julho 25, 2007

Uma grande lição para sermos e respeitarmos o que somos


"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso — nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perder o respeito a si mesma e o respeito às suas próprias necessidades — depois disso fica-se um pouco um trapo" Clarice Lispector


Eis a grande lição da escritora. Ser o que se é talvez seja o que justifica uma vida. Manter suas convicções apesar de... Manter os seus desejos apesar de... Manter suas escolhas apesar de... Este é o desafio que nos é posto a todo momento. Cada adversário, cada amigo e familiar que aconselha a desviar a rota da nossa vontade íntima. Cada situação que nos testa e cada tirano que quer apaziguar nossa luta e domesticar nossas verdades tão incomodas. Cada relação afetiva que priva nossa liberdade e nossos sonhos, que desrespeita o que temos de mais espontâneo e alegre.
Dizer não! Para enfim, afirmar sua própria vida. Dizer sim a si próprio. Trata-se de um ato de coragem, de resistência e autenticidade. Assumir a responsabilidade, a condução, os erros e saber que as conquistas são suas. Eis a grande recompensa de uma vida, saber que ela foi vivida com autonomia, independência e verdade. Eis o grande objetivo de todos: vivermos o que somos, sem constrangimentos e com o respeito das pessoas. E respeitar não é concordar sempre, mas
compreender apesar das diferenças. Uma atitude tolerante e solidária com o outro e automaticamente consigo que passa a ter o mesmo direito perante o outro. Eis a grandeza do respeito - a solidariedade em deixar que outro seja o que é, apesar de...Por isso, façamos esse pacto de respeito uns com os outros.

E, para finaliza, mais lições de Clarice....

"Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia — será punida e irá para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Isso seria uma lição para mim. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade de alma" . Tua Clarice.

3 comentários:

Daniel disse...

"Eis a grande recompensa de uma vida, saber que ela foi vivida com autonomia, independência e verdade."

Só posso parabenizá-la pela excelente visão. A nossa sociedade está tão inserida no individualismo, que os "outros" quase sempre são vistos como adversários ou inimigos. O estranho é que sempre procuramos alegrar, satisfazer e cumprir com as espectativas de outros, ao invés de lutar por nossos reais sonhos.
Para muitos universitários, a graduação tem sido um misto de expectativa e medo.
Expectativa com o futuro e medo de não corresponder todas as motivações dos familiares e amigos.
Certamente, quando olhamos para o nosso interior devemos estar bem com nós mesmos, para que assim possamos agradar outros.

Será ótimo ter você como professora, demostrou ótima impressão na primeira aula. Continue assim, seu compromisso tende a incentivar outros a buscar mais que um cotidiano de conceitos sem aplicação e a olhar o jornalismo como possibilidade para o crescimento e desenvolvimento do país.


Abraços, mais uma vez parabéns pelos comentários e citações.



Daniel Henrique S. Silva
Aluno Jornalismo Newton Paiva, 4° Periodo Noite.

Isabelle Anchieta de Melo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Isabelle Anchieta de Melo disse...

Caro Daniel,

Fiquei contente como sua interpretação. Realmente, respeitarmos o que somos não implica em gerar um individualismo nocivo. Ao contrário, trata-se de ser e deixar que o outro seja. O que é, efetivamente, uma solidariedade emancipada. Pois, ao contrário do que acreditam algumas religiões e partidos políticos, o “bem comum” não está na igualdade de todos, mas, ao contrário, no reconhecimento e respeito às diferenças (já que não somos iguais, mas compartilhamos, sim, um respeito comum)

Ótimo comentário. Agradeço as palavras e, igualmente, estou bem impressionada com a turma, acredito que teremos um belo trabalho pela frente,