Não poderia imaginar que a segurança que me acompanhava há anos, um pedaço de mim, pudesse _ em um corte _ ser amputado, separado. Está. É fato. A morte é um corte no tempo que nos separa em instantes da companhia tão amada, tão viva...Agora, é fato. O corte no tempo se impõe. Há segundos, agora horas, agora semanas que me separam aos poucos. De castigo: essa solidão silenciosa, fatal. Vivo todos os sentimentos: ora raiva, melancolia, saudade, alívio, tristeza, confusão, revolta, cansaço. Não sabia como eles poderiam se alternar com tanta velocidade....Enfrento, ainda sem saber como sair, o meu mais grave sentimento, minha mais exigente superação,
fevereiro 26, 2009
O corte no tempo
Não poderia imaginar que a segurança que me acompanhava há anos, um pedaço de mim, pudesse _ em um corte _ ser amputado, separado. Está. É fato. A morte é um corte no tempo que nos separa em instantes da companhia tão amada, tão viva...Agora, é fato. O corte no tempo se impõe. Há segundos, agora horas, agora semanas que me separam aos poucos. De castigo: essa solidão silenciosa, fatal. Vivo todos os sentimentos: ora raiva, melancolia, saudade, alívio, tristeza, confusão, revolta, cansaço. Não sabia como eles poderiam se alternar com tanta velocidade....Enfrento, ainda sem saber como sair, o meu mais grave sentimento, minha mais exigente superação,

fevereiro 16, 2009
Pedaço de mim
A
"
É
(Chico Buarque)

fevereiro 13, 2009
Sobre os indutores do prazer e da beleza

Induzir. Instigar, convidar os sentidos, o corpo. O que chamo de indutores do prazer e da beleza nada mais são do que os pequenos objetos, gestos, ocasiões de que nos cercamos para termos experiências breves e transformadoras, que configuram, em sua constância, a beleza em nós (no que somos e no que nos cerca). As flores sobre a mesa. O ritual de tomar café. Ler o jornal do dia. O encontro com os amigos após o trabalho. Regar as plantas. Galopar. Nadar no "Rio Grande". Ver o entardecer da varanda. Ler um livro com calma e prazer na cama. Um vinho. Um jantar. Um belo vestido. A maquiagem. Um toque de quem amamos, um olhar demorado... Uma paisagem: as montanhas, o mar (o mar...). A casa limpa, perfumada. Cortinas de vuol dançando ao vento. Música. Essas pequenas coisas de que devemos nos cercar, que nada tem de ostentatórias ou artificiais, mas necessárias para produzir a beleza e prazer a nossa volta e em nós. Simbiose alegre...
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janeiro 29, 2009
Felicidade: uma postura afirmativa, mesmo durante o sofrimento

1) O Mártir: aquele que acha que a felicidade está no futuro e, por isso, sacrifica-se no presente. Sua felicidade está em alcançar metas, mas após o alívio de atingí-las sente-se novamente vazio, buscando infinitamente uma nova meta.
No entanto, a felicidade não pode nem ser uma meta futura (inalcançável); não pode ser inconseqüente com o futuro; nem indiferente. Pois, quando o mártir “confunde momentos de alívio com felicidade, reforça a ilusão de que o simples cumprimento de metas nos faz felizes” (BEN-SHAHAR, 2008). Já o hedonista “se engana quando associa esforço com sofrimento e prazer com felicidade”. Há um episódio da série televisiva Além da Imaginação que ilustra bem o erro tanto do hedonista quanto do blasé. No episódio “um criminoso cruel é assassinado e recepcionado por um anjo encarregado de satisfazer todos os seus desejos. O homem assusta-se por ter ido para o céu, após tantos crimes. Fica confuso, mas acaba aceitando sua boa sorte e começa a pedir somas de dinheiro, refeições, belas mulheres e é atendido. Desfruta de grande prazer. No entanto, com o passar do tempo o prazer começa a diminuir; sua existência sem esforço começa a cansar. Pede ao anjo algum trabalho que o desafie, mas é informado que naquele lugar pode ter o que quiser menos a oportunidade de trabalhar pelas coisas que pede. Pensando que estava no céu o homem diz querer ir para o inferno. Nesse momento a câmara faz um close no rosto do anjo e sua fase transforma-se na face do diabo. Este é o inferno que o hedonista confunde com o céu... ”(BEN-SHAHAR, 2008). Sem propósitos, objetivos e luta a vida perde o sentido e não encontramos a felicidade.
Estamos, enfim, diante da quarta e mais densa postura diante da vida....a de lutarmos, vermos sentido e propósito nessa luta, celebramos e acima de tudo acreditarmos na vida mesmo diante do sofrimento e das adversidades (o chamado por Nietzsche de amor fati). A felicidade está na travessia e não só na chegada. Trata-se de curtir a paisagem e não só o destino e trocar o pneu se for preciso. A felicidade está na luta, no que a significa e no seu resultado (bom ou ruim). É nesse sentido que podemos ser felizes agora e no futuro.

janeiro 12, 2009
O homem que amou demais
Era uma vez...porque uma vez haveria de ser para que tudo comece e termine...um homem que amou uma mulher mais do que a si mesmo. Um homem capaz de uma amor tão intenso que só poderia ser compreendido por seu modo de ser no mundo. Acostumado que estava a grandes batalhas já havia enfrentado todos os tipos de periculosidades e soube, a cada temor, dar o golpe certeiro de sua espada. Superou, inclusive, o pior e mais temido inimigo.... Uma doença que apoderou-se de seu corpo e tombou-o em uma cama. A suspeita: não voltaria a andar. No entanto, quem poderia diagnosticar esse guerreiro a não ser ele próprio? Não acreditou e se auto-diagnosticou contra tudo e todos: voltaria, sim, a andar, a correr, a lutar e a tudo mais que estava acostumado e ainda melhor. Convicto que estava disso lançou-se, apaixonadamente, em sua mais difícil batalha e dela saiu ainda mais belo e confiante de sua força.
No entanto, não sabia que a sua luta mais desafiadora ainda estaria por vir. Uma mulher. Tão indomável como o seu mais audaz inimigo.Tão livre e incomum. Uma mulher que possuía uma lucidez penetrante que lhe permitia ver além de qualquer formalismo, como se viesse de volta de vinte anos de guerra. Contraditória; pois quanto mais dominava os saberes do mundo, tornava-se cada vez mais impermeável aos formalismos, mais indiferente à malícia e desconfiança, feliz num mundo próprio de realidades simples. E, quanto mais livre dos convencionalismos e obediente a sua espontaneidade, mais perturbadora ficava sua beleza e mais provocante seu comportamento. Tudo nela pecava, por assim dizer, por um excesso de delicadeza*.
Ao contrário da maioria das mulheres não queria casar-se, ter filhos e nada que a limitasse em sua liberdade. A liberdade é, por isso, sua potência. É o vento forte que alimenta seu espírito nos topos dos horizontes das montanhas. Filha do sol, amante do vento da serra, das águas correntes, das cachoeiras, galopa para sentir os ventos doidos nos cabelos*.
Ele, o guerreiro, a escolheu como alvo de seu amor. Mas, por quê? Porque não poderia escolher nada menor do que os grandes desafios a que estava acostumado. E, quanto mais percebia nela uma batalha, mais instigava-lhe a conquista. Não que isso revelasse nele um traço de vaidade, ao contrário, o que o movia era uma nobreza digna dos melhores sentimentos: encantamento, amizade, generosidade, doação e uma série de virtudes dignas de um tratado que as catalogasse.
Persistente e incansável que era em seus objetivos conquistou, enfim, o amor da mulher. Ela estava encantada com sua força, persistência e, especialmente, por sua capacidade de amá-la. O que não significou que tiveram uma vida serena juntos, nada disso. Travaram memoráveis batalhas, herdeiros que eram, ambos, da belicosidade e da obstinação.
No entanto, a mulher viu-se, em determinado momento, impelida por sua natureza. A liberdade a chamou e ela sofreu como nunca ao deixar o guerreiro. A nobreza do sentimento do guerreiro por ela a fez, inclusive, repensar sua própria natureza, a querer ser, por um instante, uma mulher comum. Mas, nada pode impedir um espírito tão ávido por sua liberdade e tão convicto de seu caminho.
Ele sofreu, ciente de perde-la. No entanto, ganhou algo que não poderia imaginar com a sua partida. Uma presença que transformou sua solidão em uma solitude. Descobriu que a capacidade da amar não dependia mais do alvo do seu amor, mas de sua capacidade em si mesma de amar. Eis sua conquista definitiva, soube, enfim, que era um homem que trazia em si a maior força (a que inclusive era a responsável por suas outras vitórias) a sua infinita capacidade de ter o amor em si.

janeiro 01, 2009
A falta de um conselho afetivo para começar de novo

Você já sentiu falta de alguém para te aconselhar em um momento confuso, em que está inseguro? Uma fase em que olha para a sua vida e senti angústia por não ter conquistado ainda o que quer? Quando questiona se sua vida está na rota certa? Quando está incerto sobre que caminho e decisões ter para si e para os que estão a sua volta?
Antes tínhamos avós sábios, pais mais pacientes que, com uma pequena frase, faziam nosso coração serenar. Hoje...temos de pagar psicólogos para termos conselhos...sempre com tempo marcado e cifras que impedem uma relação mais afetuosa e verdadeira, elementos necessários para conferir, junto as palavras, paz a nossa alma. Como isso não acontece...somos remediados em nossos vazios.
Como sinto falta de uma pequena frase....como essa que coloquei acima do texto que refleti sobre a necessidade da beleza em nossa vida. E, como não tenho esse tão importante conselheiro afetivo recorro a uma bela herança deixada por meu avó...livros do jornalista e médico norte-americano Orison Swett Marden. Funcionam, para mim, como conselhos deixados por um avó que não conheci...
Logo eu que desconfio do pragmatismo americano me rendi a esse psicólogo que inaugura uma literatura hoje conhecida como “auto-ajuda“. Marden perpetua através de uma linguagem rebuscada e com uma firmeza nas afirmações os conselhos tão necessários em tempos de conflito interno.
Quero aqui compartilhar conselhos da minha coleção de livros empueirados que preenchem minhas estantes e meus vazios...
“ As coisas não mudam, nós é que mudamos. O início de um hábito é como um fio invisível, mas cada vez que o repetimos o ato reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo e nos prende de forma irremediável, no pensamento e ação” Marden

dezembro 11, 2008
Sobre o fim e o início de uma aula
Hoje foi o fim de mais um semestre. E despedir-se de uma turma é como perder algo precioso que foi construído com muito cuidado – no entanto, deixo em seguida esse pensamento saudoso quando percebo que algo perdura contrariando a minha ausência e a deles. Algo que possui uma força que tende para a continuidade e nunca ao fim: o conhecimento. Esse que perdura, cresce e nos torna quem somos. Essa turma (com outras que me foram muito especiais) engrandecem e dão força a essa palavra: ensino. Porque no fim das contas descobrimos que o “ensinar” só acontece quando a troca se estabelece, quando a relação se instaura. Hoje, ao fim de mais uma prova, fiquei conversando com alguns alunos que me davam o retorno sobre a minha forma de tratá-los, especialmente sobre os meus famosos “memoriais” (as fichas individuais que faço dos meus alunos acompanhando seu desenvolvimento durante o semestre) além da segunda chance que dou de revisão, corrigindo os exercícios com minhas fichas e os critérios de avaliação. Diziam que se sentiam respeitados e que realmente percebiam a minha vontade de ensiná-los e de não só transmitir o conteúdo.Não imaginam o quanto me enobrece essa resposta, esse retorno, que felizmente são comuns em minha carreira. Manifestações de carinho e agradecimento que são, realmente, o combustível para meu trabalho. Um sinal de que é esse o caminho da educação: o respeito mútuo, uma obstinada vontade em aperfeiçoar, paciência e entusiasmo pelo que se faz. Obrigado meus caros alunos, pois só posso ser a professora que sou, na medida que tenho alunos igualmente dispostos a estabelecer essa preciosa relação; a relação que nos une por algo tão imaterial e sólido: o conhecimento.
Com carinho e admiração,
professora Isabelle

dezembro 02, 2008
Professora lança seu primeiro livro sobre Jornalismo Cultural (Prêmio Itáu Cultural)

E, pesa sobre essas questões controvérsias. Acusado de empobrecer a cultura por alguns e venerado por democratizá-la por outros o jornalismo cultural é, por isso, uma faceta polêmica e fascinante da comunicação”.
>>OBS. Estou muito entusiasmada com a publicação, minha primeira (espero que de muitas...). Esse é meu grande presente de Natal, o reconhecimento da minha reflexão na área.
II Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural
O norte-americano Andrew Leland, editor da The Believer; o diretor da Folha de S.Paulo, Otávio Frias Filho; e o professor de história da cultura Nicolau Sevcenko são alguns dos nomes que estarão reunidos no II Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural.
Sala Itaú cultural - Itaú Cultural Avenida Paulista 149 - Paraíso [próximo à estação Brigadeiro do metrô]
informações 11 2168 1777 www.itaucultural.org.br

novembro 25, 2008
Qual o tempo necessário para tornar-se uma pessoa genial?
Dez anos. Essa é a conclusão da pesquisa do inglês Malcolm Gladwell em seu recente livro Outliers (Ed:Sextante) que chega ao Brasil em dezembro. Sua maior curiosidade era a de entender porque algumas pessoas fazem sucesso, são reconhecidas e outras não. No livro demonstra que todos os grandes gênios (como Bill Gates; Einstein; Pelé; Machado de Assis; Obama e Madona) levaram cerca de 10 anos para serem o que são. “O que são dez anos? Bem, é mais ou menos o que se leva para obter 10 mil horas de prática (cerca de 20 horas semanais). Dez mil horas é o número mágico da grandeza”.Mas, você pode indagar: quem tem condições de se dedicar 20 horas semanais a um projeto que lhe é caro? O autor responde que há, realmente, uma série de fatores que devem somar-se para a produção de um grande gênio. Ou seja “se não houver um entorno protetor e uma situação adequada, mesmo a pessoa mais genial pode ser tragada pela vida sem deixar vestígios”. Machado de Assis, por exemplo, era apaixonado por livros, quase foi demitido de seu cargo na Imprensa Nacional, por não parar de ler. Contou, para isso com a apoio da esposa Carolina, uma mulher compreensiva ao emprenho do marido à literatura. Pelé por sua vez contou com o incentivo do pai, centroavante profissional, para que desde cedo aperfeiçoasse a técnica e treinasse mais do que todos os seus colegas.
Bill Gates formou-se em caras escolas financiadas pelo pai, o mesmo aconteceu com Einstein, filho de um industrial e que teve amplo acesso à melhor educação européia. Moral da história: “Ninguém _nem o astro de rock, nem o atleta profissional, nem o bilionário do software, nem o gênio, chega lá sozinho”, segundo Gladwell.
>>>O que as pessoas geniais nos ensinam:
1) Não existe sucesso sem trabalho duro, por toda a vida,
2) O entorno é fundamental. Não existe sucesso sem apoio de um companheiro, da família ou de uma comunidade,
3) A adversidade na infância ou a noção de valor aprendida com pais austeros é presença constante na história de pessoas de sucesso. Mimados, ao que parece, não vão longe,
4) A prática que produz a excelência leva tempo. Antes de aparecer para o público a pessoa passa anos no anonimato, construindo,
5) Tenacidade. Pessoas que não se abatem com facilidade. Distinguem-se por seguir em frente apesar das (inevitáveis) decepções,
6) Conte com a sorte,

novembro 14, 2008
A cidade horizontal...
A cidade mais sonhada e etérea promete uma vida, sem entregá-la totalmente. Ela é tudo o que parece ser: há luzes que encantam nossos pequenos olhos e construções realizadas com uma única função: a de nos espantar ora pelos detalhes, ora pela grandiosidade. Mas, essa cidade não pode ser explicada por suas construções e pelas artes que concentra...como poderei te explicar?! Vou tentar...Uma moça anda lentamente de bicicleta na calçada. Suas pernas giram nesse pequeno esforço. No cesto leva várias cartas em envelopes caprichosos e coloridos. Imagino agora a letra, as palavras e a afetividade que só uma carta a mão poderia trazer. Agora ela atravessa a calçada, tomba a bicicleta em um poste e dirigi-se a uma feirinha de frutas, flores e queijos. A cena, agora a distância, mistura-se ao conjunto de prédios, pessoas e cores. Uma promessa de vida...
Os corredores radiais nos apresentam um “leque” de ruas para nos perder. E perder-se nessa cidade significa encontrar uma pequena loja de antiguidades, uma floricultura, um pequeno restaurante ou ainda ter de se desviar das charmosas mesinhas de um Café espalhadas na calçada. Há também sorveterias em que as bolas não são arremessadas agressivamente na casquinha, mas montadas com uma espátula a fim de formar, pétala a pétala, uma flor. Lá aprendi que bola de sorvete não tem que ser redonda...rs. Isso me fez perceber que nessa cidade nada é prático, nada combina com uma vida "fast food". Tudo dá trabalho, mas é esse trabalho que concede a todas as coisas corriqueiras uma aura. Como se o ritual de preparação delas fosse também a condição necessária de sua densidade sensível.
Assim, como explicar essa cidade em que o dia demora a raiar e há praças e esculturas que provocam uma sensação paradoxal: a de sermos pequenos e grandes. A primeira vista nos sentimos reduzidos diante de tantas construções e histórias memoráveis. Mas, em seguida, a cidade generosamente nos acolhe. Não que o faça por sua verticalidade amedrontadora, mas em seu horizonte impreciso, no que promete sem nunca dar. No que deixa incompleto, a brecha para o desejo. Abre para nós, no raiar tardio e inevitável desse horizonte, a possibilidade também de sermos grandes...

novembro 04, 2008
O piloto "Laboratório de Moda Brasil" é finalista no Festival Internacional de TV
O piloto Laboratório de Moda Brasil ficou entre os 7 finalistas finalista do IV Festival Internacional de Televisão 2008, na categoria entretenimento, concorrendo com 130 pilotos de todo o Brasil. O projeto idealizado por mim e pela designer Adrienne Rabelo (minha mãe) foi adaptado para ser uma série para a TV em parceria com a produtora de vídeo Cara de Cão/BHZ, com direção de Alfredo Alves. Para saber mais sobre o Festival Internacional de Televisão 2008 aqui

novembro 02, 2008
Projeto Laboratório de Moda Brasil - CIM 2008, Madri/Espanha
Autoras:
Isabelle Anchieta de Melo
Adrienne Rabelo Anchieta
Obs. 1> A animação acima foi criada pela brasileira que integra a equipe do museu do Traje, Angélica Santos. Ela documentou a apresentação e a divulgou em seu blog (mi-cajon.blogspot.com). Vale a pena visitar o blog da Angélica que, com colaboração de outros "cariocas espalhados pelo mundo", dá dicas generosas e singulares da moda e dos modos de vida na Europa.
oBS 2> O projeto "Laboratório de Moda Brasil" foi tb adapdato para se tornar uma série para a TV. Gravamos durante 2007/2008 um piloto que envolveu a participação de 11 estudantes de design, uma produtora de vídeo - Cara de Cão/BHZ - com direção de Alfredo Alves. Estamos negociando sua exibição com algumas emissoras, que sabe, em breve, o programa irá ao ar...

A função humanizadora da Moda - CIM 2008

> RESUMO DA PALESTRA DE ALFREDO CRUZ NO 1º CONGRESSO INTERNACIONAL DE MODA, em 23/10/08, Madri
ALFREDO CRUZ (filósofo espanhol)
Contrapondo-se a moda despótica o filósofo recorre ao mito de Narciso. Para ele se a moda olhar apenas para si mesma ela irá morrer; para que seja humana terá de olhar para o mundo e para o vivido. Critica o narcisimo tanto econômico como do processo de criação da moda (especialmente dos criadores fechados em seu mundo). Mas, aletra também para o perigo de entender a moda ética como uma moda a serviço de... A moda a serviço da paz, da pobreza, da política, da consciência. Para ele isso não é uma moda ética, já que ela torna-se um instrumento de uma causa que lhe é externa. A moda não deve servir a causas que lhe são exteriores já que a ética da moda reside em si mesma. O cultivo da moda, no sentido cultural é fundamental para a transcendência humana: a moda é algo verdadeiramente humano.

A moda e o luxo na era Hipermoderna - CIM 2008

>RESUMO DA PALESTRA DE LIPOVESTKY NO 1º CONGRESSO INTERNACIONAL DE MODA, em 22/10/08, Madri
GILLES LIPOVETSKY (filósofo francês)
Se gostou da discussão a dica é ler o livro: LIPOVETSKY, Gilles; ROUX, Elyette. O Luxo Eterno.São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

outubro 30, 2008
Primeiro Congresso Internacional de Moda em Madri - repercussão
Queria compartilhar também a repercussão da apresentação da segunda pesquisa selecionada para Congresso Internacional, em Madri, o projeto "Laboratório de Moda Brasil". Eu e minha mãe, a designer Adrienne Rabelo, ficamos entre os 10 pesquisadores escolhidos no mundo todo para apresentar o trabalho na programação oficial. Para nossa surpresa o trabalho repercutiu muito, as pessoas tiravam fotos dos slides e dos desenhos. Após a apresentação fomos convidadas por mais três Universidades (EUA, México e Espanha) para reapresentar o trabalho, legal, não!? Uma participante do Congresso, uma brasileira, Angélica da Silva, que hoje faz parte da equipe do museu do traje registrou toda a palestra e divulgou em seu blog na forma de slide (disponibilizei o slide tb no blog). Obs. A Angélica é uma pessoa super generosa e seu blog digno de atenção, compartilha junto com outros cariocas espalhados pelo mundo dicas preciosas sobre Moda e Modos de Vida na Europa, para quem quer dicas preciosas o site as oferece generosamente

outubro 02, 2008
O animal que voa com a cabeça

Fomos obrigados a voar com a cabeça. Diante do precipício das nossas limitações construímos pontes. Ultrapassar. Ir além do que nos torna banais. E se voar é fruto da superação de nossos limites e deficiências, isso torna-se ainda mais grave para aqueles ditos “fracos”.
Mas, os fracos de possibilidades, os não agraciados pelo destino que tem fome de vida e superação são os homens/mulheres que voam. Rastejam, desejam asas e voam. Uma potência que testa nossa paciência, nossa coragem, nossos limites. Cansa, mas há de restar sempre a fé no que se pode vir a ser. E, se só ela restar, toda a força pode ser restituída de uma só vez. Podemos perder tudo, nunca essa pequena chama, capaz de reacender todo o nosso ser.
Agora entendo a frase de Nietszche em que afirma que...“ se mais adiante, te faltarem todas as escadas, será preciso saberes trepar sobre a tua própria cabeça; senão como quererias subir mais alto?” (Nietzsche. AF.Z, P.122)

setembro 03, 2008
O belo na necessidade das coisas...

Há uma diferença sutil entre o belo e o tornar as coisas belas. O primeiro é; o segundo torna-se. E, é esse segundo movimento o que mais me fascina. Tornar as coisas belas é fazer dos objetos, das paisagens, dos gestos, dos outros fatos extraordinários em nosso cotidiano. Ritualizar a vida. Aprendi isso, com a mais dura realidade. Quando nos falta o tempo, as possibilidades temos de aprender a ver na vida mais do que obrigações e o feio. É preciso ver o belo na necessidade das coisas. Assim, com a “falta”, aprendi a colocar nas coisas mais banais um gosto incomum. Meus banhos têm cheiros, música e alegria. Meu café é feito vagarosamente até o cheiro contaminar toda a casa. Meus livros são saboreados com uma vibração incomum, cada página pode me provocar insônia (como quando li o “Niilismo europeu” de Nietzsche). Me alegro com suas palavras, pois produzem uma fé sem religião, uma fé em minha potência, no meu vir a ser, mesmo quando as vistas escurecem e o corpo tomba de cansaço – como agora. É preciso ter coragem e beleza para se viver. São as duas coisas fundamentais. Se morre quando não se pode mais lutar. E a vida só tem sentido na luta e na celebração.
Isabelle Anchieta
“Vou dizer qual é o pensamento que deve tornar-se a razão, a garantia da doçura de toda a minha vida! É aprender cada vez mais a ver o belo na necessidade das coisas: é assim que serei sempre daqueles que tornam as coisas belas. Amor fati: seja esse de agora em diante o meu amor. Não quero fazer guerra ao feio. Não quero acusar, nem mesmo os acusadores. Desviarei o meu olhar, será essa, de ora em diante, a minha única negação! Em uma palavra, não quero, a partir de hoje, ser outra coisa senão um afirmador” (Nietzsche, GC)

agosto 04, 2008
Curso da professora em parceria com o antropólogo Roberto DaMatta e a designer Adrienne Rabelo
A Moda brasileira e suas identidades Existe uma moda brasileira? Em um país multicultural não seria melhor dizer que existem “modas” no plural? Como podemos encontrar modas brasileiras e produzir produtos com identidade e valor agregado? São essas as questões que a designer e artista plástica Adrienne Rabelo e a pesquisadora e mestre em comunicação Isabelle Anchieta de Melo irão discutir. As mineiras são as brasileiras escolhidas para representar o Brasil no primeiro Congresso Internacional de Moda (CIM 2008) que acontece na Europa, em Madri. Elas desenvolveram um projeto denominado “Laboratório de Moda Brasil” que tem como desafio levantar as múltiplas identidades das modas no país.
Professores:
Roberto Damatta - Antropólogo, Ensaísta de Cultura, Professor Doutor da Universidade de Notre Dame (EUA), Doutor pelo Peaboy Museum, Harvard University (EUA). Foi pioneiro nos estudos de rituais e festivais em sociedades industriais, tendo investigado o Brasil como sociedade e sistema cultural por meio do carnaval, do futebol, da música, da comida, da cidadania, da mulher, da morte, do jogo do bicho e das categorias de tempo e espaço. Considerado um dos grandes nomes das Ciências Sociais brasileiras, DaMatta é autor de diversas obras de referência na Antropologia, Sociologia e Ciência Política, como Carnavais, Malandros e Heróis, A casa e a rua ou O que faz o brasil, Brasil?.
Adrienne Rabelo - Design e consultora de moda, formada em Belas Artes pela UFMG e com curso de estilismo pelo estúdio Berçot/Marie Rucki de Paris. A design foi premiada por suas criações nos concursos Santista de estilismo e Smirnoff Internacional. Foi coordenadora de moda da Indústria têxtil Ferreira Guimarães e gerente do Moda Tec Fiemg (Federação das Industrias de Minas Gerais). Realiza pesquisas periódicas de tendências e oferece consultorias e palestras para várias empresas. É professora universitária de design de moda e desenvolve uma linha de acessórios que leva o seu nome e que reúne tecnologia com o feito a mão. Produzindo formas e modelagens originais suas bolsas foram selecionadas e expostas no encontro Brasil/França na Galerie Lafayette em 2005.
Isabelle Anchieta - Jornalista, mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É pesquisadora pela UFMG, no grupo "Jornalismo, Cognição e Realidade" (JR), que tem como objetivo sistematizar, contextualizar e analisar as Teorias do Jornalismo. Foi apresentadora e editora do jornal da Rede Globo em Minas Gerais. Repórter de documentários especiais pela TV Cultura (Rede Minas de Televisão). É professora de Teorias da Comunicação; de Estudos Avançados em Comunicação e Teorias do Jornalismo no Centro Universitário Newton Paiva.
>>Mais informações no site da Academia de Idéias: http://www.academiadeideias.com/index.asp

julho 08, 2008
Reportagem no jornal Estado de Minas sobre projetos da professora no 1º Congresso Internacional na Europa

julho 02, 2008
NoivaS do Cordeiro: uma história real de preconceito e solidariedade entre mulheres de uma comunidade rural de Minas Gerais
Mais de 200 mulheres unidas por um sentido de vida coletiva que está além de qualquer formalismo, ideal político ou religioso. Um estar junto alicerçado em sentimentos raros e incomuns nos dias de hoje: o respeito mútuo; a solidariedade e essa palavra de luxo, o amor. Vivem em uma comunidade rural, tão perto e tão longe de Belo Horizonte: Noiva do Cordeiro, em Belo Vale, região Central de Minas, a 100 km da capital mineira.Mas, essa vida organizada pelo “amor” tornou-se (sem que tivessem essa intenção) um modo revolucionário de se viver. Estas mulheres incomodaram profundamente pessoas habituadas as regras, aos dogmas, a desconfiança, a violência e ao desamor. Tanto que a comunidade que surgiu no sec. XIX foi por muito tempo isolada de outras pelo preconceito. Taxadas de prostitutas e com o agravante de não adotarem o catolicismo como religião e o casamento como regra elas sofreram, injustamente, uma série de constrangimentos.
No entanto, enganam-se os que acreditam na ingenuidade das “moças da roça”; articuladas e sabedoras de seus direitos essas belas mulheres viraram o jogo. Criaram uma associação; receberam a primeira escola de informática da zona rural de MG e hoje vendem os produtos artesanais que fabricam para lojas da região.
Quem "deu a ver" essa história foi o jornalista Gustavo Werneck em reportagem para o jornal Estado de Minas. Dela tomou conhecimento um colega e grande diretor de TV Alfredo Alves. Sensibilizado Alfredo resolveu contar a história dessas mulheres em um vídeo que foi ao ar pela GNT no dia 26/06/08. Um documentário que concilia um apurado senso estético e poético em sua edição, narração da escritora Lya Luft e depoimentos que nos fazem repensar o modo de vida que adotamos viver.
>>>>Para assistir parte do documentário clique aqui



