novembro 27, 2010

AMOR X ADMIRAÇÃO > O Amor não precisa da Admiração



O amor é em si mesmo. Não precisa de provas e de desempenhos para nascer. Ele simplesmente está. É intruso, íntimo, próximo dos nossos defeitos. Mas, indiferente as nossas sombras ele nos ilumina, por essa mesma razão. Ele acalma os nossos fantasmas porque os conhece, os ama! O amor ama. Integralmente. Totalmente, porque sabe do nosso pior. No amor a incoerência não é loucura. O vazio existe e é acolhido. Há sempre mais uma chance na generosidade de que é feita a sua matéria. Ele sabe que erramos, mesmo quando não queríamos errar. E, ao tornar o nosso pior conhecido e amado ele deixa de ser o pior aos nossos olhos. Passamos a nos amar igualmente. Grandes em nossa pequenez.
Admiração é o mirar a distância. Ela não nos conhece em nossos fundos, apenas em nossa fachada. Ela não sonda os porões, mas os salões floridos em dias de festa. A admiração tem hora marcada. É feita de desempenho e controle da encenação. Ela produz ídolos e espera deles a coerência dos discursos e a plasticidade na imagem. Atores que encenam o seu sucesso à distância, no palco. Para ser admirado há de se manter a distância... do que nos é humano, nesse nosso insano desejo de sermos deuses, perfeitos. O controle e o belo nos orientam, nos atormentam porque nós sabemos da "fraude", do déficit entre o que aparentamos ser e do que somos. Mas, se julgamos que sendo admirados seremos amados... ledo engano! O amor não está na perfeição: estética, ética ou laboral. O amor tem um quê de imperfeito, de desalinho...
Esse desalinho do amor... é libertador. Nos deixa ser. Afrouxa as expectativas que impomos a nós mesmos. Nos deixa errar. Falhar. E nos ama!? Nos ama simplesmente, sem razão, sem um sentido que caiba no sentido. Esse calor humano que não depende das luzes dos holofotes. Que não afasta, mas aproxima. Que não pede, mas é abundante. Que nada quer e tudo nos oferece.
Esse desalinho do amor... é libertador

4 comentários:

Janaina Cruz disse...

O amor caminha por pernas próprias e nos conduz, mesmo cego... Amei teu blog, espero que não tenhas abandonado, sigo-te!

Isabelle Anchieta disse...

Querida Janaína,
Respostas como a sua é que mantém o blog vivo. Ele está vivo e companha, nas entrelinhas, o que vivo, sem que recaia em um diário muito pessoal. Tento ter esse cuidado, o de falar de algo que possa valer para mais alguém além de mim,
Fico feliz que tenha te tocado de alguma forma e feliz que me siga,
Nos seguimos,
Bjs

Bruna disse...

Querida Isabelle,

Quanta saudade de você!

Cada vez que venho aqui, descubro uma riqueza diferente, capaz de tocar o fundo do meu coração.

Sua sensibilidade é algo inexplicável.

Um grande beijo,

Bruna.

Isabelle Anchieta disse...

Saudades Bruna,
que bom entrar em contato com vc,
Bjs