Mente e Cérebro, uma revista da Scientific American, traz na edição de outubro o artigo "IMAGENS DA FEMINILIDADE" (p.52) de autoria da professora Isabelle Anchieta. Confiram...29/09/09
Nas bancas revista Mente e Cérebro com artigo "Imagens da feminilidade" da profa. Isabelle Anchieta
Mente e Cérebro, uma revista da Scientific American, traz na edição de outubro o artigo "IMAGENS DA FEMINILIDADE" (p.52) de autoria da professora Isabelle Anchieta. Confiram...23/09/09
Escrever: uma engenharia poética de unir e atravessar

06/09/09
Professora concede entrevista de sua pesquisa na Rádio Itatiaia para o Observatório Feminino

O programa vai ao ar hoje 6:30h ou 12:30h na rádio Itatiaia
23/07/09
Vídeo de Isabelle Anchieta no Saia Justa (GNT) tema: "Quarta Mulher"
08/07/09
26/06/09
Isabelle Anchieta no Saia Justa (GNT)

20/06/09
Fim do diploma de Jornalismo: fim da liberdade de expressão mediada por comunicadores competentes, risco para democracia
06/06/09
Sobre encontros que transformam nossas vidas: o filósofo Gilles Lipovetsky e a pesquisadora Isabelle Anchieta em Belo Horizonte
"Há encontros em nossas vidas que a transformam completamente" a frase dita por Lipovetsky ilustra bem nosso encontro. Pensar que tudo começou através da leitura de uma de suas obras ...Naquele livro, que tratava sobre a mulher, me deparava com um grande filósofo contemporâneo e suas idéias que se materializavam e se limitavam, supostamente, ao livro que tinha em minhas mãos. Desse primeiro encontro virtual um conjunto de idéias irrompiam, sendo capazes de gerar a energia suficiente para a produção da minha própria pesquisa (que em parte contradiz algumas concepções de Lipovetsky). Do nascimento dela um conjunto de movimentos silenciosos se organizavam para gerar mais uma sequência de ações inesperadas. Fui selecionada para apresentar (com outros 10 pesquisadores internacionais) o meu trabalho "A Quarta Mulher" em Madri, em outubro de 2008. Quem estaria lá? Gilles Lipoetsky. Pois é, foi assim que ele, enfim, conheceu minha pesquisa e se interessou pela forma como conduzi e até contradisse suas perspectivas. Desse ponto uma intensa e rica interlocução se travava entre eu e Lipovetsky. Após quase um ano, foi a vez dele vir ao Brasil, em Belo Horizonte para a Compós (06/2009) e hospedou-se na casa de minha mãe. Digo isso, porque o convívio me ensinou novas e diferentes coisas. Aprendi que para pensar não temos de ser ranzinzas - ele não o é, é divertido, leve, brincalhão. Aprendi que "prazer é tempo": para tomar um café, fumar um cigarro, ler, ficar na varanda tomando o sol de outono e escutando bossa nova. Aprendi que pensar pode acontecer a dois e não só de forma solitária. Pois, todas as manhãs ia até lá e conversávamos longa e entusiasmadamente sobre a minha pesquisa. Me espantei com sua generosidade em me apresentar novas e ambiciosas questões. Quando chegava ele me dizia alegre: ontem a noite estava pensando sobre sua pesquisa e tive uma outra idéia...seguida de indicações de livros que não li. Traçamos, juntos, um plano de estudos para os próximos 4 anos da minha vida. Mas, o que pode parecer o adiamento do sonho é para mim sua consolidação. Um oceano apresenta-se desde então. Mas, estou excitada para começar essa viagem, em parte nova, mas em parte segura já que tenho, agora, um co-piloto que me oferece mapas e sugere a navegação.
Uma noite, em especial, me marcou. Voltávamos de um encontro com alunos do mestrado na PUC e ia deixá-lo na casa de minha mãe quando ele me perguntou se me importava, antes, de caminhar um pouco pelo bairro. Temi por nossa segurança, já era tarde, mas fui. Acho que há anos não fazia isso. Misturou-se nessa caminhada: a noite, o brilho de Belo Horizonte, um certo receio e o entusiasmo de nossas idéias. A cada cinco passos parávamos, um frente ao outro, para defendermos de forma acalourada as nossas perspectivas. Um desses momentos que se intensificam na mistura entre o ambiente e as idéias e que, assim, formam uma imagem definitiva em nossa memória.
Desse encontro com Lipovetsky fica um oceano de idéias e alguns mapas de navegação. Fica a vontade e o prazer de pensar, de ler. Fica a generosidade da troca, do embate, da filosofia. Ficam janelas abertas, fica o sol confortante de outono e mais: a certeza do propósito da vida e a experiência de que para produzir uma bela obra é preciso de encontros felizes e verdadeiros como esse.
31/05/09
Gilles Lipovetsky chega hoje em Belo Horizonte
19/05/09
Me dei conta do quanto o amor e a comunicação se combinam

No entanto, hoje as pessoas não querem comunicar, não aceitam perder algo de si para escutar e traduzir as singularidades do outro – por medo de colocarem em questão suas tão confortáveis verdades. Pois, sondar o outro é entrar em uma zona estrangeira, é aventurar-se em um território desconhecido. Muitos preferem confinar-se no conforto de suas supostas certezas a descobrir a dor e a delícia dessa terra encantada que o outro nos apresenta. As pessoas não querem trocar, querem apenas transmitir, unilateralmente, os seus desejos esperando que o outro se encaixe neles. Enunciam aos quatro ventos o que esperam de “uma mulher”, de “um homem”. Quanta bobagem! (se me permitem o desabafo). São essas abstrações simplórias - geralmente recheadas de preconceitos e idealizações sobre o que é uma "boa mulher" ou um "bom homem" - que reduzem a diversidade de todos singulares em generalizações unidimensionais, pobres! São pessoas que trazem uma roupa pronta e querem que o outro caiba naquelas medidas. Mas, o outro nunca cabe (e, que bom!). Porque o outro é sempre sem medida. Porque o outro escapa pelo chamado dos seus próprios desejos. Aprisioná-los é a forma mais rápida de matar o amor, a comunicação, o encontro.
Eis aqui uma exigência do amor: a comunicação. No que tem de entrega, troca e respeito ao desejo do outro.
Por isso, hoje me dei conta do quanto o amor e a comunicação se combinam....
15/05/09
Maitê Proença repercute pesquisa "A Quarta Mulher" da professora Isabelle Anchieta
10/05/09
Maitê Proença e Isabelle Anchieta discutem Amor e Vida na Academia de Idéias

05/05/09
Arrancar a vida
Essa violência necessária. A de arrancar da vida: a vida. Nada de esperar. Não há milagre, dádiva, reza. Chega de ilusões! Mentiras. A vida é de natureza subterrânea, seu alimento se esconde como uma raiz repleta de virtudes que se alimenta no escuro, no solo. Para tê-la é preciso força, desejo e coragem de tomá-la violentamente nas mãos. Arrancá-la e trazê-la a nós. A vida! Ela não é feita de descanso, de paz. Nada de monges que se escondem em sua “paz” tibetana. Escapismo. A vida não pede refúgio. Pede coragem para o sofrimento e a dor necessária. O que simultaneamente nos concede a delícia e o prazer das alegrias e das belezas na experiência. A vida é feita de guerra e de celebração. É luta! Luta para sobreviver a mentira, a falsidade, a falta de caráter, ao comodismo, ao caminho mais fácil e tentador. A zona de conforto, diga-se de passagem, é a mais perigosa. Castra. Inibe. Acalma a vontade, o desejo e retira a nossa maior potência – a da nossa incompletude. Essa falta humana, esse vazio que nos aciona. A alma precisa de estímulos, de propósitos. Confortar-se é retirar o movimento que nos empurra violentamente a diante. Como diria meu amigo Nietzsche “quem pega o atalho perde o caminho”. E, só há um caminho, nele devemos preservar o que somos com dignidade humana. Respeitar o outro sem perder de vista o desejo pessoal. É manter os olhos alertas. A consciência afiada. A verdade em punho, com sua dor e beleza.
Viver. Arrancar. Lutar. Celebrar, na dor, no prazer. Humano, demasiado.
25/04/09
Mônica Waldvogel e Isabelle Anchieta debatem a pesquisa "A Quarta Mulher"
30/03/09
Agradecimento pela reportagem no site da Newton Paiva
24/03/09
Mônica Waldvogel discute a pesquisa "A Quarta Mulher" com a autora Isabelle Anchieta na Academia de Idéias

Primeira e Segunda Mulher: imagem temida a uma imagem idealizada, Isabelle Anchieta
14/4
Terceira mulher: a emanc. paradoxal da mulher através da moda e do corpo magro., Isabelle Anchieta
24/4
O papel da mídia na emancipação da mulher, MÔNICA WALDVOGEL
24/4
O papel da mídia na emancipação da mulher, Isabelle Anchieta
28/4
Quarta Mulher: a mulher real e possível nas imagens publicitárias do séc. XXI, Isabelle Anchieta
>mais informações pelo telefone: 3281-7750 ou acesse: http://www.academiadeideias.com/
13/03/09
04/03/09
Professora dará entrevistas na Rede Minas e na TV Assembléia sobre a imagem da mulher na mídia


> Professora participa do programa Sala de Imprensa da TV Assembéia, para debater sua pesquisa "A Quarta Mulher".
03/03/09
Diploma em debate: jornalismo de qualidade em sociedade democrática
Em um contexto em que se discute o fim da necessidade da formação superior do jornalista venho aqui fazer o caminho inverso. Tentarei demonstrar quais as razões que justificam não o fim das exigências, mas a sua consolidação e intensificação. O jornalismo é, sim, uma área de conhecimento específico que possui decisiva importância sobre as dinâmicas sociais em que está inserido. Por isso, tem uma responsabilidade acrescida sobre a emancipação ou não dos sujeitos e da sociedade. E, como toda profissão que possui tal responsabilidade social, o jornalismo deve vir acompanhado de três elementos fundamentais: formação de qualidade, liberdade de expressão e limites ao exercício dessa liberdade. É nesse sentido que devemos nos empenhar em legitimar o lugar de um comunicador autorizado capaz de realizar as operações técnicas e éticas próprias à profissão e dignas de uma sociedade democrática. O caminho contrário, a sua deslegitimação, parece servir apenas aos interesses de pessoas que se favorecem da ignorância social e da despolitização dos cidadãos.>>O artigo completo está disponível no site do Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=527DAC001
02/03/09
Prêmio "Rumos Itáu Cultural" abre inscrições para estudantes e profissionais
O Itaú Cultural lança os novos editais do programa Rumos. São eles: Arte Cibernética; Cinema e Vídeo; Dança; e Jornalismo Cultural. Todos abrem as inscrições no dia 4 de março e, com exceção de Jornalismo Cultural (que encerram no dia 31 de julho), vão até 29 de maio. A seleção dos projetos será feita por comissões autônomas formadas por especialistas nas áreas contempladas e um representante do Itaú Cultural. Os resultados serão divulgados no segundo semestre de 2009. Em todos os casos, a divulgação será feita por meio da imprensa e do site da instituição www.itaucultural.org.br/rumos, onde se encontram todos os quatro editais e por meio do qual deve se fazer a inscrição gratuita.01/03/09
Sobre a Transitoriedade

26/02/09
O corte no tempo
Não poderia imaginar que a segurança que me acompanhava há anos, um pedaço de mim, pudesse _ em um corte _ ser amputado, separado. Está. É fato. A morte é um corte no tempo que nos separa em instantes da companhia tão amada, tão viva...Agora, é fato. O corte no tempo se impõe. Há segundos, agora horas, agora semanas que me separam aos poucos. De castigo: essa solidão silenciosa, fatal. Vivo todos os sentimentos: ora raiva, melancolia, saudade, alívio, tristeza, confusão, revolta, cansaço. Não sabia como eles poderiam se alternar com tanta velocidade....Enfrento, ainda sem saber como sair, o meu mais grave sentimento, minha mais exigente superação,
16/02/09
Pedaço de mim
A
"
É
(Chico Buarque)
13/02/09
Sobre os indutores do prazer e da beleza

Induzir. Instigar, convidar os sentidos, o corpo. O que chamo de indutores do prazer e da beleza nada mais são do que os pequenos objetos, gestos, ocasiões de que nos cercamos para termos experiências breves e transformadoras, que configuram, em sua constância, a beleza em nós (no que somos e no que nos cerca). As flores sobre a mesa. O ritual de tomar café. Ler o jornal do dia. O encontro com os amigos após o trabalho. Regar as plantas. Galopar. Nadar no "Rio Grande". Ver o entardecer da varanda. Ler um livro com calma e prazer na cama. Um vinho. Um jantar. Um belo vestido. A maquiagem. Um toque de quem amamos, um olhar demorado... Uma paisagem: as montanhas, o mar (o mar...). A casa limpa, perfumada. Cortinas de vuol dançando ao vento. Música. Essas pequenas coisas de que devemos nos cercar, que nada tem de ostentatórias ou artificiais, mas necessárias para produzir a beleza e prazer a nossa volta e em nós. Simbiose alegre...
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29/01/09
Felicidade: uma postura afirmativa, mesmo durante o sofrimento

1) O Mártir: aquele que acha que a felicidade está no futuro e, por isso, sacrifica-se no presente. Sua felicidade está em alcançar metas, mas após o alívio de atingí-las sente-se novamente vazio, buscando infinitamente uma nova meta.
No entanto, a felicidade não pode nem ser uma meta futura (inalcançável); não pode ser inconseqüente com o futuro; nem indiferente. Pois, quando o mártir “confunde momentos de alívio com felicidade, reforça a ilusão de que o simples cumprimento de metas nos faz felizes” (BEN-SHAHAR, 2008). Já o hedonista “se engana quando associa esforço com sofrimento e prazer com felicidade”. Há um episódio da série televisiva Além da Imaginação que ilustra bem o erro tanto do hedonista quanto do blasé. No episódio “um criminoso cruel é assassinado e recepcionado por um anjo encarregado de satisfazer todos os seus desejos. O homem assusta-se por ter ido para o céu, após tantos crimes. Fica confuso, mas acaba aceitando sua boa sorte e começa a pedir somas de dinheiro, refeições, belas mulheres e é atendido. Desfruta de grande prazer. No entanto, com o passar do tempo o prazer começa a diminuir; sua existência sem esforço começa a cansar. Pede ao anjo algum trabalho que o desafie, mas é informado que naquele lugar pode ter o que quiser menos a oportunidade de trabalhar pelas coisas que pede. Pensando que estava no céu o homem diz querer ir para o inferno. Nesse momento a câmara faz um close no rosto do anjo e sua fase transforma-se na face do diabo. Este é o inferno que o hedonista confunde com o céu... ”(BEN-SHAHAR, 2008). Sem propósitos, objetivos e luta a vida perde o sentido e não encontramos a felicidade.
Estamos, enfim, diante da quarta e mais densa postura diante da vida....a de lutarmos, vermos sentido e propósito nessa luta, celebramos e acima de tudo acreditarmos na vida mesmo diante do sofrimento e das adversidades (o chamado por Nietzsche de amor fati). A felicidade está na travessia e não só na chegada. Trata-se de curtir a paisagem e não só o destino e trocar o pneu se for preciso. A felicidade está na luta, no que a significa e no seu resultado (bom ou ruim). É nesse sentido que podemos ser felizes agora e no futuro.
12/01/09
O homem que amou demais
Era uma vez...porque uma vez haveria de ser para que tudo comece e termine...um homem que amou uma mulher mais do que a si mesmo. Um homem capaz de uma amor tão intenso que só poderia ser compreendido por seu modo de ser no mundo. Acostumado que estava a grandes batalhas já havia enfrentado todos os tipos de periculosidades e soube, a cada temor, dar o golpe certeiro de sua espada. Superou, inclusive, o pior e mais temido inimigo.... Uma doença que apoderou-se de seu corpo e tombou-o em uma cama. A suspeita: não voltaria a andar. No entanto, quem poderia diagnosticar esse guerreiro a não ser ele próprio? Não acreditou e se auto-diagnosticou contra tudo e todos: voltaria, sim, a andar, a correr, a lutar e a tudo mais que estava acostumado e ainda melhor. Convicto que estava disso lançou-se, apaixonadamente, em sua mais difícil batalha e dela saiu ainda mais belo e confiante de sua força.
No entanto, não sabia que a sua luta mais desafiadora ainda estaria por vir. Uma mulher. Tão indomável como o seu mais audaz inimigo.Tão livre e incomum. Uma mulher que possuía uma lucidez penetrante que lhe permitia ver além de qualquer formalismo, como se viesse de volta de vinte anos de guerra. Contraditória; pois quanto mais dominava os saberes do mundo, tornava-se cada vez mais impermeável aos formalismos, mais indiferente à malícia e desconfiança, feliz num mundo próprio de realidades simples. E, quanto mais livre dos convencionalismos e obediente a sua espontaneidade, mais perturbadora ficava sua beleza e mais provocante seu comportamento. Tudo nela pecava, por assim dizer, por um excesso de delicadeza*.
Ao contrário da maioria das mulheres não queria casar-se, ter filhos e nada que a limitasse em sua liberdade. A liberdade é, por isso, sua potência. É o vento forte que alimenta seu espírito nos topos dos horizontes das montanhas. Filha do sol, amante do vento da serra, das águas correntes, das cachoeiras, galopa para sentir os ventos doidos nos cabelos*.
Ele, o guerreiro, a escolheu como alvo de seu amor. Mas, por quê? Porque não poderia escolher nada menor do que os grandes desafios a que estava acostumado. E, quanto mais percebia nela uma batalha, mais instigava-lhe a conquista. Não que isso revelasse nele um traço de vaidade, ao contrário, o que o movia era uma nobreza digna dos melhores sentimentos: encantamento, amizade, generosidade, doação e uma série de virtudes dignas de um tratado que as catalogasse.
Persistente e incansável que era em seus objetivos conquistou, enfim, o amor da mulher. Ela estava encantada com sua força, persistência e, especialmente, por sua capacidade de amá-la. O que não significou que tiveram uma vida serena juntos, nada disso. Travaram memoráveis batalhas, herdeiros que eram, ambos, da belicosidade e da obstinação.
No entanto, a mulher viu-se, em determinado momento, impelida por sua natureza. A liberdade a chamou e ela sofreu como nunca ao deixar o guerreiro. A nobreza do sentimento do guerreiro por ela a fez, inclusive, repensar sua própria natureza, a querer ser, por um instante, uma mulher comum. Mas, nada pode impedir um espírito tão ávido por sua liberdade e tão convicto de seu caminho.
Ele sofreu, ciente de perde-la. No entanto, ganhou algo que não poderia imaginar com a sua partida. Uma presença que transformou sua solidão em uma solitude. Descobriu que a capacidade da amar não dependia mais do alvo do seu amor, mas de sua capacidade em si mesma de amar. Eis sua conquista definitiva, soube, enfim, que era um homem que trazia em si a maior força (a que inclusive era a responsável por suas outras vitórias) a sua infinita capacidade de ter o amor em si.
01/01/09
A falta de um conselho afetivo para começar de novo

Você já sentiu falta de alguém para te aconselhar em um momento confuso, em que está inseguro? Uma fase em que olha para a sua vida e senti angústia por não ter conquistado ainda o que quer? Quando questiona se sua vida está na rota certa? Quando está incerto sobre que caminho e decisões ter para si e para os que estão a sua volta?
Antes tínhamos avós sábios, pais mais pacientes que, com uma pequena frase, faziam nosso coração serenar. Hoje...temos de pagar psicólogos para termos conselhos...sempre com tempo marcado e cifras que impedem uma relação mais afetuosa e verdadeira, elementos necessários para conferir, junto as palavras, paz a nossa alma. Como isso não acontece...somos remediados em nossos vazios.
Como sinto falta de uma pequena frase....como essa que coloquei acima do texto que refleti sobre a necessidade da beleza em nossa vida. E, como não tenho esse tão importante conselheiro afetivo recorro a uma bela herança deixada por meu avó...livros do jornalista e médico norte-americano Orison Swett Marden. Funcionam, para mim, como conselhos deixados por um avó que não conheci...
Logo eu que desconfio do pragmatismo americano me rendi a esse psicólogo que inaugura uma literatura hoje conhecida como “auto-ajuda“. Marden perpetua através de uma linguagem rebuscada e com uma firmeza nas afirmações os conselhos tão necessários em tempos de conflito interno.
Quero aqui compartilhar conselhos da minha coleção de livros empueirados que preenchem minhas estantes e meus vazios...
“ As coisas não mudam, nós é que mudamos. O início de um hábito é como um fio invisível, mas cada vez que o repetimos o ato reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo e nos prende de forma irremediável, no pensamento e ação” Marden
11/12/08
Sobre o fim e o início de uma aula
Hoje foi o fim de mais um semestre. E despedir-se de uma turma é como perder algo precioso que foi construído com muito cuidado – no entanto, deixo em seguida esse pensamento saudoso quando percebo que algo perdura contrariando a minha ausência e a deles. Algo que possui uma força que tende para a continuidade e nunca ao fim: o conhecimento. Esse que perdura, cresce e nos torna quem somos. Essa turma (com outras que me foram muito especiais) engrandecem e dão força a essa palavra: ensino. Porque no fim das contas descobrimos que o “ensinar” só acontece quando a troca se estabelece, quando a relação se instaura. Hoje, ao fim de mais uma prova, fiquei conversando com alguns alunos que me davam o retorno sobre a minha forma de tratá-los, especialmente sobre os meus famosos “memoriais” (as fichas individuais que faço dos meus alunos acompanhando seu desenvolvimento durante o semestre) além da segunda chance que dou de revisão, corrigindo os exercícios com minhas fichas e os critérios de avaliação. Diziam que se sentiam respeitados e que realmente percebiam a minha vontade de ensiná-los e de não só transmitir o conteúdo.Não imaginam o quanto me enobrece essa resposta, esse retorno, que felizmente são comuns em minha carreira. Manifestações de carinho e agradecimento que são, realmente, o combustível para meu trabalho. Um sinal de que é esse o caminho da educação: o respeito mútuo, uma obstinada vontade em aperfeiçoar, paciência e entusiasmo pelo que se faz. Obrigado meus caros alunos, pois só posso ser a professora que sou, na medida que tenho alunos igualmente dispostos a estabelecer essa preciosa relação; a relação que nos une por algo tão imaterial e sólido: o conhecimento.
Com carinho e admiração,
professora Isabelle
02/12/08
Professora lança seu primeiro livro sobre Jornalismo Cultural (Prêmio Itáu Cultural)

E, pesa sobre essas questões controvérsias. Acusado de empobrecer a cultura por alguns e venerado por democratizá-la por outros o jornalismo cultural é, por isso, uma faceta polêmica e fascinante da comunicação”.
>>OBS. Estou muito entusiasmada com a publicação, minha primeira (espero que de muitas...). Esse é meu grande presente de Natal, o reconhecimento da minha reflexão na área.
II Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural
O norte-americano Andrew Leland, editor da The Believer; o diretor da Folha de S.Paulo, Otávio Frias Filho; e o professor de história da cultura Nicolau Sevcenko são alguns dos nomes que estarão reunidos no II Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural.
Sala Itaú cultural - Itaú Cultural Avenida Paulista 149 - Paraíso [próximo à estação Brigadeiro do metrô]
informações 11 2168 1777 www.itaucultural.org.br
25/11/08
Qual o tempo necessário para tornar-se uma pessoa genial?
Dez anos. Essa é a conclusão da pesquisa do inglês Malcolm Gladwell em seu recente livro Outliers (Ed:Sextante) que chega ao Brasil em dezembro. Sua maior curiosidade era a de entender porque algumas pessoas fazem sucesso, são reconhecidas e outras não. No livro demonstra que todos os grandes gênios (como Bill Gates; Einstein; Pelé; Machado de Assis; Obama e Madona) levaram cerca de 10 anos para serem o que são. “O que são dez anos? Bem, é mais ou menos o que se leva para obter 10 mil horas de prática (cerca de 20 horas semanais). Dez mil horas é o número mágico da grandeza”.Mas, você pode indagar: quem tem condições de se dedicar 20 horas semanais a um projeto que lhe é caro? O autor responde que há, realmente, uma série de fatores que devem somar-se para a produção de um grande gênio. Ou seja “se não houver um entorno protetor e uma situação adequada, mesmo a pessoa mais genial pode ser tragada pela vida sem deixar vestígios”. Machado de Assis, por exemplo, era apaixonado por livros, quase foi demitido de seu cargo na Imprensa Nacional, por não parar de ler. Contou, para isso com a apoio da esposa Carolina, uma mulher compreensiva ao emprenho do marido à literatura. Pelé por sua vez contou com o incentivo do pai, centroavante profissional, para que desde cedo aperfeiçoasse a técnica e treinasse mais do que todos os seus colegas.
Bill Gates formou-se em caras escolas financiadas pelo pai, o mesmo aconteceu com Einstein, filho de um industrial e que teve amplo acesso à melhor educação européia. Moral da história: “Ninguém _nem o astro de rock, nem o atleta profissional, nem o bilionário do software, nem o gênio, chega lá sozinho”, segundo Gladwell.
>>>O que as pessoas geniais nos ensinam:
1) Não existe sucesso sem trabalho duro, por toda a vida,
2) O entorno é fundamental. Não existe sucesso sem apoio de um companheiro, da família ou de uma comunidade,
3) A adversidade na infância ou a noção de valor aprendida com pais austeros é presença constante na história de pessoas de sucesso. Mimados, ao que parece, não vão longe,
4) A prática que produz a excelência leva tempo. Antes de aparecer para o público a pessoa passa anos no anonimato, construindo,
5) Tenacidade. Pessoas que não se abatem com facilidade. Distinguem-se por seguir em frente apesar das (inevitáveis) decepções,
6) Conte com a sorte,
14/11/08
A cidade horizontal...
A cidade mais sonhada e etérea promete uma vida, sem entregá-la totalmente. Ela é tudo o que parece ser: há luzes que encantam nossos pequenos olhos e construções realizadas com uma única função: a de nos espantar ora pelos detalhes, ora pela grandiosidade. Mas, essa cidade não pode ser explicada por suas construções e pelas artes que concentra...como poderei te explicar?! Vou tentar...Uma moça anda lentamente de bicicleta na calçada. Suas pernas giram nesse pequeno esforço. No cesto leva várias cartas em envelopes caprichosos e coloridos. Imagino agora a letra, as palavras e a afetividade que só uma carta a mão poderia trazer. Agora ela atravessa a calçada, tomba a bicicleta em um poste e dirigi-se a uma feirinha de frutas, flores e queijos. A cena, agora a distância, mistura-se ao conjunto de prédios, pessoas e cores. Uma promessa de vida...
Os corredores radiais nos apresentam um “leque” de ruas para nos perder. E perder-se nessa cidade significa encontrar uma pequena loja de antiguidades, uma floricultura, um pequeno restaurante ou ainda ter de se desviar das charmosas mesinhas de um Café espalhadas na calçada. Há também sorveterias em que as bolas não são arremessadas agressivamente na casquinha, mas montadas com uma espátula a fim de formar, pétala a pétala, uma flor. Lá aprendi que bola de sorvete não tem que ser redonda...rs. Isso me fez perceber que nessa cidade nada é prático, nada combina com uma vida "fast food". Tudo dá trabalho, mas é esse trabalho que concede a todas as coisas corriqueiras uma aura. Como se o ritual de preparação delas fosse também a condição necessária de sua densidade sensível.
Assim, como explicar essa cidade em que o dia demora a raiar e há praças e esculturas que provocam uma sensação paradoxal: a de sermos pequenos e grandes. A primeira vista nos sentimos reduzidos diante de tantas construções e histórias memoráveis. Mas, em seguida, a cidade generosamente nos acolhe. Não que o faça por sua verticalidade amedrontadora, mas em seu horizonte impreciso, no que promete sem nunca dar. No que deixa incompleto, a brexa para o desejo. Abre para nós, no raiar tardio e inevitável desse horizonte, a possibilidade também de sermos grandes...
04/11/08
O piloto "Laboratório de Moda Brasil" é finalista no Festival Internacional de TV
O piloto Laboratório de Moda Brasil ficou entre os 7 finalistas finalista do IV Festival Internacional de Televisão 2008, na categoria entretenimento, concorrendo com 130 pilotos de todo o Brasil. O projeto idealizado por mim e pela designer Adrienne Rabelo (minha mãe) foi adaptado para ser uma série para a TV em parceria com a produtora de vídeo Cara de Cão/BHZ, com direção de Alfredo Alves. Para saber mais sobre o Festival Internacional de Televisão 2008 aqui
02/11/08
Projeto Laboratório de Moda Brasil - CIM 2008, Madri/Espanha
Autoras:
Isabelle Anchieta de Melo
Adrienne Rabelo Anchieta
Obs. 1> A animação acima foi criada pela brasileira que integra a equipe do museu do Traje, Angélica Santos. Ela documentou a apresentação e a divulgou em seu blog (mi-cajon.blogspot.com). Vale a pena visitar o blog da Angélica que, com colaboração de outros "cariocas espalhados pelo mundo", dá dicas generosas e singulares da moda e dos modos de vida na Europa.
oBS 2> O projeto "Laboratório de Moda Brasil" foi tb adapdato para se tornar uma série para a TV. Gravamos durante 2007/2008 um piloto que envolveu a participação de 11 estudantes de design, uma produtora de vídeo - Cara de Cão/BHZ - com direção de Alfredo Alves. Estamos negociando sua exibição com algumas emissoras, que sabe, em breve, o programa irá ao ar...
A função humanizadora da Moda - CIM 2008

> RESUMO DA PALESTRA DE ALFREDO CRUZ NO 1º CONGRESSO INTERNACIONAL DE MODA, em 23/10/08, Madri
ALFREDO CRUZ (filósofo espanhol)
Contrapondo-se a moda despótica o filósofo recorre ao mito de Narciso. Para ele se a moda olhar apenas para si mesma ela irá morrer; para que seja humana terá de olhar para o mundo e para o vivido. Critica o narcisimo tanto econômico como do processo de criação da moda (especialmente dos criadores fechados em seu mundo). Mas, aletra também para o perigo de entender a moda ética como uma moda a serviço de... A moda a serviço da paz, da pobreza, da política, da consciência. Para ele isso não é uma moda ética, já que ela torna-se um instrumento de uma causa que lhe é externa. A moda não deve servir a causas que lhe são exteriores já que a ética da moda reside em si mesma. O cultivo da moda, no sentido cultural é fundamental para a transcendência humana: a moda é algo verdadeiramente humano.
A moda e o luxo na era Hipermoderna - CIM 2008

>RESUMO DA PALESTRA DE LIPOVESTKY NO 1º CONGRESSO INTERNACIONAL DE MODA, em 22/10/08, Madri
GILLES LIPOVETSKY (filósofo francês)
Se gostou da discussão a dica é ler o livro: LIPOVETSKY, Gilles; ROUX, Elyette. O Luxo Eterno.São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
30/10/08
Primeiro Congresso Internacional de Moda em Madri - repercussão
Queria compartilhar também a repercussão da apresentação da segunda pesquisa selecionada para Congresso Internacional, em Madri, o projeto "Laboratório de Moda Brasil". Eu e minha mãe, a designer Adrienne Rabelo, ficamos entre os 10 pesquisadores escolhidos no mundo todo para apresentar o trabalho na programação oficial. Para nossa surpresa o trabalho repercutiu muito, as pessoas tiravam fotos dos slides e dos desenhos. Após a apresentação fomos convidadas por mais três Universidades (EUA, México e Espanha) para reapresentar o trabalho, legal, não!? Uma participante do Congresso, uma brasileira, Angélica da Silva, que hoje faz parte da equipe do museu do traje registrou toda a palestra e divulgou em seu blog na forma de slide (disponibilizei o slide tb no blog). Obs. A Angélica é uma pessoa super generosa e seu blog digno de atenção, compartilha junto com outros cariocas espalhados pelo mundo dicas preciosas sobre Moda e Modos de Vida na Europa, para quem quer dicas preciosas o site as oferece generosamente
02/10/08
O animal que voa com a cabeça

Fomos obrigados a voar com a cabeça. Diante do precipício das nossas limitações construímos pontes. Ultrapassar. Ir além do que nos torna banais. E se voar é fruto da superação de nossos limites e deficiências, isso torna-se ainda mais grave para aqueles ditos “fracos”.
Mas, os fracos de possibilidades, os não agraciados pelo destino que tem fome de vida e superação são os homens/mulheres que voam. Rastejam, desejam asas e voam. Uma potência que testa nossa paciência, nossa coragem, nossos limites. Cansa, mas há de restar sempre a fé no que se pode vir a ser. E, se só ela restar, toda a força pode ser restituída de uma só vez. Podemos perder tudo, nunca essa pequena chama, capaz de reacender todo o nosso ser.
Agora entendo a frase de Nietszche em que afirma que...“ se mais adiante, te faltarem todas as escadas, será preciso saberes trepar sobre a tua própria cabeça; senão como quererias subir mais alto?” (Nietzsche. AF.Z, P.122)
03/09/08
O belo na necessidade das coisas...

Há uma diferença sutil entre o belo e o tornar as coisas belas. O primeiro é; o segundo torna-se. E, é esse segundo movimento o que mais me fascina. Tornar as coisas belas é fazer dos objetos, das paisagens, dos gestos, dos outros fatos extraordinários em nosso cotidiano. Ritualizar a vida. Aprendi isso, com a mais dura realidade. Quando nos falta o tempo, as possibilidades temos de aprender a ver na vida mais do que obrigações e o feio. É preciso ver o belo na necessidade das coisas. Assim, com a “falta”, aprendi a colocar nas coisas mais banais um gosto incomum. Meus banhos têm cheiros, música e alegria. Meu café é feito vagarosamente até o cheiro contaminar toda a casa. Meus livros são saboreados com uma vibração incomum, cada página pode me provocar insônia (como quando li o “Niilismo europeu” de Nietzsche). Me alegro com suas palavras, pois produzem uma fé sem religião, uma fé em minha potência, no meu vir a ser, mesmo quando as vistas escurecem e o corpo tomba de cansaço – como agora. É preciso ter coragem e beleza para se viver. São as duas coisas fundamentais. Se morre quando não se pode mais lutar. E a vida só tem sentido na luta e na celebração.
Isabelle Anchieta
“Vou dizer qual é o pensamento que deve tornar-se a razão, a garantia da doçura de toda a minha vida! É aprender cada vez mais a ver o belo na necessidade das coisas: é assim que serei sempre daqueles que tornam as coisas belas. Amor fati: seja esse de agora em diante o meu amor. Não quero fazer guerra ao feio. Não quero acusar, nem mesmo os acusadores. Desviarei o meu olhar, será essa, de ora em diante, a minha única negação! Em uma palavra, não quero, a partir de hoje, ser outra coisa senão um afirmador” (Nietzsche, GC)
04/08/08
Curso da professora em parceria com o antropólogo Roberto DaMatta e a designer Adrienne Rabelo
A Moda brasileira e suas identidades Existe uma moda brasileira? Em um país multicultural não seria melhor dizer que existem “modas” no plural? Como podemos encontrar modas brasileiras e produzir produtos com identidade e valor agregado? São essas as questões que a designer e artista plástica Adrienne Rabelo e a pesquisadora e mestre em comunicação Isabelle Anchieta de Melo irão discutir. As mineiras são as brasileiras escolhidas para representar o Brasil no primeiro Congresso Internacional de Moda (CIM 2008) que acontece na Europa, em Madri. Elas desenvolveram um projeto denominado “Laboratório de Moda Brasil” que tem como desafio levantar as múltiplas identidades das modas no país.
Professores:
Roberto Damatta - Antropólogo, Ensaísta de Cultura, Professor Doutor da Universidade de Notre Dame (EUA), Doutor pelo Peaboy Museum, Harvard University (EUA). Foi pioneiro nos estudos de rituais e festivais em sociedades industriais, tendo investigado o Brasil como sociedade e sistema cultural por meio do carnaval, do futebol, da música, da comida, da cidadania, da mulher, da morte, do jogo do bicho e das categorias de tempo e espaço. Considerado um dos grandes nomes das Ciências Sociais brasileiras, DaMatta é autor de diversas obras de referência na Antropologia, Sociologia e Ciência Política, como Carnavais, Malandros e Heróis, A casa e a rua ou O que faz o brasil, Brasil?.
Adrienne Rabelo - Design e consultora de moda, formada em Belas Artes pela UFMG e com curso de estilismo pelo estúdio Berçot/Marie Rucki de Paris. A design foi premiada por suas criações nos concursos Santista de estilismo e Smirnoff Internacional. Foi coordenadora de moda da Indústria têxtil Ferreira Guimarães e gerente do Moda Tec Fiemg (Federação das Industrias de Minas Gerais). Realiza pesquisas periódicas de tendências e oferece consultorias e palestras para várias empresas. É professora universitária de design de moda e desenvolve uma linha de acessórios que leva o seu nome e que reúne tecnologia com o feito a mão. Produzindo formas e modelagens originais suas bolsas foram selecionadas e expostas no encontro Brasil/França na Galerie Lafayette em 2005.
Isabelle Anchieta - Jornalista, mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É pesquisadora pela UFMG, no grupo "Jornalismo, Cognição e Realidade" (JR), que tem como objetivo sistematizar, contextualizar e analisar as Teorias do Jornalismo. Foi apresentadora e editora do jornal da Rede Globo em Minas Gerais. Repórter de documentários especiais pela TV Cultura (Rede Minas de Televisão). É professora de Teorias da Comunicação; de Estudos Avançados em Comunicação e Teorias do Jornalismo no Centro Universitário Newton Paiva.
>>Mais informações no site da Academia de Idéias: http://www.academiadeideias.com/index.asp
08/07/08
Reportagem no jornal Estado de Minas sobre projetos da professora no 1º Congresso Internacional na Europa
02/07/08
NoivaS do Cordeiro: uma história real de preconceito e solidariedade entre mulheres de uma comunidade rural de Minas Gerais
Mais de 200 mulheres unidas por um sentido de vida coletiva que está além de qualquer formalismo, ideal político ou religioso. Um estar junto alicerçado em sentimentos raros e incomuns nos dias de hoje: o respeito mútuo; a solidariedade e essa palavra de luxo, o amor. Vivem em uma comunidade rural, tão perto e tão longe de Belo Horizonte: Noiva do Cordeiro, em Belo Vale, região Central de Minas, a 100 km da capital mineira.Mas, essa vida organizada pelo “amor” tornou-se (sem que tivessem essa intenção) um modo revolucionário de se viver. Estas mulheres incomodaram profundamente pessoas habituadas as regras, aos dogmas, a desconfiança, a violência e ao desamor. Tanto que a comunidade que surgiu no sec. XIX foi por muito tempo isolada de outras pelo preconceito. Taxadas de prostitutas e com o agravante de não adotarem o catolicismo como religião e o casamento como regra elas sofreram, injustamente, uma série de constrangimentos.
No entanto, enganam-se os que acreditam na ingenuidade das “moças da roça”; articuladas e sabedoras de seus direitos essas belas mulheres viraram o jogo. Criaram uma associação; receberam a primeira escola de informática da zona rural de MG e hoje vendem os produtos artesanais que fabricam para lojas da região.
Quem "deu a ver" essa história foi o jornalista Gustavo Werneck em reportagem para o jornal Estado de Minas. Dela tomou conhecimento um colega e grande diretor de TV Alfredo Alves. Sensibilizado Alfredo resolveu contar a história dessas mulheres em um vídeo que foi ao ar pela GNT no dia 26/06/08. Um documentário que concilia um apurado senso estético e poético em sua edição, narração da escritora Lya Luft e depoimentos que nos fazem repensar o modo de vida que adotamos viver.
>>>>Para assistir parte do documentário clique aqui
20/06/08
A vida não pára : a vida é tão rara
Eis a grande confusão, a grande ansiedade com a passagem do tempo, misturada a uma perda irreparável. Ansiedade por não ter se tornado ainda o que se pode ser e por, ao mesmo tempo, esgotar o tempo das coisas fundamentais nessa busca. A falta com as pessoas que amamos, a falta conosco. Assim, se por um lado não nos é dado o espaço de parar, não sobra para viver, ser, estar. Se não nos movimentamos as coisas não nos chegam e se não paramos perdemos coisas fundamentais, raras. É preciso também de um sorriso, de um toque de quem amamos. Do corpo entregue, da mente livre. Esse tempo irreparável. Essa alegria que nos escapa a cada instante.
Há outro inquietante elemento: o da tragicidade de viver. No sentido de que nunca teremos a certeza de que estamos trilhando o caminho certo e, por isso, ele, o caminho em que estamos sempre tornar-se uma questão. A contradição agrava-se, pois agora nos perguntamos se a pressa para chegar nesse “algum lugar” faz sentido. Guimarães Rosa dizia que não, que o movimento que prossegue nunca chega ao fim, pois “o rio não quer chegar a lugar algum, só quer ser mais profundo”. Acho esse pensamento de uma sabedoria da qual ainda não compartilho o conforto, já que não me acalma. Prefiro a resposta despretenciosa de um amigo que me disse: “o caminho certo é aquele que você está nele”. Isso me acalmou, pois revelou primeiro que não existe caminho certo e segundo que o caminho certo se faz ao caminhar e que não há outro a seguir a não ser o que se está nele. Mas, mesmo assim, continua a angústia, o não saber, a tragicidade (na qual Nietzsche viu tanta beleza).
Continua a questão, pois ela é de natureza insolúvel. Não há visionário que possa traçar essa tão frágil e instável linha. Eis o grande peso de viver e decidir em busca do equilíbrio na leveza necessária.
09/06/08
Sobre amar
30/04/08
Pesquisa da professora sobre a imagem da mulher no sec.XXI é reconhecida na Europa
Qual é a imagem pública da mulher contemporânea? Quais foram às imagens anteriores que proporcionaram o aparecimento dessa nova? A mulher conquistou uma imagem social emancipada, capaz de possibilitar a experiência da singularidade? Essas são as questões da pesquisa que desenvolvo há um ano*. Para minha satisfação e surpresa fui convidada para apresentar essa pesquisa em Madri, no primeiro Congresso Internacional de Moda da Europa (que acontecerá em outubro). O evento reunirá grandes nomes e conta com a participação do autor que inspirou a pesquisa, o filósofo francês Gilles Lipovetsky, autor dos livros “O Império do Efêmero”; “A Terceira Mulher” e “O Luxo Eterno” .Analisei mais de 200 imagens desde a pré-história; passando pela Grécia, Idade Média; Renascimento; Modernidade até chegar as propagandas na pós-modernidade. Denominei de “quarta mulher”, a mulher do século XXI que passou por uma série de fases até conquistar uma imagem pública, social e midiática emancipada. Primeiro analisei as imagens de valor místico da pré-história; diabólicas da tradição grega e cristã; maternais e etéreas do Renascimento; ingênuas e manipuláveis representadas pelas Pin-ups americanas e magra e eficiente, representada pelas manequins do séc. XX na sociedade capitalista. E, se por um lado constata-se que a mulher do séc. XX consegue, pela primeira vez na História, constituir um imaginário distante das imposições masculinas, por outro, a sociedade Capitalista cria uma nova série de auto-coerções e controles patológicos. Ser magra; estar na moda; ser bem sucedida e boa mãe. Há agora um acúmulo de condutas eficientes que tornam-se um peso para a mulher, gerando ansiedade, depressão e frustração. E, é a tomada de consciência dessa contradição, que constitui o que denomino “A Quarta Mulher”. Ela nasce da crítica e da constituição de um novo comportamento, mais flexível e respeitoso com as diferenças raciais; estéticas; espirituais; étnicas; culturais e pessoais das mulheres. Trata-se de uma mulher que respeita suas limitações e amplia o conceito de beleza e de realização pessoal para além da aparência física.
19/04/08
Boas notícias no jornalismo: como fazer do cinismo jornalístico um ceticismo criativo
Foto: Jonas Bendiksen, MagnumVale lembrar, aqui, que o “elogio” é uma modalidade da crítica. Esquecido pelos intelectuais brasileiros (e assumido, corajosamente, pelos europeus[1]) o elogio é tido como ingênuo, superficial e comprometido. Assim, quando uma reportagem fala de algo “bom” no Brasil ela é taxada de “publicitária” recebendo uma desconfiança generalizada. Não damos espaço, nem os jornalistas, nem o público dito “crítico” para uma “crítica” no sentido forte. Pois, defendo que apenas quando as coisas positivas tem espaço de emergir, mesmo que no campo das possibilidades (do vir a ser) que efetivamente produzimos a mobilização individual e coletiva. Assim, mesmo um fato negativo pode ser abordado por uma positividade. A jornalista Judy Foster relembra uma reportagem em que tal inversão foi feita:
"Um jornalista de NY foi cobrir um fato em que um homem ateou fogo contra o próprio corpo. Quando chegou ao local procurou a esposa para entrevistá-la. E, para seu constrangimento, ela pediu que não publicasse a matéria, pois não queria que seu marido fosse conhecido como o homem que colocou fogo no próprio corpo. O jornalista, comovido com o pedido, perguntou a ela: como gostaria que seu marido fosse lembrado? Após a pergunta a mulher mudou a feição e começou a relatar ao jornalista o homem maravilhoso, pai e esposo que era seu marido. Revelou a ele que seu marido havia descoberto que tinha uma doença degenerativa e que, por isso, havia cometido o ato extremo. O jornalista, então, escreveu a matéria. E, ao invés de reduzir a notícia a negatividade ele recontou a história da esposa e dos vizinhos. Descreveu a vida daquele homem e o carinho que as pessoas tinham por ele para, desse ponto, revelar as motivações para o ato extremo e seu desfecho".
[1] Das reflexões de europeus célebres destacamos: “O Elogio da Loucura” de Erasmo de Roterdam; “Um elogio do Ensaio” de Albert Camus; “O elogio do Ócio” de Bertrand Russell; “O elogio da razão sensível” de Michel Maffesoli; “Do desespero silencioso ao elogio do amor”, de Soren Kierkgaard; entre outros elogios.
OBS. VOU PUBLICAR O ARTIGO NA íNTEGRA, POSTERIORMENTE > SE INTERESSAREM-se PELA DISCUSSÃO ME DIGAM...
04/04/08
Professora participou de debate sobre a Lei de Imprensa no programa Rede Mídia

"A mídia reagiu e o Congresso reacendeu um debate sepultado havia mais de 10 anos. Afinal, precisamos de uma lei de imprensa? Para que serve esta lei? Por que este debate interessa diretamente a cada cidadão brasileiro?
No dia do jornalista, que se comemora neste segunda, 7 de abril, a lei de imprensa é o tema do programa Rede Mídia, que entrevista o jornalista Dídimo Paiva e a professora Isabelle Anchieta de Melo.
O programa é ancorado pelo jornalista José Eduardo Gonçalves e vai ao ar as 9 e 30 da noite, com reapresentação no domingo, as 8 da noite".
SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO> ARTIGO "Por que a Lei de Imprensa é importante para os jornalistas e para a sociedade" (Observatório da Imprensa)
31/03/08
Quem disse que a Indústria Cultural não é arte?

Para saber mais sobre a exposição Gringo Cardia...
27/03/08
Glória Reis: a professora que incomodou a Justiça
((Revista Época, de 17 de março de 2008, edição: 513))
Por Ruth de Aquino
"Poucos a conheciam até que ela foi condenada a quatro meses de prisão por difamar um juiz. Professora estadual aposentada, Glória se dedica a atender, como voluntária, "adolescentes em situação de risco social". E edita desde 2001 um pequeno jornal em que os presos de Leopoldina, Minas Gerais, escrevem artigos. O crime de Glória foi escrever um editorial contra as péssimas condições da cadeia pública da cidade e a negligência de juízes e advogados."
LEIA A REPORTAGEM COMPLETA
BLOG DO JORNAL RECOMEÇO
15/03/08
Comentário em vídeo sobre o evento "As Tramas do Contemporâneo" (Itaú Cultural)
Inauguro, com o vídeo acima, a experiência de comentários de livros, palestras e assuntos da atualidade neste suporte. A idéia surgiu das minhas visitas ao blog do professor de Portugal Rogério Santos.
Inicio com a análise crítica das palestras do evento "As Tramas do Contemporâneo", realizado pelo Itaú Cultural no início do mês de março em São Paulo. O evento contou com a participação de quatro professores da USP: Franklin Leopoldo e Silva; Renato Mezan; José Miguel Wisnik e Teixeira Coelho.
Das questões levantadas no vídeo temos: O que é o Contemporâneo? O que são as tramas da vida moderna e como nós, sujeitos, transitamos por elas? Confira e comente...
Atenciosamente,
10/03/08
Sobre a Mulher
28/02/08
Convite para assistir o evento "As Tramas do Contemporâneo" (Itaú Cultural)

Os debates vão ser transmitidos, às 19:30h, ao vivo e direto da Sala Itaú Cultural, pelo site do www.itaucultural.org.br.
23/02/08
Porque a Lei de Informação é importante para os jornalistas e para a sociedade
PARA SABER QUAIS SÃO OS ARTIGOS SUSPENSOS E CONTINUAR A LER O TEXTO ACESSE...
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=474CID004
13/02/08
Com quantos "nãos" se faz um "sim"

Cada vez mais me convenço de que o segredo do sucesso está em uma obstinada persistência, apesar de todos os fatores externos apontarem, negativamente, no sentido de continuar. E, olha que isso não é fácil, requer uma solidão e uma fé de que poucos são capazes. É esse passo para frente onde todos param que define quem é quem. O que distingue os que suportam as mais adversas situações e que se arriscam no escuro quando nada parece indicar favoravelmente. Uma espécie de Tuaregues. Essa imagem é mesmo apropriada, pois para quem não sabe, os Tuaregues são um grupo étnico da região do Sahara e podem ser encontrados em todas as partes do deserto. A palavra árabe "Tuareg" significa "abandonados pelos deuses” ou ainda Imouhar(en), Imashagen "os livres". Essa sensação de abandono, de que não há nenhum plano de transcendência além da existência se dá não as custas de um ateísmo, mas de um novo tipo de fé, uma que independe de credo, mas que só pode emergir do próprio sujeito. Eis porque os abandonados por Deus são também os Livres. Pois, ser livre “é ser indiferente às amarguras, as asperezas, as privações, à própria vida; é estar pronto a sacrificar tudo, sem sacrificar a si mesmo. Liberdade significa o instinto alegre de guerra e de vitória” (Nietzsche, p. 89, CI).
A vida, portanto, é luta. E, tal frase, não é uma mera expressão vazia, mas repleta de uma significativa verdade. Pois, afirma que não podemos parar, que não nos é dado o direito de recuar e que sempre estaremos diante de novos e renovados desafios. Somos seres em estado de alerta, em movimento e a vida nos convida a embates diários.
Assim, defendo, aqui, que a seqüência de “nãos” ou de lutas perdidas são necessárias. Tornam a mão calejada e o espírito atrevido. Quanto mais ao limite for levado o sujeito e com quanto mais gana mantiver-se de pé, sem sucumbir, mais forte torna-se. O que significa contrariar toda a filosofia darwinista que parte do pressuposto que só os fortes sobrevivem. Errado! Só os fracos e obstinados pela força sobrevivem. São os fracos os que se tornam os fortes, pois quem acostumou-se a plenitude da vida é facilmente atingido por um golpe, enquanto o fraco habituou-se as lutas, ao perigo. E, ele, o perigo, "é o único que nos leva a conhecer nossos recursos, nossas virtudes, nossos meios de defesa, nosso espírito – que nos obriga a ser fortes... Primeiro princípio: é preciso ter necessidade de ser forte, caso contrário, nunca se chega a sê-lo” (Nietzsche, p. 89, CI).
É nesse sentido, em que se entende a vida como uma infindável conquista que nos exige a maior força no momento de maior fraqueza, que podemos afirmar que “a guerra educa para a liberdade”
Isabelle Anchieta
31/01/08

Recomeçar. O rito de passagem é muito significativo, pois nos coloca em contato com a nossa consciência, com a nossa capacidade reflexiva. Comecei com a frase de Sartre, do livro O Existencialismo é um humanismo, para lembrarmos da responsabilidade que temos na construção da nossa trajetória. A cada instante somos convocados a nos inventar. Disse Ponge em um belo artigo que “o homem é o futuro do homem”.
11/12/07
Jornalismo cultural: por uma formação que produza o encontro da clareza do jornalismo com a densidade e a complexidade da cultura
TRECHO DO ARTIGO SELECIONADO PELO PRÊMIO RUMOS ITAÚ CULTURAL http://www.itaucultural.org.br/rumos2007/pdf_jornalismo/Isabelle%20Anchieta%20de%20Melo.pdf
Atenciosamente,
26/11/07
A Quarta Mulher
19/10/07
Professora vence prêmio nacional “Rumos” Itaú Cultural com artigo sobre Jornalismo Cultural

É com muita alegria que compartilho com vocês ( alunos; colegas; amigos e familiares) a notícia que fui agraciada com o prêmio Rumos 2007/2008, Itaú Cultural na categoria professor universitário. Foram 238 inscritos e, desses, 9 professores do Brasil foram selecionados – sendo eu a mais jovem a ganhar o prêmio.
Fizeram parte da comissão que premiou o artigo: o representante da SBPJor (Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo), o doutor e jornalista Antônio Holfeld; a representante do FNPJ (Fórum Nacional de Professores de Jornalismo), a doutora em Comunicação, Sandra de Deus e o jornalista e gerente do Núcleo de Diálogos do Itaú Cultural, Claudiney Ferreira. O "Rumos Itaú Cultural" é um dos mais abrangentes programas de estímulo à produção artística e cultural do Brasil. Pioneiro no mapeamento da produção artística contemporânea, já apoiou o desenvolvimento de 457 projetos em Artes Visuais, Cinema e Vídeo, Música, Dança, Literatura, Mídia Arte, Literatura-Audioficções e Jornalismo Cultural. Desde a sua criação, em 1997, até hoje, levou a obra de mais de 750 artistas a cerca de 1,5 milhão de pessoas.
O título do artigo que escrevi é “Jornalismo Cultural: por uma formação que produza o encontro da clareza do jornalismo com a densidade e complexidade da cultura”. Nele, defendi que é preciso entender o jornalismo cultural para além da crítica da Indústria Cultural, tratando sem preconceito seus produtos (novelas, reality shows, séries e etc.) e para além de uma visão muito generalista do que é cultura. Defini, assim, o jornalismo cultural como aquele capaz de compreender e comunicar a força e a complexidade das obras culturais de forma reflexiva, simples e ampla. O artigo será publicado, posteriormente, no site do Itaú Cultural e divulgo quando estiver no ar.
Vou para São Paulo em dezembro para receber a premiação que inclui a publicação do artigo e a participação mensal, durante 2008, de fóruns virtuais sobre o tema.
Estou, como imaginam, muito feliz pelo reconhecimento da produção intelectual. Feliz, por ser este um sinal que meus desafios não foram em vão e que certas circunstâncias difíceis não podem nos desviar do que temos de mais potente e verdadeiro.
Quero dividir essa alegria com todos os amigos e alunos a que tenho profundo respeito para sentir esse momento com toda a intensidade e “pedaço de eternidade” a que temos direito em bons momentos.
16/10/07
"Jornalistas: iluminem a vida das pessoas com o jornalismo"
Escrevi o texto que se segue em 2005, na ocasião da palestra da jornalista mineira Leila Ferreira em Divinópolis. No entanto, relendo-o, percebi o quanto ainda é atual para pensarmos o jornalismo e sua força. Vale para nós, jornalistas, termos a dimensão do valor da nossa função para a sociedade... Foto: Antônio Gaudério
"Entrevistar com a alma é mais bonito do que entrevistar com as técnicas do jornalismo". Essa foi uma das reflexões deixadas pela jornalista Leila Ferreira durante a palestra na 5ª Semana da Comunicação da Fadom, no dia 03 de outubro de 2005. Com a frase a jornalista resumiu bem o tom de suas entrevistas: que estão mais para uma conversa informal; do que de uma inquirição jornalística. O que não deve ser entendido, no entanto, como falta de cuidado e pesquisa sobre o entrevistado e o assunto. "Preparem-se muito para a entrevista. Se não conseguir ler todos os livros e pesquisar muito sobre o entrevistado, prefira cancelar a entrevista. Mas, na hora que começar o diálogo: esqueçam as regras. Sejam espontâneos. Semeiem bem a terra, mas na hora de plantar joguem as sementes para o alto".
Para a jornalista a pior entrevista não é com uma pessoa monossilábica ou que fale muito; mas é a que é feita sem sinceridade, com o discurso pronto. "São pessoas que parecem olhar o horizonte. Se perguntarem se a jornalista que a entrevistou há cinco minutos, era loira, morena ou ruiva, não saberá dizer".
Apesar de já ter entrevistado celebridades como Ronaldinho; Suzana Vieira entre outros, Leila Ferreira não esconde sua preferência pelos anônimos. "Adoro as prostitutas, ainda mais as convictas. Elas não têm falsa moral e nos dão grandes lições para a vida". Lembra de uma em especial: Cleide de Oliveira. Uma artesã que decidiu prostituir-se com o consentimento do marido para sustentar a família. Vendo o sofrimento de outras mulheres na rua, saiu em defesa dos seus direitos. "São mulheres que fazem programas por dois reais para poderem comer". A jornalista disse que, aparentemente, poderia se sentir superior àquela mulher: "tenho uma pós-graduação, não sou prostituta", mas que - ao conhecer sua história de vida - se sentiu infinitamente menor que a entrevistada. Lembrou também alguns episódios engraçados da sua carreira - trajetória essa onde teve a oportunidade de entrevistar mais de mil e seiscentas pessoas. Um desses episódios que nomeia de "saias justas" foi com a da filha de um político mineiro, que foi "substituir" o pai na entrevista. "Foi a primeira vez que conheci uma suplente de entrevistado", brincou Leila. Ou ainda, de outro político que se recusou a se separar do celular durante a entrevista.
Mas, para Leila, os episódios insólitos e a falta de gentileza de alguns de seus entrevistados com ela e sua equipe, ficam pequenos diante de pessoas que deixam grandes lições de humanidade e humildade. São esses os entrevistados que, segundo ela, constituem um jornalismo que transcende a factualidade. "Estas pessoas vão tecendo uma rede de valores que nos ensinam muito. Se não fosse pelo jornalismo não aprenderia tudo isso", reafirmou Leila.
Falando das emissoras que trabalhou Leila Ferreira quebrou dois grandes imaginários sobre o jornalismo: o primeiro de que o jornalismo está apenas nos fatos diários e o segundo, o de se trabalhar na Rede Globo de Televisão. "Quando voltei de férias me deram a pauta do MGTV: compra e venda de automóveis usados. Pensei: - não quero saber quem compra e vende carros usados; isso não me interessa. Eu não quero mais entender como funciona o estelionato, não é isso". E foi em uma de suas viagens de férias, quando observava os vulcões e a beleza de um pôr do sol que concluiu: "o globo é muito maior que a Globo". Foi quando disse ter decidido sair da emissora, mesmo que isso lhe custasse abandonar um emprego desejado por vários jornalistas e de não ter mais sua estabilidade financeira garantida. Mesmo "remando contra a maré", como mesmo definiu; Leila garante ter feito a escolha certa - apesar de enfatizar o carinho pela casa e pelos colegas.
Na Rede Minas - onde trabalha atualmente - e no SBT, a jornalista diz ter encontrado a liberdade editorial que precisava para se "sentir feliz" (critério que diz ser o mais importante nas decisões da vida); realizando, nessas emissoras, o programa Leila Entrevista. "Acreditei que aquele era o momento do meu encontro profissional". E continuou "eu não sou a Ana Paula Padrão, a Fátima, não tenho cabelo liso, se não puder fazer entrevistas como quem conversa na cozinha simples de uma casa de Araxá; prefiro não fazer". E aconselhou os estudantes de jornalismo: "nunca pensem em fazer o que o coração de vocês não pedir. Escolher uma profissão tendo como critério o mercado e o emprego é como se casar por conveniência, por dinheiro, depois de seis meses não conseguimos ver a cara da pessoa, não a suportamos mais".
Defendendo a autenticidade tanto na vida profissional quanto na vida pessoal Leila lamenta estarmos vivemos uma cultura de aparências; onde as pessoas perderam o sentido verdadeiro da existência. "A vida é muito simples, não é o champanhe e banheira na Ilha de Caras - não. Por favor, não deixem que vendam esse modelo de vida para vocês. A vida é bem menos e bem mais que isso". Uma cultura que, segundo ela, impõe falsos valores e aparências. "Querem que sejamos mais magros do que somos, mais felizes do que realmente somos, mais seguros do que damos conta de ser". Lembrando uma das lições deixadas por um de seus entrevistados, o cantor Lobão, disse: "A pior solidão que existe é ser amado pelo que você não é".
Para finalizar lembrou de um episódio de sua vida que a marcou muito. Quando foi morar por um ano em Londres para fazer seu Mestrado, Leila se viu diante de uma difícil decisão. Sua mãe - a quem havia se comprometido a escrever uma carta por semana - aguardava, por contagem regressiva, sua volta. Foi quando, nas vésperas de seu retorno ao Brasil, fez um teste na BBC de Londres (um dos canais de TV mais respeitados de jornalismo no mundo) e - passou. Com a oportunidade, teria de prolongar sua estadia na capital inglesa, o que sua mãe nem sequer imaginava. Foi quando recebeu mais uma de suas cartas. Nela a mãe de Leila dizia estar ansiosa por seu retorno - sem imaginar o dilema profissional e pessoal que Leila vivia. Na carta a mãe, se vendo impotente diante de sua condição financeira (de não poder recebê-la com um presente digno para a ocasião) é que teve a idéia de pintar a fachada da casa de branco; apenas a fachada - já que não teria condições de pintar a casa toda. A razão de tal iniciativa? Segundo as palavras de sua mãe: - para iluminar a sua chegada! Depois da carta Leila retornou imediatamente ao Brasil. Para concluir Leila transferiu e dividiu com os jornalistas a grande lição de sua mãe: "prefiram ao lápis, papel e microfones, o pincel e as telas em branco. Façam isso através do jornalismo: iluminem a vida das pessoas"
06/10/07
O jornalismo colaborativo não ameaça a profissão do jornalista
Mais do que o fim do jornalismo vamos assistir a sua consolidação e valorização na organização e seleção de acontecimentos publicamente relevantes.
PARA LER O ARTIGO COMPLETO ACESSE ...
http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D39503%26Editoria%3D237%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D4929022849%26fnt%3Dfntnl
26/09/07
O olhar do outro
Ser reconhecido. Admirado. Respeitado. E, porque não, amado. Somos, antes de tudo, sujeitos em relação. Sujeitos unidos a outros sujeitos. E a vida não é, senão, fruto desses encontros e desencontros. Até mesmo a imagem que temos de nós mesmos é constituída nessas interações. Assim, não faz sentido em estabelecer a divisão entre a subjetividade (a idéia do eu isolado); muito menos em acreditar em uma pura objetividade ( a idéia de que os objetos possuem autonomia e que não sofrem interferências do nosso modo de olhar e agir sobre eles). Aqui, o mais correto seria definir uma relação dialética: a intersujetividade. Uma relação que não separa mais sujeito e objeto ou sujeito de outros sujeitos. Somos fruto das experiências e das relações. O que não implica que estejamos sujeitados a elas, já que também interferimos nas coisas e nas pessoas. Trata-se de uma troca e não de uma imposição. Trata-se de um diálogo e não de um monólogo.É por isso que “ o pedido de reconhecimento é necessariamente um combate; e visto que, para os homens, o reconhecimento é um valor superior a vida, trata-se de uma luta de vida ou morte (TODOROV, 1996,p.34).
Portanto, ser reconhecido pelo outro é mais do que uma vaidade é nosso sentido. È o que nos fundamenta como pessoa. Tanto que o romancista Milan Kundera diz que o olhar do outro é antes uma necessidade. “Todos nós temos a necessidade de sermos olhados”. E, essa necessidade adquire formas surpreendentes. Kundera chega a classificar 4 necessidades de olhares. São olhares diferentes em que queremos ser reconhecidos, demandas essas que se encaixam a diferentes pessoas. São eles:
1) O olhar do público – “o olhar de um número infinito de pessoas anônimas”
2) O olhar familiar – “são os incansáveis organizadores de coquetéis e jantares que sempre conseguem arrumar quem as olhe, mais felizes que a primeira categoria, que quando perdem seu público imaginam que a luz de suas vidas apagou-se”
3) O olhar do ser amado – “a situação dessas pessoas é tão perigosa quanto a daquelas da primeira categoria. Basta que os olhos do ser amado se fechem para se sentirem na escuridão”
4) Olhar imaginário dos ausentes – “a mais rara, a daqueles que vivem sob o olhar imaginários dos ausentes. São os sonhadores” (KUNDERA. p.271,272, 1985)
01/09/07
“Fazer de cada ação diária uma que, se pudéssemos, se repetiria eternamente”
Foto: Cristiano MascaroO “eterno retorno ético” de Nietzsche contra a “economia da salvação” de Marx e contra o “imperativo categórico” de Kant
A frase do título, dita pelo professor de Filosofia Oswlado Giacoia Júnior, dentro do ciclo de Conferência Mutações (30/08), resume a formulação nietzschiana sobre o “eterno retorno ético”. Trata-se da idéia de não mais responsabilizarmos ninguém por nossas ações, mas de assumir nossa própria vida, tomá-la nas mãos - sem os subterfúgios de crenças e valores morais socialmente dados. Assumí-la de tal forma, que poderíamos quere-la eternamente. Cada ato nosso seria desejado e feito com tal vontade, com tal querer, que desejaríamos sua repetição eterna. Essa é a grande responsabilidade para conosco: a de fazer de cada ato um que poderia ser eterno. Isso, para o professor de Giacoia “é mais importante do que qualquer imperativo categórico de Kant”. Imperativo, esse, que acreditava que cada ação nossa deveria ter um valor universal – o que, por fim, acaba por constituir uma ação moral e não ética - no sentido que a moral orienta-se por valores socialmente constituídos e a ética pela autodeterminação do sujeito. Nietzsche não é moral, diz-se até ser imoral (característica que, segundo ele, pertence aos espíritos livres). Imoral, para ele, no sentido de não se guiar por nenhuma crença, nenhum partido ou “valor superior” estabelecido pelo poder e pela sociedade. Trata-se de uma atitude de autodeterminação que nega qualquer “economia da salvação”, no sentido de uma crença em algo que nos conforta e proteje. Chama de "economia da salvação" um ideal que acredita em um “por vir”, uma promessa de salvação e de sentido para a vida em um futuro que nunca chega - o que não é apenas uma exclusividade da religião - mas, está presente na política e na economia. E é Marx o representante da cristalização desse ideal que é, ao contrário do que queria, um ideal alienante, no sentido em que faz crer que há uma ordem sistêmica e desigual (gerando um ódio maniqueísta e simplificador entre as diferenças e classes sociais) e promete algo para um "futuro revolucionário". Nietzsche, ao contrário tem uma postura existencial que renuncia a um consolo metafísico. Para ele, não resta outro plano de existência, além do plano da existência. E, isso, ao contrário de ser um fatalismo, é motivo de grande alegria e festa. Trata-se de perceber a beleza da vida, de tudo que nos cerca. Trata-se de tomar em suas mãos uma dimensão da finitude e da beleza insubordinada e trágica da existência. Sem medo e sem recuo. Não se seduzir nem pelo nojo e nem pela compaixão de si, do outro e da vida. Trata-se de assumir uma postura artística, pois só faz sentido viver se a vida for uma obra de arte em que, não poderíamos prescindir de uma só nota nessa sinfonia, mesmo a mais grave. E para finalizar o professor lembra uma bela frase do alemão que diz que os gregos descobriram a chave da vida, por serem “superficiais por profundidade”. E termina afirmando “ser superficial é muito sério, o resto é patifaria”. Genial!
16/08/07
Uma crítica ao “Segredo”
25/07/07
Uma grande lição para sermos e respeitarmos o que somos

Eis a grande lição da escritora. Ser o que se é talvez seja o que justifica uma vida. Manter suas convicções apesar de... Manter os seus desejos apesar de... Manter suas escolhas apesar de... Este é o desafio que nos é posto a todo momento. Cada adversário, cada amigo e familiar que aconselha a desviar a rota da nossa vontade íntima. Cada situação que nos testa e cada tirano que quer apaziguar nossa luta e domesticar nossas verdades tão incomodas. Cada relação afetiva que priva nossa liberdade e nossos sonhos, que desrespeita o que temos de mais espontâneo e alegre.
Dizer não! Para enfim, afirmar sua própria vida. Dizer sim a si próprio. Trata-se de um ato de coragem, de resistência e autenticidade. Assumir a responsabilidade, a condução, os erros e saber que as conquistas são suas. Eis a grande recompensa de uma vida, saber que ela foi vivida com autonomia, independência e verdade. Eis o grande objetivo de todos: vivermos o que somos, sem constrangimentos e com o respeito das pessoas. E respeitar não é concordar sempre, mas
compreender apesar das diferenças. Uma atitude tolerante e solidária com o outro e automaticamente consigo que passa a ter o mesmo direito perante o outro. Eis a grandeza do respeito - a solidariedade em deixar que outro seja o que é, apesar de...Por isso, façamos esse pacto de respeito uns com os outros.
E, para finaliza, mais lições de Clarice....
"Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia — será punida e irá para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Isso seria uma lição para mim. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade de alma" . Tua Clarice.
09/07/07
Entusiasmo: o sentimento mais precioso que há
Porque sem o entusiasmo todas as coisas perdem viço, beleza e sentido. Não há nada capaz de tocar e comover uma pessoa que não possua entusiasmo na maneira de ver o mundo. Nem a natureza, nem o dinheiro, nem o sentimento do outro, nem as realizações profissionais. Pois, quando falta o entusiasmo nessas coisas é como se faltasse a celebração e a alegria em conquistá-las.O entusiasmo, palavra de origem grega, tem um sentido muito delicado que é: “ter Deus dentro de si”. Não se trata de um Deus unitário e soberano, já que os próprios gregos acreditavam que existiam múltiplas formas de Deus se manifestar (politeísmo). Mas, um Deus que é sinônimo do que temos de mais soberano e transcendente. Ter Deus em nós é como compartilhar toda a beleza, toda a alegria, a tristeza, a grandeza e os precipícios que compõem a vida. Uma espécie de natureza singular que contém o universal e o particular. Ter Deus. Ter vida: em toda sua contradição e força.
Por isso, entusiasmo não é sinônimo de otimismo. Ser otimista é esperar que as coisas dêem certo. Uma espécie de "espera feliz". O entusiasmo não é uma espera, mas uma ação. Ser entusiasmado é comover-se com todas as coisas, ver em todas elas um potencial. E, acima de tudo, ser entusiasmado é acreditar em sua própria potência e força. Uma espécie de "coragem alegre" em acreditar na vida e acima de tudo em acreditar em si próprio. Na força transformadora e efetiva dos seus sonhos.
Entusiasmar-se é ser tomado pela vida e por ela comover-se e mover-se.
01/07/07
"Diga-me o que tu lês e te direi quem és"
Na verdade, sempre fui fascinada pela compreensão de que as coisas não devem ser separadas de forma maniqueísta. O que acredito ter me aproximado tanto do filósofo alemão Friedrich Nieztsche. E, é preciso dizer: a filosofia de Nietszche é libertadora. Ela afirma o homem no que possui de mais degradante e sublime. Incondicional. Uma filosofia profundamente amorosa com tudo o que é humano, contraditório, trágico, insubordinado, instintivo e sensorial na experiência. Compreende o humano, o demasiadamente humano e encontra mesmo no peso, a leveza da vida. Na doença, defendeu a grande saúde. E declara, ante a absurdidade de sua história: “A vida tornou-se-me leve, a mais leve, quando exigiu de mim o mais pesado” (NIETZSCHE, p.51, 1995 ECCE). Ante o pior, não viu somente a face de sua cura, aquilo que a tornaria ainda mais intensa e prazerosa. Cada momento de saúde só poderia ser assim compreendido por ter sido antecedido pelos piores momentos da doença. E, como ninguém acreditou que esse homem, não idealizado, que estaria diante de suas limitações e perplexo diante das falsas crenças ideológicas e religiosas, poderia, enfim, afirmar a vida como um espírito livre. Um espírito capaz de contemplar a adversidade da vida e sua condição, amando-a incondicionalmente. E, declara: “Minha fórmula para a grandeza no homem é amor fati: nada querer diferente (...). Não apenas suportar o necessário, menos ainda ocultá-lo _ mas amá-lo” (NIETZSCHE, p.51, 1995 ECCE).
Seria, portanto, um grande equívoco interpretar Nietzsche como um pessimista ou um niilista _ como o é, comum. Afirmar o contrário disso, também simplificaria a força de seu pensamento. Nietsche não era, nem otimista, muito menos um pessimista em relação à vida. Ao contrário, negava a divisão maniqueísta e redutora entre o “bem e do mal”, dizendo que “todas as coisas são batizadas na fonte da eternidade e além do bem e do mal; mas o bem e o mal mesmo não são mais do que sombras interpostas, úmidas aflições e nuvens passageiras” (NIETZSCHE p.131, 2006, AFZ). Influenciado, nesse aspecto, pelo pensamento do pré-sobcrático, Heráclito[1], Nietzsche acreditava que não existe uma oposição entre as coisas, mas que elas são uma só coisa. Assim, o mal gera o bem; o frio, o calor; a tristeza, a alegria. Os sentimentos, aparentemente contrários, são para Nietzsche solidários. Para ele, o homem que quiser experimentar a maior alegria terá de suportar a maior tristeza. Essa é a condição de uma vida que escolheu a intensidade.
No entanto, não poderia me esquecer também do lugar afetivo de grandes mulheres em minha trajetória. São elas: Cecília Meireles; Clarice Lispector; Pagú e Adélia Prado.
Cecília Meireles era o nome do Colégio que passei parte fundamental da infância. Nele, percebi que a poesia era necessária, sendo tratada como fundamento de toda educação. Era preciso ver na Matemática, na Biologia, na História e em todo o conhecimento sua magia poética. Uma educação regada de música e cabeçalhos de "para-casa" com poemas de Cecília Meireles- que ora se revezavam aos nossos (os alunos) contaminados por esse modo de ver e escrever as coisas. "Da" e "do" Cecília ficou a beleza e a poesia da vida. Como se ela própria fosse aquela Escola: uma bela casa dos anos 60. Branca, grande, com lustres de cristal e escada de ferro ( imponente e circular). Tudo belo, luminoso. Recordo-me do banheiro com uma linda banheira de pezinho azul, lá havia dois espelhos que refletiam a nossa imagem até o infinito. Sentava-me e olhava aquilo, por horas, com o espanto daquele efeito. De Cecília Meireles ficou o modo de olhar a vida, o que se traduz nesse poema:
A arte de ser feliz
"Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz. Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lopes de Vega. Às vezes um galo canta. Às vezes um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim" (Cecília Meireles)
Em Adélia Prado me reconheci em várias coisas: na mineiridade, em ser em parte divinopolitana (essa cidade do Divino que morei por 4 anos) e no amor por Nossa Senhora..
De Divinópolis recordo-me do barulho do trem me acordando, cortando a ponte do Rio Itapecerica, no bairro Niterói. Aquilo me enchia de alegria, pois me recordava o poema:
"Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida, virou só sentimento" (Adélia Prado, in Bagagem)
Da simplicidade de refinamento mineiro, recebi o “Ensinamento”:
"Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento. Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou comigo: "Coitado, até essa hora no serviço pesado". Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente. Não me falou em amor. Essa palavra de luxo" (Adélia Prado)
De nossa Senhora, repete-se em muitos momentos difíceis a frase: “ò Virgem, volte à minha alma a alegria, também eu estendo a mão a esta esmola" - recordo agora a imagem de Nossa Senhora pintada no Santuário de Santo Antônio em Divinópolis (obra de Frei Humberto Randag).
Já de Clarice Lispector aprendi a lucidez de uma inteligência incomum. A clareza cortante de suas idéias. E nada me tocou mais do que uma carta que envia a si mesma, em que diz:
“Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso — nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perder o respeito a si mesma e o respeito às suas próprias necessidades — depois disso fica-se um pouco um trapo”.
De Pagú (Patrícia Galvão) fica o exemplo de uma jornalista obstinada e apaixonada. Dizia-se " intoxicada de vida". Intensa, acreditava que “o aproveitamento da experiência se realiza espontaneamente, sem necessidade de dogmatização”. Uma vida repleta de lutas, convicções políticas e solidão. “Quando julgava estar irremediavelmente esmagada, voltava-me o movimento, o apetite, o sono tranqüilo. Vida. Muita vida”.
Lembro que a conheci atravez de um filme que assisti no cursinho por indicação de uma professora de Literatura que tinha por mim grande apreço e consideração (Barjute). Foram Barjute e Pagú que influenciaram, decisivamente, minha opção pelo Jornalismo. A estória de Pagú me embriagou de tal forma que tudo me atingia de maneira diferente depois de conhecê-la. Lembro que, após o filme, voltei a pé para casa. Era noite e recordo do meu estado de êxtase. Ficou uma imagem do caminho: o espanto com prédio JK e seu relógio que marcava 19:00h.
Pagú ensinou a paixão e a intensidade em todas as esferas, especialmente nas convicções sociais. Uma espécie de fé.
“A alegria da vida nova circulava em meu corpo. Eu era imensa. A pulsação me percorria. Uma exaltação anormal que só a religiosidade confere” (Pagú)
Mas, não poderia me esquecer de dois homens fundamentais: Guimarães Rosa e Manoel de Barros.
Guimarães Rosa emprestou seu olhar poético ao nosso entendimento de Minas Gerais. Cobriu de barulho de cachoeira e umidade verde o nosso pensamento. Sentenciava:
“QUEM NASCE EM MINAS GERAIS TEM QUE GUARDAR, POR TODA A VIDA, UMA CONCEPCÇÃO MÁGICA DO UNIVERSO”
A Serra do Curral. Ela. Enorme, como são os nossos sonhos. Plena de ventos e azuis. E, por mais que a escalemos, não atingimos sua plenitude. A Serra apenas nos empresta uma promessa de grandeza. Dessa busca que é nossa e que não nos é dada.
“SERRAS QUE VÃO SAINDO, PRA DESTAPAR OUTRAS SERRAS. TEM DE TODAS AS COISAS. VIVENDO, SE APRENDE, MAS O QUE SE APRENDE MAIS, É SÓ A FAZER OUTRAS MAIORES PERGUNTAS” (Guimarães Rosa)
Lembro-me quando refiz o caminho de Guimarães no sertão mineiro para realizar uma reportagem para a Rede Minas (o vídeo está disponível no blog na coluna à direita). Tudo se abriu em minha frente. Senti que havia uma cooperação quase divina para encontrar as pessoas e os lugares naqueles 3 dias. Entendi cada palavra do "Grande Sertão Veredas" percorrendo as estradas de terra e encontrando uma repetição de verdes e de trajetos do velho Chico. Há uma eternidade no sertão. Há um sentimento que todos temos. Pois “o sertão é o sozinho, o sertão é dentro da gente”.
“NO SERTÃO FALA-SE A LÍNGUA DE GOETHE, DOSTOIEVSKI E FLAUBERT, PORQUE O SERTÃO É O TERRENO DA ETERNIDADE, DA SOLIDÃO. NO SERTÃO, O HOMEM É O EU QUE AINDA NÃO ENCONTROU UM TU”. (Guimarães Rosa)
Há nisso uma força poética que mistura-se a uma visão sublime da vida, nesse acreditar:
"COMO NÃO TEM DEUS? COM DEUS EXISTINDO, TUDO DÁ ESPERANÇA: SEMPRE UM MILAGRE É POSSÍVEL, O MUNDO SE RESOLVE. MAS, SE NÃO TEM DEUS, HÁ-DE A GENTE PRDIDOS NO VAI E VEM, E A VIDA É BURRA. É O ABERTO PERIGO DAS GRANDES E PEQUENAS HORAS, NÃO SE PODENDO FACILITAR- É TODOS CONTRA OS ACASOS. TENDO DEUS, É MENOS GRAVE SE DESCUIDAR UM POUQUINHO, POIS, NO FIM DÁ CERTO" . (Guimarães Rosa, 76)
Depois de Manuel de Barros me atentei para as miudezas: a vivacidade das gramas e suas formigas; das minhocas; dos peixes. Com ele aprendi “a escutar as cores dos passarinhos”; “a desenhar o cheiro das árvores”; a aprender que “não tem altura o silêncio das pedras” ou que “não se pode calcular a cor das horas” . E, que se deve “repetir, repetir até fazer diferente”.
Aprendi também que é a incompletude o que nos preenche de sentido:
“A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas”.
Manoel de Barros
Acabo de me lembrar também de Gabriel García Márques em "100 anos de solidão". Há uma aridez e um espanto com sua narrativa. Me senti muito só, perto dessa eternidade a que tanto se refere Guimarães Rosa. Uma personagem, em especial, me tocou: Remédios. Sua descrição foi, dentre todos os romances que li, o mais encarnado sentido de uma mulher, a mais signmificativa maneira de ser. Revelou para mim uma mulher que no fundo desejava ser sem saber ainda a extensão das palavras na configuração do que somos e podemos vir a ser....
Uma mulher que possui uma lucidez penetrante que lhe permite ver além de qualquer formalismo, como se viesse de volta de vinte anos de guerra. Perturbadora. Contraditória; pois quanto mais domina os saberes do mundo, torna-se cada vez mais impermeável aos formalismos, mais indiferente à malícia e desconfiança, feliz num mundo próprio de realidades simples. E, quanto mais livre dos convencionalismos e obediente a sua espontaneidade, mais perturbadora fica sua beleza e mais provocante seu comportamento para os homens. Trata-os sem a menor malícia e acaba por transtorna-los com as suas inocentes complacências. Tudo nela pecava, por assim dizer, por um excesso de delicadeza”.
[1] Heráclito (539 – 469 a.C.) é considerado um filosofo pré-socrático ou cosmológico (no sentido de produzir uma filosofia que investiga a origem do mundo e as dinâmicas da Natureza). Heráclito era admirado por Nietzsche, ao contrário de Sócrates, por ser o primeiro um filósofo que não julgava moralmente os fenômenos. Heráclito defendia ainda que tudo nasce do seu contrário, afirmando que o fogo viraria água e vice-versa.
27/06/07
Hoje eu vou cantar um samba sobre o infinito
Foto: Pedro DavidO infinito renova-se, renasce, brota de si. Multiplica-se até que nosso olhar se perca e não o alcance mais. Só um samba conseguiria cantar o infinito, com uma letra triste e ao mesmo tempo alegre. Em uma contradição não contraditória. Só quem sofreu de verdade sabe entender o samba. Já ouço tocar meu favorito:
(Wilson Moreira e Nei Lopes)
"Abre as asas sobre mim, Oh! Senhora liberdade. Eu fui condenado/ sem merecimento/ por um sentimento/ por uma paixão/Violenta emoção/ Pois amar foi meu delito/ Mas, foi um sonho tão bonito que chegou ao fim/ Senhora liberdade abre as asas sobre mim/Não vou passar por inocente/ Mas, já sofri terrivelmente/ Por caridade/oh liberdade/ Abre as asas sobre mim"
Voltemos ao infinito, ou melhor, nunca saímos dele - em seu eterno retorno, no constante empurrar a pedra ao pé da montanha e empurrá-la novamente, buscando nessa banalidade a revelação que vem do absurdo (Camus).
E, por fim, ou pelo início, eu pediria para tocar:
"Deixe-me ir, preciso andar/Vou por aí a procurar/Rir pra não chorar/ Quero assistir ao sol nascer/Ver as águas dos rios correr/Ouvir os pássaros cantar/Eu quero nascer, quero viver/Deixe-me ir preciso andar/Vou por aí a procurar/Rir pra não chorar/Se alguém por mim perguntar/Diga que eu só vou voltar/Quando eu me encontrar"
Candeia*
Dicas para "cabeças bem feitas"
http://www.academiadeideias.com/index.asp
http://www.palaciodasartes.com.br/home/default.aspx
Pedro Morais (http://www.cantaminas.com.br/pedromorais.htm)
Alda Rezende http://www.mvhp.com.br/nentrevista1.htm
Kadu Viana (http://www.kaduvianna.com.br/)
Marina Machado (http://www.paulogoncalo.com/marina.html)
Revelações nacionais da música:
Paula Lima http://www2.uol.com.br/paulalima/
24/06/07
"O homem mais forte que há no mundo é o que está mais só"

Trata-se de um homem condenado a incompreensão. Será expulso, pois suas palavras incomodam a ordem vigente. Será humilhado, pois sua voz toca zonas esquecidas e que querem ser esquecidas. A verdade ecoa em seus pulmões. Solidão. É obrigado a ter apenas sua companhia "preso" a seu espírito livre. Vaga. Mas, feliz, com uma força que nenhum outro seria capaz de experimentar. Esses, que protegem-se da chuva, dos trovões. Ele, ao contrário dança. Cada trovão alimenta sua alma sedenta de energia. Rodopia com os sons que ora imagina para se combinar aos seus movimentos. Em um silêncio cheio de ritmo e batidas ele é capaz de sentir o corpo, a leveza, a força: unidas. Nada poderá fazer com que ele perca o passo, nem os tombos que por ora o fazem sofrer. Eis, que a tristeza inspira um poema. Eis que sua dor o dá gana para denunciar os hipócritas, os fracos, os covardes. Para eles não haverá piedade. Eis a força dessa voz doce e forte de uma verdade amorosa e libertadora.
Isabelle Anchieta
20/06/07
Iniciar é sempre dispor-se ao trágico












