junho 20, 2009

DIPLOMA JORNALISMO> Fim do diploma de Jornalismo: fim da liberdade de expressão mediada por comunicadores competentes, risco para democracia

Uma lastimável decisão do STF. O argumento: fraco. Dizer que a formação superior impede a liberdade de expressão é o mesmo que afirmar que a liberdade é algo sem limites, sem restrição, se o fosse não precisaríamos de leis, de STF. Garantir a qualidade da informação é garantir uma sociedade politizada e livre. Manter o controle sobre a base cognitiva do conhecimento que distingue a profissão nunca impediu a livre manifestação das pessoas, ao contrário. Pois, o jornalista é aquele que estabelece o debate social, como um juíz, dando as partes um tratamento imparcial - o que não acontece com os artigos opinativos de especialistas (que não apuram o fato para além da sua própria visão do assunto). Sem jornalistas estaríamos fadados a ter visões parciais e especializadas do mundo, incapazes de estabelecer um debate social mais amplo. Para essa importante função o jornalista precisa: de formação humanística, associada a tecnicas-éticas de produção de informação. O jornalista é aquele capaz de mediar, de tornar comunicável através de um conjunto de conhecimentos próprios os acontecimentos. Tentarei demonstrar, no artigo indicado abaixo, quais as razões que justificam não o fim das exigências, mas a sua consolidação e intensificação. O jornalismo é, sim, uma área de conhecimento específico que possui decisiva importância sobre as dinâmicas sociais em que está inserido. E, que, por isso, tem uma responsabilidade acrescida sobre a emancipação ou não dos sujeitos e da sociedade. E, como toda profissão que possui tal responsabilidade social, o jornalismo deve vir acompanhado de três elementos fundamentais: formação de qualidade, liberdade de expressão e limites ao exercício dessa liberdade. É nesse sentido que devemos nos empenhar em legitimar o lugar de um comunicador autorizado capaz de realizar as operações técnicas e éticas próprias a profissão e dignas de uma sociedade democrática. O caminho contrário, sua deslegitimação, parece servir apenas aos interesses de pessoas que favorecem-se da ignorância social e da despolitização dos cidadãos.

junho 06, 2009

Sobre encontros que transformam nossas vidas: o filósofo Gilles Lipovetsky e a pesquisadora Isabelle Anchieta em Belo Horizonte


Gilles Lipovetsky e Isabelle Anchieta (Inhotim, 06/2009)

"Há encontros em nossas vidas que a transformam completamente" a frase dita por Lipovetsky ilustra bem nosso encontro. Pensar que tudo começou através da leitura de uma de suas obras ...Naquele livro, que tratava sobre a mulher, me deparava com um grande filósofo contemporâneo e suas idéias que se materializavam e se limitavam, supostamente, ao livro que tinha em minhas mãos. Desse primeiro encontro virtual um conjunto de idéias irrompiam, sendo capazes de gerar a energia suficiente para a produção da minha própria pesquisa (que em parte contradiz algumas concepções de Lipovetsky). Do nascimento dela um conjunto de movimentos silenciosos se organizavam para gerar mais uma sequência de ações inesperadas. Fui selecionada para apresentar (com outros 10 pesquisadores internacionais) o meu trabalho "A Quarta Mulher" em Madri, em outubro de 2008. Quem estaria lá? Gilles Lipoetsky. Pois é, foi assim que ele, enfim, conheceu minha pesquisa e se interessou pela forma como conduzi e até contradisse suas perspectivas. Desse ponto uma intensa e rica interlocução se travava entre eu e Lipovetsky. Após quase um ano, foi a vez dele vir ao Brasil, em Belo Horizonte para a Compós (06/2009) e hospedou-se na casa de minha mãe. Digo isso, porque o convívio me ensinou novas e diferentes coisas. Aprendi que para pensar não temos de ser ranzinzas - ele não o é, é divertido, leve, brincalhão. Aprendi que "prazer é tempo": para tomar um café, fumar um cigarro, ler, ficar na varanda tomando o sol de outono e escutando bossa nova. Aprendi que pensar pode acontecer a dois e não só de forma solitária. Pois, todas as manhãs ia até lá e conversávamos longa e entusiasmadamente sobre a minha pesquisa. Me espantei com sua generosidade em me apresentar novas e ambiciosas questões. Quando chegava ele me dizia alegre: ontem a noite estava pensando sobre sua pesquisa e tive uma outra idéia...seguida de indicações de livros que não li. Traçamos, juntos, um plano de estudos para os próximos 4 anos da minha vida. Mas, o que pode parecer o adiamento do sonho é para mim sua consolidação. Um oceano apresenta-se desde então. Mas, estou excitada para começar essa viagem, em parte nova, mas em parte segura já que tenho, agora, um co-piloto que me oferece mapas e sugere a navegação.

Uma noite, em especial, me marcou. Voltávamos de um encontro com alunos do mestrado na PUC e ia deixá-lo na casa de minha mãe quando ele me perguntou se me importava, antes, de caminhar um pouco pelo bairro. Temi por nossa segurança, já era tarde, mas fui. Acho que há anos não fazia isso. Misturou-se nessa caminhada: a noite, o brilho de Belo Horizonte, um certo receio e o entusiasmo de nossas idéias. A cada cinco passos parávamos, um frente ao outro, para defendermos de forma acalourada as nossas perspectivas. Um desses momentos que se intensificam na mistura entre o ambiente e as idéias e que, assim, formam uma imagem definitiva em nossa memória.

Desse encontro com Lipovetsky fica um oceano de idéias e alguns mapas de navegação. Fica a vontade e o prazer de pensar, de ler. Fica a generosidade da troca, do embate, da filosofia. Ficam janelas abertas, fica o sol confortante de outono e mais: a certeza do propósito da vida e a experiência de que para produzir uma bela obra é preciso de encontros felizes e verdadeiros como esse.

maio 31, 2009

Gilles Lipovetsky chega hoje em Belo Horizonte

Gilles Lipovetsky e Isabelle Anchieta

Chega, hoje, em Belo Horizonte o filósofo francês Gilles Lipovetsky. O autor de A Era do Vazio, Império do Efêmero, Luxo Eterno, Felicidade Paradoxal, Tempos Hipermodernos, A Tela Global entre outros estará na capital mineira para participar da XVIII Compós (PUC Minas). O filósofo é também interlocutor da pesquisadora mineira Isabelle Anchieta e estará com ela durante uma semana para orientá-la em sua pesquisa: "A Quarta Mulher" em que trata a mudança da imagem da mulher ao longo da História.

>>>No segundo semestre a professora Isabelle Anchieta está organizando, junto a FIEMG, um Seminário que conta novamente com a presença do filósofo Gilles Lipovetsky. O evento será divulgado no blog em período próximo a data do evento.

maio 19, 2009

AMOR E COMUNICAÇÃO> Me dei conta do quanto o amor e a comunicação se combinam


Me dei conta do quanto o amor e a comunicação se combinam. Se há um e o outro falta, não há a possibilidade do encontro. Comunicar, aqui, não é transmitir um conteúdo, mas trocar. Pressupõe perder algo de si e ganhar algo do outro e vice-versa. Um campo de intercessão (como na matemática), onde algo se preserva, mas algo se perde, formando um terceiro plano, um plano comum. Para chegar nele é preciso perder-se para reencontrar-se nessa zona original, forjada por dois singulares. Constrõem um lócus único, temperado pelo entrelaçamento de duas histórias – reúnem-se ali vivências, pessoas, momentos e memórias. O amor é esse entre-lugar original.
No entanto, hoje as pessoas não querem comunicar, não aceitam perder algo de si para escutar e traduzir as singularidades do outro – por medo de colocarem em questão suas tão confortáveis verdades. Pois, sondar o outro é entrar em uma zona estrangeira, é aventurar-se em um território desconhecido. Muitos preferem confinar-se no conforto de suas supostas certezas a descobrir a dor e a delícia dessa terra encantada que o outro nos apresenta. As pessoas não querem trocar, querem apenas transmitir, unilateralmente, os seus desejos esperando que o outro se encaixe neles. Enunciam aos quatro ventos o que esperam de “uma mulher”, de “um homem”. Quanta bobagem! (se me permitem o desabafo). São essas abstrações simplórias - geralmente recheadas de preconceitos e idealizações sobre o que é uma "boa mulher" ou um "bom homem" - que reduzem a diversidade de todos singulares em generalizações unidimensionais, pobres! São pessoas que trazem uma roupa pronta e querem que o outro caiba naquelas medidas. Mas, o outro nunca cabe (e, que bom!). Porque o outro é sempre sem medida. Porque o outro escapa pelo chamado dos seus próprios desejos. Aprisioná-los é a forma mais rápida de matar o amor, a comunicação, o encontro.
Eis aqui uma exigência do amor: a comunicação. No que tem de entrega, troca e respeito ao desejo do outro.
Por isso, hoje me dei conta do quanto o amor e a comunicação se combinam....
E, como não poderia deixar de lembrar do meu amigo e interlocutor de minhas inquietações...
*
"Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: "Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?". Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas
construídas sobre a arte de conversar" (Nietzsche)
*

maio 15, 2009

Maitê Proença repercute pesquisa "A Quarta Mulher" da professora Isabelle Anchieta

Maitê Proença e Isabelle Anchieta 

Ontem estive em um debate com a atriz e escritora Maitê Proença. O tema: amor. Mas, para a minha grata surpresa Maitê fez questão de repercutir a pesquisa que desenvolvo sobre as imagens da mulher "A Quarta Mulher" .  Ela lembrou as fases e afirmou que acredita que estamos caminhando mesmo para aquela que defino como a quarta mulher. Uma mulher que está mais preocupada com ser, afrouxando as cobranças, as representações e os estereótipos e que pode, enfim, estabelecer uma relação verdadeira com a vida e com um homem. Ao fim, em conversa informal, ela disse que teve acesso a pesquisa através da jornalista Mônica Waldvogel que esteve comigo em Belo Horizonte para debater a pesquisa no mês de abril (24/04). Nossa! Ontem não dormi direito. Ainda é  surreal pensar os caminhos que a pesquisa está ganhando, a vida e a forma como pessoas interessantes estão se apropriando da discussão. Divido aqui esta felicidade da qual já toquei em postagem anterior: a do amor aos nossos propósitos. E, falando em amor....esse foi o nosso tema ontem.  Na fala de Maitê o amor tem um quê de destemor, de entrega. Dá-se em um tempo necessário de decantação e não pode acontecer em um contexto onde a velocidade atinge todas as esferas sociais (o cinema, a forma de comer, de andar e etc). O amor tem relação com o tempo, não o tempo social, mas o tempo do amor. O amor também aciona os sinos de todas as catedrais, pode nos conduzir a experiência do sublime, mas contém  o sofrimento, a dor. Estar disposto a ele é sua condição, sem pensar em suas consequencias, no seu fim. Uma entrega que pressupõe a queda das máscaras, das represetações e a emergência do humano e de suas contradições. Exige, por isso, mais do que um sentimento forte, mas a compreensão do outro, dos seus desejos, das suas demandas. Em uma de suas crônicas," Amor da minha vida" (a que mais gosto, por sinal) ela sintetiza isso, lindamente, e diz: "Não basta que haja amor para se viver um amor. (...) É preciso me traduzir a cada centímetro do caminho". 


Obs >> Só está faltando eu no Saia Justa (rs, tô brincando...)

maio 10, 2009

Maitê Proença e Isabelle Anchieta discutem Amor e Vida na Academia de Idéias




Quais são os movimentos que movem a humanidade? Ética, amor, fé? No dia 14 de maio a jornalista Isabelle Anchieta e a atriz e escritora Maitê Proença se encontram para discutir a importância do amor em nossas vidas. O amor por nossos ideiais, pelos outros, pelo amante, pela família, pelo conhecimento....Amar é o que dá sentido e força a tudo o que fazemos.

O debate acontece na Academia de Idéias, às 19:30h

Ou ligue>3281-7750

maio 05, 2009

Arrancar a vida


Essa violência necessária. A de arrancar da vida: a vida. Nada de esperar. Não há milagre, dádiva, reza. Chega de ilusões! Mentiras. A vida é de natureza subterrânea, seu alimento se esconde como uma raiz repleta de virtudes que se alimenta no escuro, no solo. Para tê-la é preciso força, desejo e coragem de tomá-la violentamente nas mãos. Arrancá-la e trazê-la a nós. A vida! Ela não é feita de descanso, de paz. Nada de monges que se escondem em sua “paz” tibetana. Escapismo. A vida não pede refúgio. Pede coragem para o sofrimento e a dor necessária. O que simultaneamente nos concede a delícia e o prazer das alegrias e das belezas na experiência. A vida é feita de guerra e de celebração. É luta! Luta para sobreviver a mentira, a falsidade, a falta de caráter, ao comodismo, ao caminho mais fácil e tentador. A zona de conforto, diga-se de passagem, é a mais perigosa. Castra. Inibe. Acalma a vontade, o desejo e retira a nossa maior potência – a da nossa incompletude. Essa falta humana, esse vazio que nos aciona. A alma precisa de estímulos, de propósitos. Confortar-se é retirar o movimento que nos empurra violentamente a diante. Como diria meu amigo Nietzsche “quem pega o atalho perde o caminho”. E, só há um caminho, nele devemos preservar o que somos com dignidade humana. Respeitar o outro sem perder de vista o desejo pessoal. É manter os olhos alertas. A consciência afiada. A verdade em punho, com sua dor e beleza.

Viver. Arrancar. Lutar. Celebrar, na dor, no prazer. Humano, demasiado.

abril 25, 2009

Mônica Waldvogel e Isabelle Anchieta debatem a pesquisa "A Quarta Mulher"


Mônica Waldvogel e Isabelle Anchieta

Tive o privilégio, ontem (24/04/09), de ter minha pesquisa sobre as imagens da mulher (A Quarta Mulher) como alvo do olhar e da análise precisa e inteligente de uma das jornalistas mais importantes do país, Mônica Waldvogel. Mônica destacou a importância e a urgência de se discutir o tema, pois julga atrasada a crítica da mídia e do gênero no Brasil se comparado a outros países. Ao entrar nas questões levantadas pela pesquisa, Mônica enfatizou que as pessoas cometem um erro ao dizer "homem de hoje e mulher de hoje, colocando plural onde não precisa (homens) e singular onde é impossível (mulher)". 
O debate, que se estendeu por mais de uma hora, contou com a participação de quarenta pessoas no espaço da Academia de Idéias, em Belo Horizonte. Em um clima descontraído interagimos com os participantes, que, diga-se de passagem, eram pessoas interessantíssimas, que contribuíram para construir um momento rico e raro na compreensão da imagem da mulher.
Ontem foi, realmente, um grande momento: pela simpatia e inteligência da Mônica (características marcadas por suas considerações sensataz e ricas) e pela curiosidade dos convidados sobre a jornalista e sobre a pesquisa. Destes momentos que funcionam como catalizadores em nossas vidas, nos animam a prosseguir, a acreditar no passo para frente e na obstinada vontade de realizar algo significativo (mesmo que isso se dê a duras penas, e como!).
Foi um dia revelador.
A cada dia e acontecimento como esse confio no significado e na importância social da minha pesquisa. E, quanto mais percebo que a pesquisa pode contribuir para que as mulheres e os homens compreendam os significados das imagens e de suas experiências concretas no mundo, mais sinto realizar-se o propósito de minha vida. Hoje sei que essa pesquisa é o meu propósito e se ela adquire um sentido maior do que o meu interesse pelo assunto, isso potencializa ainda mais a minha realização pessoal. Estou feliz, me sinto útil.
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"Essa é a verdadeira alegria na vida, ser útil a um objetivo que você reconhece como grande" George Bernard Shaw
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>>JORNAL O TEMPO: O encontro foi repercutido em vídeo e texto pelo site do Jornal "O Tempo" clique aqui para ver
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março 30, 2009

Agradecimento pela reportagem no site da Newton Paiva

Agradeço o reconhecimento do meu trabalho pelo Centro Universitário Newton Paiva pela atenciosa e significativa reportagem de Jefferson Delben sobre minha trajetória profissional no site da instituição. Disponível em: http://www.newtonpaiva.br/Acontecenanewton/news.aspx?newsid=223601

março 24, 2009

Mônica Waldvogel discute a pesquisa "A Quarta Mulher" com a autora Isabelle Anchieta na Academia de Idéias


A jornalista Mônica Waldvogel _ apresentadora do Saia Justa, na GNT e da Globo News _ virá a Belo Horizonte para participar de debate sobre uma pesquisa que trata da imagem midiática da mulher no sec. XXI, desenvolvida pela professora mineira Isabelle Anchieta. Tal debate será realizado durante um curso ministrado pela professora no mês de abril na Academia de Idéias. Isabelle irá problematizar as quatro gerações de imagens e imaginários produzidos sobre a mulher ao longo da História. Ela passa de Grande Mãe, Eva, Maria, Afrodite, Pin-Up, Manequim até chegar à quarta geração de imagens denominada de "mulher real e possível", nas imagens publicitárias do séc. XXI. A imagem da mulher transforma-se gradativamente na medida em que aproxima-se dos dilemas da mulher comum, da mulher "qualquer". É nessa passagem, promovida em grande parte pela relação entre a mulher e a mídia em sua reivindicação por reconhecimento social amplo, que percebemos uma possibilidade inédita de emancipação da imagem feminina.

7/4
Primeira e Segunda Mulher: imagem temida a uma imagem idealizada, Isabelle Anchieta
14/4
Terceira mulher: a emanc. paradoxal da mulher através da moda e do corpo magro., Isabelle Anchieta
24/4
O papel da mídia na emancipação da mulher, MÔNICA WALDVOGEL
24/4
O papel da mídia na emancipação da mulher, Isabelle Anchieta
28/4
Quarta Mulher: a mulher real e possível nas imagens publicitárias do séc. XXI, Isabelle Anchieta

>mais informações pelo telefone: 3281-7750 ou acesse: http://www.academiadeideias.com/

março 04, 2009

Professora dará entrevistas na Rede Minas e na TV Assembléia sobre a imagem da mulher na mídia




> Professora participa do programa Sala de Imprensa da TV Assembéia, para debater sua pesquisa "A Quarta Mulher".

O programa vai ao ar na quinta dia 12/03, 21 horas.

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Horários alternativos:

sexta - 12h15 e 0h10

sábado - 21 horas

domingo - 18 horas


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> Professora também concedeu entrevista sobre sua pesquisa no Jornal Minas 1º edição, apresentado pela jornalista Sandra Gomes, no dia 06/03 ao 12:00h, na Rede Minas.

março 03, 2009

Diploma em debate: jornalismo de qualidade em sociedade democrática

Em um contexto em que se discute o fim da necessidade da formação superior do jornalista venho aqui fazer o caminho inverso. Tentarei demonstrar quais as razões que justificam não o fim das exigências, mas a sua consolidação e intensificação. O jornalismo é, sim, uma área de conhecimento específico que possui decisiva importância sobre as dinâmicas sociais em que está inserido. Por isso, tem uma responsabilidade acrescida sobre a emancipação ou não dos sujeitos e da sociedade. E, como toda profissão que possui tal responsabilidade social, o jornalismo deve vir acompanhado de três elementos fundamentais: formação de qualidade, liberdade de expressão e limites ao exercício dessa liberdade. É nesse sentido que devemos nos empenhar em legitimar o lugar de um comunicador autorizado capaz de realizar as operações técnicas e éticas próprias à profissão e dignas de uma sociedade democrática. O caminho contrário, a sua deslegitimação, parece servir apenas aos interesses de pessoas que se favorecem da ignorância social e da despolitização dos cidadãos.
>>O artigo completo está disponível no site do Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=527DAC001
>> Ou no site do Sindicatos dos Jornalistas de Minas Gerais

março 02, 2009

Prêmio "Rumos Itáu Cultural" abre inscrições para estudantes e profissionais

O Itaú Cultural lança os novos editais do programa Rumos. São eles: Arte Cibernética; Cinema e Vídeo; Dança; e Jornalismo Cultural. Todos abrem as inscrições no dia 4 de março e, com exceção de Jornalismo Cultural (que encerram no dia 31 de julho), vão até 29 de maio. A seleção dos projetos será feita por comissões autônomas formadas por especialistas nas áreas contempladas e um representante do Itaú Cultural. Os resultados serão divulgados no segundo semestre de 2009. Em todos os casos, a divulgação será feita por meio da imprensa e do site da instituição www.itaucultural.org.br/rumos, onde se encontram todos os quatro editais e por meio do qual deve se fazer a inscrição gratuita.

março 01, 2009

Sobre a Transitoriedade


"É impossível que toda essa beleza da Natureza e da Arte, do mundo de nossas sensações e do mundo externo, realmente venha a se desfazer em nada. Seria por demais insensato, por demais pretensioso acreditar nisso. De uma maneira ou de outra essa beleza deve ser capaz de persistir e de escapar a todos os poderes de destruição. Pois, um flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela. É nesse sentido que "o valor de toda essa beleza e perfeição é determinado somente por sua significação para nossa própria vida emocional, não precisa sobreviver a nós, independendo, portanto, da duração absoluta. O que implica dizer que "o valor da transitoriedade é o valor da escassez no tempo". Na medida em que a consciência da "limitação da possibilidade de uma fruição eleva o valor dessa fruição"
(...) "Assim, quando o luto tiver terminado, verificar-se-á que o alto conceito em que tínhamos das riquezas nada perdeu com a descoberta de sua fragilidade. Reconstruiremos tudo o que se destruiu, e talvez em terreno mais firme e de forma mais duradoura do que antes. "

O trecho acima é parte de um ensaio intitulado "Sobre a Transitoriedade" escrito por Freud em novembro de 1915, a convite da Berliner Goetherbund (Sociedade Goethe de Berlim) para um volume comemorativo lançado no ano seguinte sob o título de Das Land Goethes (O País de Goethe).

fevereiro 26, 2009

O corte no tempo

"Uma alegoria do Tempo desvelando a Verdade"
de Jean-François de Troy (1679-1752)

Acreditava que já havia passado por muitas perdas e muitos testes. Já havia enfrentado a fome. O desalento. A solidão. A superação profissional. A superação física. Doenças graves. A ausência de um apoio afetivo, familiar. A inveja. A injustiça. A maldade. Tudo. E, todas essas coisas não foram capazes de me deter. Ao contrário, mostravam o quanto havia em mim uma força infinita, capaz de ressurreições e de uma vontade de vida pulsante, vontade de potência, de uma segunda infância. Por essas razões, sempre me julguei capaz de enfrentar qualquer medo, qualquer coisa. Mas, agora.... Enfrento minha pior e mais grave fragilidade. Pois, foi justo quando a alma serenou e o amor incondicional tomou conta de mim; justo quando estava em paz em companhia do sentimento mais sublime e puro que se possa compartilhar, que minha alma partiu-se ao meio. Quando não estava com as armas em punho, nem a armadura no corpo para esse golpe. Tudo em mim oferecia-se nessa cumplicidade amiga, nessa segurança eterna...Mas, o eterno, como “o terno eterno” de nossa alma, não existe. A alma é feita para as batalhas, mas percebi que nem sempre estamos prontos para elas.
Não poderia imaginar que a segurança que me acompanhava há anos, um pedaço de mim, pudesse _ em um corte _ ser amputado, separado. Está. É fato. A morte é um corte no tempo que nos separa em instantes da companhia tão amada, tão viva...Agora, é fato. O corte no tempo se impõe. Há segundos, agora horas, agora semanas que me separam aos poucos. De castigo: essa solidão silenciosa, fatal. Vivo todos os sentimentos: ora raiva, melancolia, saudade, alívio, tristeza, confusão, revolta, cansaço. Não sabia como eles poderiam se alternar com tanta velocidade....Enfrento, ainda sem saber como sair, o meu mais grave sentimento, minha mais exigente superação,


fevereiro 16, 2009

Pedaço de mim

A primeira vez que entendi o significado da perda, da morte foi quando uma professora de português, chamada Regina, levou para a sala um som e colocou uma música para tocar. A fita velha, o som baixo, chiado, uniu-se a profundidade do que era dito. Senti a perda, mesmo que ainda não tivesse vivenciado nenhuma. Ontem essa música tocou dentro de mim novamente, agora não foi preciso imaginar a perda. O dia mais triste da minha vida. "Oh pedaço de mim, o metade amputada de mim, leva os teus sinais que saudade é o pior castigo".

"Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que morreu

Oh, pedaço de
mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma
fisgada
No membro que perdi

Oh, pedaço de
mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus"

(Chico Buarque)

fevereiro 13, 2009

Sobre os indutores do prazer e da beleza


“Encha sua vida com tantas experiências de alegria e paixão quanto você humanamente possa. Comece com uma experiência e construa a partir dela” Márcia Wieder

Induzir. Instigar, convidar os sentidos, o corpo. O que chamo de indutores do prazer e da beleza nada mais são do que os pequenos objetos, gestos, ocasiões de que nos cercamos para termos experiências breves e transformadoras, que configuram, em sua constância, a beleza em nós (no que somos e no que nos cerca). As flores sobre a mesa. O ritual de tomar café. Ler o jornal do dia. O encontro com os amigos após o trabalho. Regar as plantas. Galopar. Nadar no "Rio Grande". Ver o entardecer da varanda. Ler um livro com calma e prazer na cama. Um vinho. Um jantar. Um belo vestido. A maquiagem. Um toque de quem amamos, um olhar demorado... Uma paisagem: as montanhas, o mar (o mar...). A casa limpa, perfumada. Cortinas de vuol dançando ao vento. Música. Essas pequenas coisas de que devemos nos cercar, que nada tem de ostentatórias ou artificiais, mas necessárias para produzir a beleza e prazer a nossa volta e em nós. Simbiose alegre...

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janeiro 29, 2009

Felicidade: uma postura afirmativa, mesmo durante o sofrimento


É possível colocar em cheque a máxima “sem sacrifício hoje, não há felicidade amanhã”? Sim, é possível. Como? Para entender melhor iremos definir de forma esquemática as 3 atitudes básicas das pessoas diante da vida e da busca pela felicidade:

1) O Mártir: aquele que acha que a felicidade está no futuro e, por isso, sacrifica-se no presente. Sua felicidade está em alcançar metas, mas após o alívio de atingí-las sente-se novamente vazio, buscando infinitamente uma nova meta.
2) O Hedonista: aquele que quer viver ao máximo o hoje, o presente e não se importa com as conseqüências de seu prazer imediato. Trata-se de uma pessoa constantemente em "ressaca" pelo excesso de prazer. Associa esforço ao sofrimento e prazer a felicidade.
3) O Blasé: pessoas constantemente insatisfeitas, indiferentes. Nada para elas está bom, mesmo quando todos os recursos para a felicidade parecem as ser oferecidos.

No entanto, a felicidade não pode nem ser uma meta futura (inalcançável); não pode ser inconseqüente com o futuro; nem indiferente. Pois, quando o mártir “confunde momentos de alívio com felicidade, reforça a ilusão de que o simples cumprimento de metas nos faz felizes” (BEN-SHAHAR, 2008). Já o hedonista “se engana quando associa esforço com sofrimento e prazer com felicidade”. Há um episódio da série televisiva Além da Imaginação que ilustra bem o erro tanto do hedonista quanto do blasé. No episódio “um criminoso cruel é assassinado e recepcionado por um anjo encarregado de satisfazer todos os seus desejos. O homem assusta-se por ter ido para o céu, após tantos crimes. Fica confuso, mas acaba aceitando sua boa sorte e começa a pedir somas de dinheiro, refeições, belas mulheres e é atendido. Desfruta de grande prazer. No entanto, com o passar do tempo o prazer começa a diminuir; sua existência sem esforço começa a cansar. Pede ao anjo algum trabalho que o desafie, mas é informado que naquele lugar pode ter o que quiser menos a oportunidade de trabalhar pelas coisas que pede. Pensando que estava no céu o homem diz querer ir para o inferno. Nesse momento a câmara faz um close no rosto do anjo e sua fase transforma-se na face do diabo. Este é o inferno que o hedonista confunde com o céu... ”(BEN-SHAHAR, 2008). Sem propósitos, objetivos e luta a vida perde o sentido e não encontramos a felicidade.
Estamos, enfim, diante da quarta e mais densa postura diante da vida....a de lutarmos, vermos sentido e propósito nessa luta, celebramos e acima de tudo acreditarmos na vida mesmo diante do sofrimento e das adversidades (o chamado por Nietzsche de amor fati). A felicidade está na travessia e não só na chegada. Trata-se de curtir a paisagem e não só o destino e trocar o pneu se for preciso. A felicidade está na luta, no que a significa e no seu resultado (bom ou ruim). É nesse sentido que podemos ser felizes agora e no futuro.
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>>"Não querer nada de diferente do que é, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade. Não só suportar o que é necessário, mas amá-lo. (...) Em suma: quero ser, algum dia apenas alguém que diz sim."" (Nietzsche, GC).
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>>"A guerra educa para a liberdade (e para a felicidade). O que é a liberdade? (A felicidade?) É ter a vontade de responder por si, é ser indiferente às amarguras, às asperezas, às privações; é estar pronto a sacrificar a tudo, sem excecutar-se a si mesmo. Liberdade significa os instintos alegres de guerra e de vitória. (...) Primeiro princípio: é preciso ter necessidade de ser forte (e feliz), caso contrário, nunca se chega a sê-lo" (NIETZSCHE, CI, p.89)

janeiro 12, 2009

O homem que amou demais

Sei que podem estranhar a minha narrativa, confesso que não estou mesmo acostumada a ela...Mas, como já denunciava Walter Benjamin perdemos a capacidade de narrar...de contar histórias e com isso perdemos também a magia dessa forma artesanal de comunicação...tão humana...Faço aqui a minha envergonhada, mas necessária tentativa...

Era uma vez...porque uma vez haveria de ser para que tudo comece e termine...um homem que amou uma mulher mais do que a si mesmo. Um homem capaz de uma amor tão intenso que só poderia ser compreendido por seu modo de ser no mundo. Acostumado que estava a grandes batalhas já havia enfrentado todos os tipos de periculosidades e soube, a cada temor, dar o golpe certeiro de sua espada. Superou, inclusive, o pior e mais temido inimigo.... Uma doença que apoderou-se de seu corpo e tombou-o em uma cama. A suspeita: não voltaria a andar. No entanto, quem poderia diagnosticar esse guerreiro a não ser ele próprio? Não acreditou e se auto-diagnosticou contra tudo e todos: voltaria, sim, a andar, a correr, a lutar e a tudo mais que estava acostumado e ainda melhor. Convicto que estava disso lançou-se, apaixonadamente, em sua mais difícil batalha e dela saiu ainda mais belo e confiante de sua força.
No entanto, não sabia que a sua luta mais desafiadora ainda estaria por vir. Uma mulher. Tão indomável como o seu mais audaz inimigo.Tão livre e incomum. Uma mulher que possuía uma lucidez penetrante que lhe permitia ver além de qualquer formalismo, como se viesse de volta de vinte anos de guerra. Contraditória; pois quanto mais dominava os saberes do mundo, tornava-se cada vez mais impermeável aos formalismos, mais indiferente à malícia e desconfiança, feliz num mundo próprio de realidades simples. E, quanto mais livre dos convencionalismos e obediente a sua espontaneidade, mais perturbadora ficava sua beleza e mais provocante seu comportamento. Tudo nela pecava, por assim dizer, por um excesso de delicadeza*.
Ao contrário da maioria das mulheres não queria casar-se, ter filhos e nada que a limitasse em sua liberdade. A liberdade é, por isso, sua potência. É o vento forte que alimenta seu espírito nos topos dos horizontes das montanhas. Filha do sol, amante do vento da serra, das águas correntes, das cachoeiras, galopa para sentir os ventos doidos nos cabelos*.
Uma mulher que cercava-se da beleza através dos mais delicados objetos, sabedora que era da influência deles sobre cada um dos seus gestos. Tudo que a adornava, tudo que servia para realçar sua beleza, fazia parte dela própria. É, sem dúvida, uma luz, um olhar, um convite à felicidade... *.
Ele, o guerreiro, a escolheu como alvo de seu amor. Mas, por quê? Porque não poderia escolher nada menor do que os grandes desafios a que estava acostumado. E, quanto mais percebia nela uma batalha, mais instigava-lhe a conquista. Não que isso revelasse nele um traço de vaidade, ao contrário, o que o movia era uma nobreza digna dos melhores sentimentos: encantamento, amizade, generosidade, doação e uma série de virtudes dignas de um tratado que as catalogasse.
Persistente e incansável que era em seus objetivos conquistou, enfim, o amor da mulher. Ela estava encantada com sua força, persistência e, especialmente, por sua capacidade de amá-la. O que não significou que tiveram uma vida serena juntos, nada disso. Travaram memoráveis batalhas, herdeiros que eram, ambos, da belicosidade e da obstinação.
No entanto, a mulher viu-se, em determinado momento, impelida por sua natureza. A liberdade a chamou e ela sofreu como nunca ao deixar o guerreiro. A nobreza do sentimento do guerreiro por ela a fez, inclusive, repensar sua própria natureza, a querer ser, por um instante, uma mulher comum. Mas, nada pode impedir um espírito tão ávido por sua liberdade e tão convicto de seu caminho.
Ele sofreu, ciente de perde-la. No entanto, ganhou algo que não poderia imaginar com a sua partida. Uma presença que transformou sua solidão em uma solitude. Descobriu que a capacidade da amar não dependia mais do alvo do seu amor, mas de sua capacidade em si mesma de amar. Eis sua conquista definitiva, soube, enfim, que era um homem que trazia em si a maior força (a que inclusive era a responsável por suas outras vitórias) a sua infinita capacidade de ter o amor em si.
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** * Para a caracterização da mulher combinei o meu próprio texto ao de Gabriel Garcia Marques em "Cem anos de solidão" , quando descreve Remédios; a caracterização da duquesa de Langeais feita por Balzac; trechos de Charles Baudelaire na obra " Sobre a Modernidade" e trechos de Agripa Vasconscelos quando descreve a lendária Dona Beija no livro "A vida em flor de Dona Beija".