torna-se rapidamente um espaço inclusivo e massivo.
Mas, é preciso também mudar a atitude. Ultrapassar o jogo de indingações e barganhas de classe e partidos. Hoje penso o quanto deve ser difícil ter propostas de fato e colocá-las em prática diante de tantos indignados (e interessados). De fato, "temos muito mais necessidade da inteligência e da coragem do que da indignação" Luc Ferry.

abril 26, 2013
O título da imagem? "A descida da Cruz". Da artista australiana Lee-Trewartha, em um estilo que nomeou de neo-barroco.
O que acho mais curioso (para além da força das expressões) é como ela combina esse recorte com o título da obra. Prova que, para termos uma imagem completa, basta uma indício para a recompormos mentalmente. Uma expressão que pode _inclusive_ dizer mais do pathos da imagem do que toda a composição (que torna-se, cada vez mais dispensável). Uma operação possível porque as imagens são, acima de tudo, parte (integrante e atuante) da memória social. De um armazenamento e arquivamento simultaneamente coletivo e individual que nos possibilita produzir e ver imagens cada vez menos literais, mais complexas e inacabadas a medida que o tempo transcorre.
Para conhecer mais o trabalho de Lee: http://www.leeannetrewartha.com/

abril 03, 2013
O que nossa imagem não pode captar
As fotos são uma expressão contraditória do que sentimos. Sempre sorrimos para o flash. Não fazê-lo seria igualmente uma "atuação" às avessas. O que cria uma curiosa sinuca na nossa representação visual. A combinação com o texto é boa nesse sentido, restitui à cena algumas sensações que não podem ser capturadas por esse instante. Nem sempre viajar todo o tempo é bom (ficar longe do seu trabalho, carreira, amigos, cidade, língua). O estado de férias contínuas _o sonho de muitos brasileiros e suas mega-senas_ pode revelar-se para outros o fim dos desafios criativos. Nem sempre a presença de pessoas significa companhia e amizade. "Detesto quem me rouba a solidão, sem me oferecer a verdadeira companhia" Nietzsche (que em geral encontro nos livros, com autores que merecem meus ouvidos e meu tempo). Por isso, encontrar amigos de verdade é tão bom!! Um oásis em meio a uma multidão de pessoas e compromissos. Um pedacinho silencioso no meio de tanto barulho. Onde podemos repousar nossa imagem, mesmo que por um instante, das representações e dos cenários.

janeiro 15, 2013
“A vida é realizar sonhos e esperar notícias”
Achei isso de uma delicadeza!
Confesso que não gosto de desatar as frases de suas origens, sob o risco de
perder o pensamento que a sustenta. Assumindo o perigo de descosturar o bordado tirando essa linha, gostaria de
compartilhar a singela frase de Mia
Couto. O escritor moçambicano que se consagra como um dos mais
significativos em língua portuguesa; Ganhei um livro de uma nova amiga, com um
sugestivo título para começar 2013: “Antes de nascer o mundo”. Sempre que posso escapo da
tese e corro para umas linhas de emoção e reflexão desinteressada, humana. O
livro? A história de uma família moçambicana de homens (dentre eles um pai e os dois
filhos) que se exilam para evitar o sofrimento, o afeto e as mulheres. O bonito
é que o menino, Mwanito, o nosso narrador, vai vendo o mundo pela primeira vez.
E _ como é bom ver o mundo pela primeira vez! Esses entusiasmos... bons de
sentir, mesmo que seja na companhia de alguém que conhece e vê algo que nunca havia visto. É como se a reação do outro rememorasse os nossos primeiros espantos. Já na primeira página
Mwanito relata: “A primeira vez que vi uma mulher tinha onze anos e me
surpreendi subitamente tão desarmado que desabei em lágrimas” (COUTO, p.11,
2009).
Em seguida chega na narrativa a frase que tomei emprestado no título: “A Vida? Ora, viver é cumprir sonhos, esperar notícias” (COUTO, p.22, 2009). Fez tanto sentido! Cumprir sonho: porque o sentido da vida se realiza (ou não) dependendo de quantos sonhos fundadores conseguimos realizar. Nosso valor é medido nesta régua, a que nós mesmos nos impusemos e não tanto pela forma como os outros nos vêem. Mas, feliz (ou infelizmente), nem tudo está em nosso domínio e boa parte desses sonhos depende dessa espera de um contato, daquele sim! Esperar notícias...essa relação inevitável com o mundo e com os outros para que, enfim, o sonho se organize entre o nosso desejo e o olhar lançado pelo outro sobre nós.
Por essa razão, desejo potência em 2013 para realizarmos sonhos e...boas notícias!
Em seguida chega na narrativa a frase que tomei emprestado no título: “A Vida? Ora, viver é cumprir sonhos, esperar notícias” (COUTO, p.22, 2009). Fez tanto sentido! Cumprir sonho: porque o sentido da vida se realiza (ou não) dependendo de quantos sonhos fundadores conseguimos realizar. Nosso valor é medido nesta régua, a que nós mesmos nos impusemos e não tanto pela forma como os outros nos vêem. Mas, feliz (ou infelizmente), nem tudo está em nosso domínio e boa parte desses sonhos depende dessa espera de um contato, daquele sim! Esperar notícias...essa relação inevitável com o mundo e com os outros para que, enfim, o sonho se organize entre o nosso desejo e o olhar lançado pelo outro sobre nós.
Por essa razão, desejo potência em 2013 para realizarmos sonhos e...boas notícias!

dezembro 25, 2012
Sobre a importância de manter os rituais
Os rituais são importantes, pois param o tempo para que tornemos memoráveis um dia de encontro e de trocas _ reais e, agora, virtuais.
Retiraram-nos do moto-contínuo que nos suga as gentilezas, o cuidado e o olhar atento para os outros,
E, por mais que os rituais igualmente se imponham como uma nova rotina sua função é diversa.
As trocas de afetos, palavras e presentes, ao fim, tem um só objetivo: o encontro.
Preparamos a casa, a comida, escrevemos cartões e compramos presentes,
Mas, sobretudo, esperamos com uma ansiedade alegre os outros chegarem ou se lembrarem de nós.
Criamos um dia especial.
E ele, assim o é, na medida em que as pessoas que valorizamos dispõem-se de seu próprio mundo e nos encontram,
Simplesmente isso: dispõem-se a esse estar junto em presença ou pensamento.
Esse é o "divino social" que o sociólogo Erving Goffman tão bem conceitua. Há para além da religião formal, uma transcendência que se dá no próprio encontro.
E, quando isso acontece, essa troca nos fortalece: revigora,
Atualiza nossos laços e, assim, o que somos.
Sem os rituais nosso próprio valor se esvazia no tempo com a falta do olhar alheio; sem o cuidado e o conselho de quem amamos. O tempo fica indiferente e perde o que possui de significativo, de humano.
Como é bela essa nossa capacidade de tornar alguns momentos memoráveis. De destacar do tempo contínuo esses espaços para estarmos juntos.
No fundo essa é verdade, que encobre a ilusão do movimento dos mais de trezentos dias de correria e faltas,
Sem a celebração desse encontro a vida perde a paixão que movimenta as demais coisas,
Pois, na verdade a vida é movida pelos afetos,
E, que bom que há rituais em que podemos expressá-los sem pudor e pressa,
Feliz dia com carinho, ternura e saudade dos meus amigos, amigas, familiares e queridos alunos
Retiraram-nos do moto-contínuo que nos suga as gentilezas, o cuidado e o olhar atento para os outros,
E, por mais que os rituais igualmente se imponham como uma nova rotina sua função é diversa.
As trocas de afetos, palavras e presentes, ao fim, tem um só objetivo: o encontro.
Preparamos a casa, a comida, escrevemos cartões e compramos presentes,
Mas, sobretudo, esperamos com uma ansiedade alegre os outros chegarem ou se lembrarem de nós.
Criamos um dia especial.
E ele, assim o é, na medida em que as pessoas que valorizamos dispõem-se de seu próprio mundo e nos encontram,
Simplesmente isso: dispõem-se a esse estar junto em presença ou pensamento.
Esse é o "divino social" que o sociólogo Erving Goffman tão bem conceitua. Há para além da religião formal, uma transcendência que se dá no próprio encontro.
E, quando isso acontece, essa troca nos fortalece: revigora,
Atualiza nossos laços e, assim, o que somos.
Sem os rituais nosso próprio valor se esvazia no tempo com a falta do olhar alheio; sem o cuidado e o conselho de quem amamos. O tempo fica indiferente e perde o que possui de significativo, de humano.
Como é bela essa nossa capacidade de tornar alguns momentos memoráveis. De destacar do tempo contínuo esses espaços para estarmos juntos.
No fundo essa é verdade, que encobre a ilusão do movimento dos mais de trezentos dias de correria e faltas,
Sem a celebração desse encontro a vida perde a paixão que movimenta as demais coisas,
Pois, na verdade a vida é movida pelos afetos,
E, que bom que há rituais em que podemos expressá-los sem pudor e pressa,
Feliz dia com carinho, ternura e saudade dos meus amigos, amigas, familiares e queridos alunos

novembro 05, 2012
"Não se pode ter paz evitando a vida” (VW): entre os novos e repetitivos movimentos da vida
Há momentos que me pego evitando a vida: as
pessoas, os encontros, as situações, especialmente as novas. Mas,
estranhamente a vida me empurra para essas renovações. Há sempre uma onda, uma
revolução se formando logo à frente.
Confesso que evitar a novidade é sempre um
dilema para mim. Porque em geral as pessoas idealizam a mudança, o “conhecer
pessoas novas”, o exótico... Vivemos hoje a “ditadura da novidade”, das experiências
múltiplas. A nossa apólice da felicidade? As fotos das viagens. Não estar
completamente satisfeito tendo contato com essas situações parece um contrassenso...
Confesso
que também tenho medo de olhar para trás e ver que deixei de aproveitar as
oportunidades, de encarar as novidades com mais alegria, de “peito aberto”...
Porque
como as vivo frequentemente me pego, em alguns momentos, querendo fugir desses
constantes movimentos da vida,
Como
se eu quisesse enganá-la, brincando de esconder-me de suas exigências.
E,
quando consigo sinto que posso ter enganado a mim mesma...
“Não se pode ter paz evitando a vida”, como bem nos
lembra Virgínia Woolf
Verdade. Quando a evito sinto-me ainda pior,
como se assinasse minha incapacidade em viver, minha covardia, minha timidez...
Mas, posso perguntar? Será que a vida
encontra-se só nesses movimentos? Há vida nas calmarias?
Confesso que depois de tantas rotações aprendi
a ver beleza na rotina, na casa, no repetir-se. Nos dias de chuva, que não nos
exigem a disposição dos dias de sol. Minha poetiza mineira favorita, em um
verso, quase uma oração, o diz lindamente: “que nada mude senhor”.

agosto 25, 2012
Im+previsíveis
Im+previsíveis é uma série de 26 documentários
que apresentará, em cada episódio, mulheres fora do comum, que tiveram a
coragem de romper expectativas, moralidades e estereótipos. Vamos acompanhar a
vida de mulheres de bandido;
como se vestem as fora de
moda; os dramas e alegrias da maternidade de meninas de rua;
compartilhar os segredos da vida
de amante; ou viajar na companhia de uma mochileira.
Acompanhando cada uma dessas personagens, a socióloga Isabelle Anchieta
abordará temas polêmicos, emocionantes e mesmo divertidos sobre um lado incomum
delas, introduzindo uma pitada de reflexão através da citação de trechos de
obras literárias e análises de imagens de arte ligadas a personagem do
episódio.
Muito
se avançou no debate da condição da mulher moderna, mas há ainda um descompasso
da programação televisiva sobre esse novo lugar. Abundam programas de beleza e
culinária e poucos tratam da intelectualidade e de formas não estereotipadas de
ser mulher. Im+previsíveis é uma série que une reflexão, filosofia, arte e
aborda a condição feminina fora de um enquadramento tradicional, respeitando e
apresentando as várias formas de ser mulher.
Um
programa que não menospreza a capacidade intelectual da telespectadora e a
convida a pensar sua condição fora de um roteiro comum. A série não tem o
intuito de julgar, nem tão pouco exaltará as formas tidas como não
convencionais de se viver. Sua proposta é antes de mais nada emocional e
reflexiva. O que queremos é dar visibilidade as mulheres reais, seus dramas
existenciais, afetivos, profissionais com um tom sociológico, filosófico e poético.

julho 20, 2012
Mulher: uma “classe desprivilegiada em alta conta
Caros,
Esqueci de divulgar, para quem tiver interesse, um artigo que publiquei na Revista USP (Plural), intitulado: "Mulher: uma “classe desprivilegiada em alta conta”. Em resumo: "Dos grupos desprivilegiados, a mulher ocupa uma posição no mínimo curiosa. Ao contrário dos demais, como os negros e homossexuais, ela é exaltada socialmente pela maternidade, beleza, divindade e virtude. Símbolo da liberdade e da igualdadena Europa, na América e na Ásia, ela está simultaneamente à margem de posições sociais de prestígio na vida política, no trabalho e na família, há mais de vinte séculos. Será que o poder feminino foi ou ainda é apenas simbólico? Mas, se as imagens e os símbolos são fundamentais ao poder, por que, no caso feminino, há uma separação entre a vida real e a vida simbólica?
Para quem quiser ler mais:
http://pt.scribd.com/doc/95009406/7/Isabelle-Anchieta

junho 13, 2012
Parar de dar aula....voltar para a TV
Mais uma encruzilhada,
Dessas muitas que nos deparamos depois de trilhar rotas sem bifurcação
Duas placas se anunciam: uma continua, outra leva a um caminho parcialmente desconhecido
O mais difícil dessa opção é que não trata-se do clichê de estar entre o comodismo e a mudança,
Já que a via principal é também o princípio, o meu princípio, o fundamento: onde encontro as minhas maiores forças, onde posso me doar e de onde recebo uma inesgotável fonte de reconhecimento e afeto. Ensinar. Meus alunos. Como é bom, como tenho prazer... Porque isso sou eu, EU em caixa alta.
No segundo caminho: a TV. Nela já tive experiências que ora me fizeram sentir em caixa alta, ora em baixa. Com ela realizei experimentações de linguagem, misturei literatura com imagens e descobri um novo prazer.
Dentre eles o de me superar. De ter que lidar com minha imagem: com as delícias e as aflições dessa frágil relação _ tão delicada e tão humana. Fiz com a TV o exercício de encontrar um lugar que estivesse além da minha vaidade. Por isso foi bom parar! Para poder reencontrar minha base forte: a do conhecimento. Com ele ganho asas para deixar minhas mesquinharias abaixo. Onde possa ver com olhos de águia e engolir meus lixos de forma violenta, na espera de lançar-me novamente em busca de ar limpo.
Nesse rota que agora vou tomar quero ser guiada por essa águia do conhecimento; não pelos ratos da minha vaidade.
Superar-me com o objetivo de oferecer para as pessoas algo que ao mesmo tempo está e que transcende minha imagem.
Um programa que criei, sobre um tema que estudo há mais de 7 anos: as imagens da mulher. Mulheres Imprevisíveis. Um programa que traz como pano de fundo uma questão simples e central: a de como viver? quais os riscos, as delícias e o preço de romper com a previsibilidade? Segundo o filósofo suíço Jean Jaques Rousseau relatar a vida dos outros nos oferece esse exercício: o de nos confrontar com nossa própria vida e com os limites que criamos ou que enfrentamos para vivê-la. Em uma citação Rousseau diz: “para conhecer seu coração, é preciso começar por ler o coração de outrem. Os heróis imperfeitos de nosso tempo incitam não a imitação ou a submissão, mas ao exame e interrogação”
Um programa que criei, sobre um tema que estudo há mais de 7 anos: as imagens da mulher. Mulheres Imprevisíveis. Um programa que traz como pano de fundo uma questão simples e central: a de como viver? quais os riscos, as delícias e o preço de romper com a previsibilidade? Segundo o filósofo suíço Jean Jaques Rousseau relatar a vida dos outros nos oferece esse exercício: o de nos confrontar com nossa própria vida e com os limites que criamos ou que enfrentamos para vivê-la. Em uma citação Rousseau diz: “para conhecer seu coração, é preciso começar por ler o coração de outrem. Os heróis imperfeitos de nosso tempo incitam não a imitação ou a submissão, mas ao exame e interrogação”
Quero aprender com essas mulheres! Quero contar bem essa história e dividir tb o que aprendi nesses anos de estudo de doutoramento sobre o tema.
Dar existência a esse programa faz ecoar em mim um conceito filosófico que norteia meu modo de pensar e agir. Quem me ofereceu essa ideia, não sem propósito, é o meu autor favorito. Ele o diz lindamente assim:
"E se mais adiante te faltarem todas as escadas, será preciso saber subir sobre a tua própria cabeça, senão como quererias subir mais alto?" (Nietzsche. A.F.Z, p.122)
Vou tentar ser na TV, com esse programa, o que sou para meus alunos;
Por isso essa mensagem é também uma pequena despedida da sala de aula (que tanto me aperta o peito)
É um até logo para pegar uma rota nova que agora exige isso,
Mas, que em breve será uma via paralela,
Queridos, vcs me deram mais do que eu dei a vcs,
Vcs me oferecem, generosamente, uma imagem para mim mesma. Foram o mais belo espelho que tive, formando uma Isabelle Anchieta da qual me orgulho. Um EU em caixa alta, sempre alta...
Por isso, perder vocês de vista é correr o risco de me perder um pouco também,
Espero me reencontrar nesse outro lugar, usando via memória afetiva, a imagem que me deram,
Com carinho, saudades e agradecimento,
Isabelle Anchieta
Espero me reencontrar nesse outro lugar, usando via memória afetiva, a imagem que me deram,
Com carinho, saudades e agradecimento,
Isabelle Anchieta

maio 30, 2012
A beleza é o resultado de um efeito e não de uma qualidade
A beleza é o resultado de um efeito e não de uma qualidade. E, sendo efeito, aproxima-se da poesia _ no que possui de sublime. Por essa razão, o poeta Edgar Allan Poe, em "A filosofia da Composição", afirma que a "beleza é a província do poema".
Como uma criação milimetricamente calculada para tal, elegendo dos tons poéticos a composição mais adequada para se comunicar com a nota profunda onde esconde-se a alma.Aprendi, com essa beleza, que o efeito é alcançado com muito trabalho (e não por uma iluminação seletiva). O que não a impede de ser poética. Sua força não provém da intuição. Mas, emerge no poderoso encontro entre a intelecção e o afeto. Entre a paixão e a estratégia. Na navalha e na sutileza da relação, da interação, da tensão intersubjetiva na qual a vida é constituída.

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