junho 20, 2009
DIPLOMA JORNALISMO> Fim do diploma de Jornalismo: fim da liberdade de expressão mediada por comunicadores competentes, risco para democracia

junho 06, 2009
Sobre encontros que transformam nossas vidas: o filósofo Gilles Lipovetsky e a pesquisadora Isabelle Anchieta em Belo Horizonte
"Há encontros em nossas vidas que a transformam completamente" a frase dita por Lipovetsky ilustra bem nosso encontro. Pensar que tudo começou através da leitura de uma de suas obras ...Naquele livro, que tratava sobre a mulher, me deparava com um grande filósofo contemporâneo e suas idéias que se materializavam e se limitavam, supostamente, ao livro que tinha em minhas mãos. Desse primeiro encontro virtual um conjunto de idéias irrompiam, sendo capazes de gerar a energia suficiente para a produção da minha própria pesquisa (que em parte contradiz algumas concepções de Lipovetsky). Do nascimento dela um conjunto de movimentos silenciosos se organizavam para gerar mais uma sequência de ações inesperadas. Fui selecionada para apresentar (com outros 10 pesquisadores internacionais) o meu trabalho "A Quarta Mulher" em Madri, em outubro de 2008. Quem estaria lá? Gilles Lipoetsky. Pois é, foi assim que ele, enfim, conheceu minha pesquisa e se interessou pela forma como conduzi e até contradisse suas perspectivas. Desse ponto uma intensa e rica interlocução se travava entre eu e Lipovetsky. Após quase um ano, foi a vez dele vir ao Brasil, em Belo Horizonte para a Compós (06/2009) e hospedou-se na casa de minha mãe. Digo isso, porque o convívio me ensinou novas e diferentes coisas. Aprendi que para pensar não temos de ser ranzinzas - ele não o é, é divertido, leve, brincalhão. Aprendi que "prazer é tempo": para tomar um café, fumar um cigarro, ler, ficar na varanda tomando o sol de outono e escutando bossa nova. Aprendi que pensar pode acontecer a dois e não só de forma solitária. Pois, todas as manhãs ia até lá e conversávamos longa e entusiasmadamente sobre a minha pesquisa. Me espantei com sua generosidade em me apresentar novas e ambiciosas questões. Quando chegava ele me dizia alegre: ontem a noite estava pensando sobre sua pesquisa e tive uma outra idéia...seguida de indicações de livros que não li. Traçamos, juntos, um plano de estudos para os próximos 4 anos da minha vida. Mas, o que pode parecer o adiamento do sonho é para mim sua consolidação. Um oceano apresenta-se desde então. Mas, estou excitada para começar essa viagem, em parte nova, mas em parte segura já que tenho, agora, um co-piloto que me oferece mapas e sugere a navegação.
Uma noite, em especial, me marcou. Voltávamos de um encontro com alunos do mestrado na PUC e ia deixá-lo na casa de minha mãe quando ele me perguntou se me importava, antes, de caminhar um pouco pelo bairro. Temi por nossa segurança, já era tarde, mas fui. Acho que há anos não fazia isso. Misturou-se nessa caminhada: a noite, o brilho de Belo Horizonte, um certo receio e o entusiasmo de nossas idéias. A cada cinco passos parávamos, um frente ao outro, para defendermos de forma acalourada as nossas perspectivas. Um desses momentos que se intensificam na mistura entre o ambiente e as idéias e que, assim, formam uma imagem definitiva em nossa memória.
Desse encontro com Lipovetsky fica um oceano de idéias e alguns mapas de navegação. Fica a vontade e o prazer de pensar, de ler. Fica a generosidade da troca, do embate, da filosofia. Ficam janelas abertas, fica o sol confortante de outono e mais: a certeza do propósito da vida e a experiência de que para produzir uma bela obra é preciso de encontros felizes e verdadeiros como esse.

maio 31, 2009
Gilles Lipovetsky chega hoje em Belo Horizonte

maio 19, 2009
AMOR E COMUNICAÇÃO> Me dei conta do quanto o amor e a comunicação se combinam

No entanto, hoje as pessoas não querem comunicar, não aceitam perder algo de si para escutar e traduzir as singularidades do outro – por medo de colocarem em questão suas tão confortáveis verdades. Pois, sondar o outro é entrar em uma zona estrangeira, é aventurar-se em um território desconhecido. Muitos preferem confinar-se no conforto de suas supostas certezas a descobrir a dor e a delícia dessa terra encantada que o outro nos apresenta. As pessoas não querem trocar, querem apenas transmitir, unilateralmente, os seus desejos esperando que o outro se encaixe neles. Enunciam aos quatro ventos o que esperam de “uma mulher”, de “um homem”. Quanta bobagem! (se me permitem o desabafo). São essas abstrações simplórias - geralmente recheadas de preconceitos e idealizações sobre o que é uma "boa mulher" ou um "bom homem" - que reduzem a diversidade de todos singulares em generalizações unidimensionais, pobres! São pessoas que trazem uma roupa pronta e querem que o outro caiba naquelas medidas. Mas, o outro nunca cabe (e, que bom!). Porque o outro é sempre sem medida. Porque o outro escapa pelo chamado dos seus próprios desejos. Aprisioná-los é a forma mais rápida de matar o amor, a comunicação, o encontro.
Eis aqui uma exigência do amor: a comunicação. No que tem de entrega, troca e respeito ao desejo do outro.
Por isso, hoje me dei conta do quanto o amor e a comunicação se combinam....

maio 15, 2009
Maitê Proença repercute pesquisa "A Quarta Mulher" da professora Isabelle Anchieta

maio 10, 2009
Maitê Proença e Isabelle Anchieta discutem Amor e Vida na Academia de Idéias


maio 05, 2009
Arrancar a vida
Essa violência necessária. A de arrancar da vida: a vida. Nada de esperar. Não há milagre, dádiva, reza. Chega de ilusões! Mentiras. A vida é de natureza subterrânea, seu alimento se esconde como uma raiz repleta de virtudes que se alimenta no escuro, no solo. Para tê-la é preciso força, desejo e coragem de tomá-la violentamente nas mãos. Arrancá-la e trazê-la a nós. A vida! Ela não é feita de descanso, de paz. Nada de monges que se escondem em sua “paz” tibetana. Escapismo. A vida não pede refúgio. Pede coragem para o sofrimento e a dor necessária. O que simultaneamente nos concede a delícia e o prazer das alegrias e das belezas na experiência. A vida é feita de guerra e de celebração. É luta! Luta para sobreviver a mentira, a falsidade, a falta de caráter, ao comodismo, ao caminho mais fácil e tentador. A zona de conforto, diga-se de passagem, é a mais perigosa. Castra. Inibe. Acalma a vontade, o desejo e retira a nossa maior potência – a da nossa incompletude. Essa falta humana, esse vazio que nos aciona. A alma precisa de estímulos, de propósitos. Confortar-se é retirar o movimento que nos empurra violentamente a diante. Como diria meu amigo Nietzsche “quem pega o atalho perde o caminho”. E, só há um caminho, nele devemos preservar o que somos com dignidade humana. Respeitar o outro sem perder de vista o desejo pessoal. É manter os olhos alertas. A consciência afiada. A verdade em punho, com sua dor e beleza.
Viver. Arrancar. Lutar. Celebrar, na dor, no prazer. Humano, demasiado.

abril 25, 2009
Mônica Waldvogel e Isabelle Anchieta debatem a pesquisa "A Quarta Mulher"

março 30, 2009
Agradecimento pela reportagem no site da Newton Paiva

março 24, 2009
Mônica Waldvogel discute a pesquisa "A Quarta Mulher" com a autora Isabelle Anchieta na Academia de Idéias

Primeira e Segunda Mulher: imagem temida a uma imagem idealizada, Isabelle Anchieta
14/4
Terceira mulher: a emanc. paradoxal da mulher através da moda e do corpo magro., Isabelle Anchieta
24/4
O papel da mídia na emancipação da mulher, MÔNICA WALDVOGEL
24/4
O papel da mídia na emancipação da mulher, Isabelle Anchieta
28/4
Quarta Mulher: a mulher real e possível nas imagens publicitárias do séc. XXI, Isabelle Anchieta
>mais informações pelo telefone: 3281-7750 ou acesse: http://www.academiadeideias.com/

março 13, 2009
março 04, 2009
Professora dará entrevistas na Rede Minas e na TV Assembléia sobre a imagem da mulher na mídia


> Professora participa do programa Sala de Imprensa da TV Assembéia, para debater sua pesquisa "A Quarta Mulher".

março 03, 2009
Diploma em debate: jornalismo de qualidade em sociedade democrática
Em um contexto em que se discute o fim da necessidade da formação superior do jornalista venho aqui fazer o caminho inverso. Tentarei demonstrar quais as razões que justificam não o fim das exigências, mas a sua consolidação e intensificação. O jornalismo é, sim, uma área de conhecimento específico que possui decisiva importância sobre as dinâmicas sociais em que está inserido. Por isso, tem uma responsabilidade acrescida sobre a emancipação ou não dos sujeitos e da sociedade. E, como toda profissão que possui tal responsabilidade social, o jornalismo deve vir acompanhado de três elementos fundamentais: formação de qualidade, liberdade de expressão e limites ao exercício dessa liberdade. É nesse sentido que devemos nos empenhar em legitimar o lugar de um comunicador autorizado capaz de realizar as operações técnicas e éticas próprias à profissão e dignas de uma sociedade democrática. O caminho contrário, a sua deslegitimação, parece servir apenas aos interesses de pessoas que se favorecem da ignorância social e da despolitização dos cidadãos.>>O artigo completo está disponível no site do Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=527DAC001

março 02, 2009
Prêmio "Rumos Itáu Cultural" abre inscrições para estudantes e profissionais
O Itaú Cultural lança os novos editais do programa Rumos. São eles: Arte Cibernética; Cinema e Vídeo; Dança; e Jornalismo Cultural. Todos abrem as inscrições no dia 4 de março e, com exceção de Jornalismo Cultural (que encerram no dia 31 de julho), vão até 29 de maio. A seleção dos projetos será feita por comissões autônomas formadas por especialistas nas áreas contempladas e um representante do Itaú Cultural. Os resultados serão divulgados no segundo semestre de 2009. Em todos os casos, a divulgação será feita por meio da imprensa e do site da instituição www.itaucultural.org.br/rumos, onde se encontram todos os quatro editais e por meio do qual deve se fazer a inscrição gratuita.
março 01, 2009
Sobre a Transitoriedade


fevereiro 26, 2009
O corte no tempo
Não poderia imaginar que a segurança que me acompanhava há anos, um pedaço de mim, pudesse _ em um corte _ ser amputado, separado. Está. É fato. A morte é um corte no tempo que nos separa em instantes da companhia tão amada, tão viva...Agora, é fato. O corte no tempo se impõe. Há segundos, agora horas, agora semanas que me separam aos poucos. De castigo: essa solidão silenciosa, fatal. Vivo todos os sentimentos: ora raiva, melancolia, saudade, alívio, tristeza, confusão, revolta, cansaço. Não sabia como eles poderiam se alternar com tanta velocidade....Enfrento, ainda sem saber como sair, o meu mais grave sentimento, minha mais exigente superação,

fevereiro 16, 2009
Pedaço de mim
A
"
É
(Chico Buarque)

fevereiro 13, 2009
Sobre os indutores do prazer e da beleza

Induzir. Instigar, convidar os sentidos, o corpo. O que chamo de indutores do prazer e da beleza nada mais são do que os pequenos objetos, gestos, ocasiões de que nos cercamos para termos experiências breves e transformadoras, que configuram, em sua constância, a beleza em nós (no que somos e no que nos cerca). As flores sobre a mesa. O ritual de tomar café. Ler o jornal do dia. O encontro com os amigos após o trabalho. Regar as plantas. Galopar. Nadar no "Rio Grande". Ver o entardecer da varanda. Ler um livro com calma e prazer na cama. Um vinho. Um jantar. Um belo vestido. A maquiagem. Um toque de quem amamos, um olhar demorado... Uma paisagem: as montanhas, o mar (o mar...). A casa limpa, perfumada. Cortinas de vuol dançando ao vento. Música. Essas pequenas coisas de que devemos nos cercar, que nada tem de ostentatórias ou artificiais, mas necessárias para produzir a beleza e prazer a nossa volta e em nós. Simbiose alegre...
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janeiro 29, 2009
Felicidade: uma postura afirmativa, mesmo durante o sofrimento

1) O Mártir: aquele que acha que a felicidade está no futuro e, por isso, sacrifica-se no presente. Sua felicidade está em alcançar metas, mas após o alívio de atingí-las sente-se novamente vazio, buscando infinitamente uma nova meta.
No entanto, a felicidade não pode nem ser uma meta futura (inalcançável); não pode ser inconseqüente com o futuro; nem indiferente. Pois, quando o mártir “confunde momentos de alívio com felicidade, reforça a ilusão de que o simples cumprimento de metas nos faz felizes” (BEN-SHAHAR, 2008). Já o hedonista “se engana quando associa esforço com sofrimento e prazer com felicidade”. Há um episódio da série televisiva Além da Imaginação que ilustra bem o erro tanto do hedonista quanto do blasé. No episódio “um criminoso cruel é assassinado e recepcionado por um anjo encarregado de satisfazer todos os seus desejos. O homem assusta-se por ter ido para o céu, após tantos crimes. Fica confuso, mas acaba aceitando sua boa sorte e começa a pedir somas de dinheiro, refeições, belas mulheres e é atendido. Desfruta de grande prazer. No entanto, com o passar do tempo o prazer começa a diminuir; sua existência sem esforço começa a cansar. Pede ao anjo algum trabalho que o desafie, mas é informado que naquele lugar pode ter o que quiser menos a oportunidade de trabalhar pelas coisas que pede. Pensando que estava no céu o homem diz querer ir para o inferno. Nesse momento a câmara faz um close no rosto do anjo e sua fase transforma-se na face do diabo. Este é o inferno que o hedonista confunde com o céu... ”(BEN-SHAHAR, 2008). Sem propósitos, objetivos e luta a vida perde o sentido e não encontramos a felicidade.
Estamos, enfim, diante da quarta e mais densa postura diante da vida....a de lutarmos, vermos sentido e propósito nessa luta, celebramos e acima de tudo acreditarmos na vida mesmo diante do sofrimento e das adversidades (o chamado por Nietzsche de amor fati). A felicidade está na travessia e não só na chegada. Trata-se de curtir a paisagem e não só o destino e trocar o pneu se for preciso. A felicidade está na luta, no que a significa e no seu resultado (bom ou ruim). É nesse sentido que podemos ser felizes agora e no futuro.

janeiro 12, 2009
O homem que amou demais
Era uma vez...porque uma vez haveria de ser para que tudo comece e termine...um homem que amou uma mulher mais do que a si mesmo. Um homem capaz de uma amor tão intenso que só poderia ser compreendido por seu modo de ser no mundo. Acostumado que estava a grandes batalhas já havia enfrentado todos os tipos de periculosidades e soube, a cada temor, dar o golpe certeiro de sua espada. Superou, inclusive, o pior e mais temido inimigo.... Uma doença que apoderou-se de seu corpo e tombou-o em uma cama. A suspeita: não voltaria a andar. No entanto, quem poderia diagnosticar esse guerreiro a não ser ele próprio? Não acreditou e se auto-diagnosticou contra tudo e todos: voltaria, sim, a andar, a correr, a lutar e a tudo mais que estava acostumado e ainda melhor. Convicto que estava disso lançou-se, apaixonadamente, em sua mais difícil batalha e dela saiu ainda mais belo e confiante de sua força.
No entanto, não sabia que a sua luta mais desafiadora ainda estaria por vir. Uma mulher. Tão indomável como o seu mais audaz inimigo.Tão livre e incomum. Uma mulher que possuía uma lucidez penetrante que lhe permitia ver além de qualquer formalismo, como se viesse de volta de vinte anos de guerra. Contraditória; pois quanto mais dominava os saberes do mundo, tornava-se cada vez mais impermeável aos formalismos, mais indiferente à malícia e desconfiança, feliz num mundo próprio de realidades simples. E, quanto mais livre dos convencionalismos e obediente a sua espontaneidade, mais perturbadora ficava sua beleza e mais provocante seu comportamento. Tudo nela pecava, por assim dizer, por um excesso de delicadeza*.
Ao contrário da maioria das mulheres não queria casar-se, ter filhos e nada que a limitasse em sua liberdade. A liberdade é, por isso, sua potência. É o vento forte que alimenta seu espírito nos topos dos horizontes das montanhas. Filha do sol, amante do vento da serra, das águas correntes, das cachoeiras, galopa para sentir os ventos doidos nos cabelos*.
Ele, o guerreiro, a escolheu como alvo de seu amor. Mas, por quê? Porque não poderia escolher nada menor do que os grandes desafios a que estava acostumado. E, quanto mais percebia nela uma batalha, mais instigava-lhe a conquista. Não que isso revelasse nele um traço de vaidade, ao contrário, o que o movia era uma nobreza digna dos melhores sentimentos: encantamento, amizade, generosidade, doação e uma série de virtudes dignas de um tratado que as catalogasse.
Persistente e incansável que era em seus objetivos conquistou, enfim, o amor da mulher. Ela estava encantada com sua força, persistência e, especialmente, por sua capacidade de amá-la. O que não significou que tiveram uma vida serena juntos, nada disso. Travaram memoráveis batalhas, herdeiros que eram, ambos, da belicosidade e da obstinação.
No entanto, a mulher viu-se, em determinado momento, impelida por sua natureza. A liberdade a chamou e ela sofreu como nunca ao deixar o guerreiro. A nobreza do sentimento do guerreiro por ela a fez, inclusive, repensar sua própria natureza, a querer ser, por um instante, uma mulher comum. Mas, nada pode impedir um espírito tão ávido por sua liberdade e tão convicto de seu caminho.
Ele sofreu, ciente de perde-la. No entanto, ganhou algo que não poderia imaginar com a sua partida. Uma presença que transformou sua solidão em uma solitude. Descobriu que a capacidade da amar não dependia mais do alvo do seu amor, mas de sua capacidade em si mesma de amar. Eis sua conquista definitiva, soube, enfim, que era um homem que trazia em si a maior força (a que inclusive era a responsável por suas outras vitórias) a sua infinita capacidade de ter o amor em si.


