junho 12, 2014

Tentei torcer...não consegui....


Comprei uma linda camisa e esperava, em algum momento, ser tomada por esse sentimento que nos congrega _ a melhor parte da Copa para mim. 
Esses dias, em conversa com um historiador da USP ele lembrava dessa sensação que nos acontece em poucos momentos da vida social, a de estarmos integrados. Cada bandeira na rua, a ausência da timidez em abordar e brincar com o outro, nos oferecia uma irmandade.... Mas, porque esse sentimento não me atingiu?...Acho que uma série de artifícios nos atravessaram: a Fifa, suas regras e mesmo a abertura do evento é um sintoma visual dessa nova "colonização"...Não me sinto representada naquela colagem mal feita de estereótipos. Mas, minha vergonha não se limita a essa imagem, quase infantil, do Brasil. Tenho vergonha dos nossos políticos, dos magistrados (que forçaram a aposentadoria do único Ministro que tentou fazer de fato o seu trabalho). Tenho vergonha do uso político da Copa. Em ter o futebol como prioridade _ sou mais da turma que prefere escolas e hospitais. Que prefere menos a corrupção e mais transparência. Mas, não deixei de me sensibilizar com os brasileiros que tentam torcer e se congregar para além dos artificialismo que se impuseram e que estão sendo, pela primeira vez, desvelados cruelmente. Me impressiona sobretudo a capacidade reflexiva dos brasileiros na crítica da Copa como uma forma moderna do "pão e circo" e me orgulho da tomada de consciência, ainda que tardia _ já que devíamos não ter querido a Copa quando Lula manobrava para consegui-la. Dilma recebeu o ônus do que foi um dia os louros do seu antecessor. E nós estamos diante do desafio de ter a maturidade de separa o joio do trigo...não acho que cabe vaiar a presidenta da república no estádio, nem mesmo quebrar a cidade como protesto. Há de se saber protestar e de mudar o país de forma definitiva. Aconselho seguirem a nova iniciativa do movimento que emplacou o Ficha Limpa e agora tenta vingar uma reforma política #eleiçõeslimpas, organizado por Márlon Reis. Não é quebrando a cidade que demonstraremos a nossa vontade de mudar e as novas prioridades do país, mas criando mecanismos legais que impeçam a corrupção e nos permitam participar do processo político através de formas de representação semi-direta via Leis de Iniciativa Popular, Referendos e Plebiscitos. Teria sido uma boa ideia Lula ter nos perguntado o que queríamos: a Copa ou as Escolas, não acham?
Foto: Samuel Macedo

novembro 10, 2013

Socióloga brasileira está entre os escolhidos na Competição Mundial organizada pelo ISA (Associação Internacional de Sociologia)/ UNESCO


Com o artigo intitulado “A sociedade de rostos” em que trata da crescente importância da imagem humana_ e sua circulação nas redes sociais_ como uma nova forma de luta por reconhecimento e integração social no séc. XXI a aluna da pós-graduação da USP, Isabelle Anchieta _orientanda da professora Maria Arminda Arruda do Nascimento_ foi escolhida, junto a outros sete doutores e doutorandos, na Sexta Competição Mundial de jovens sociólogos convocada pela Associação Internacional de Sociologia , com apoio da UNESCO . Foram primeiramente selecionados 120 artigos centrados em problemas socialmente relevantes entre pesquisadores de instituições de ensino em todo o mundo, formados há menos de 10 anos. Em seguida 8 foram selecionados sendo a doutoranda a única brasileira. Isabelle receberá menção honrosa durante o XVIII Congresso Mundial de Sociologia que ocorre em Yokohama, Japão, em julho de 2014.
Para a reflexão  Isabelle selecionou, como estudo de caso, o drama das mulheres sem rosto do Paquistão, que sofreram a desfiguração por meio de ácido por seus companheiros e o impacto de suas imagens nas redes sociais brasileiras. Seu objetivo era demonstrar como a violência contra a expressão mais visível da identidade social, o rosto, promove uma comoção que supera fronteiras étnicas, raciais, sexuais e culturais, instaurando a ideia de Humanidade.
Em um trecho afirma: “Trata-se de um processo social que aponta mudanças nas relações de poderes _ em que os indivíduos começam a questionar a soberania dos Estados-nação e inclusive de sua cultura local, em defesa de algo que nos transcende e nos une: a humanidade. Ideia que tem ganhado materialidade e força através de organizações internacionais e na crescente demanda por Direitos Humanos. Dados que indicam um nova tendência global nas relações humanas, uma nova forma de luta por reconhecimento, identificação e integração, que tem curiosamente como motor a aceleração da individualização. Momento em que todos tratam se ser vistos, ouvidos e lidos em um novo ambiente global onde a imagem do rosto passa a ser a expressão mais aguda do direito de individualização. A face parece ser a imagem dessa nova ordem de socialização e integração pós-nacional”.
Atualmente a doutoranda conclui sua tese intitulada de “A Sociogênese da Imagem da Mulher no Ocidente, após a Descoberta da América” para o programa de pós-graduação em Sociologia da FFLCH, da USP. A aluna tem mestrado em Comunicação Social pela UFMG e atuou como professora de Jornalismo Cultural na Universidade Mackenzie/SP, Newton Paiva/BH e como jornalista para a Rede Globo Minas e repórter para a TV Cultura.
• Contatos: 

isabelleanchieta@usp.br
Isabelleanchieta@gmail.com
https://www.facebook.com/isabelleanchieta

outubro 16, 2013

Meu cavalo morreu

Meu cavalo morreu. E, com ele, parte da minha experiência de liberdade. Dizem que são as pessoas que nos formam...Verdade, mas incluiria os animais e os objetos nessa afirmação. Parece estranho?! Mas, creio que minha percepção do mundo está mediada por muitas experiências: a do avião, da fotografia, dos carros, dos livros, das telas....Mas, hoje quero falar do meu branquinho. Não tinha nome, apenas sua cor, um branco manchado (de bolinhas negras). Não que seja a ausência de sua nomeação uma desconsideração da minha parte, mas o reconhecimento de que não podia ser cercado por palavra, arame, curral algum... Era um bicho bravo. “Tinha ardência”, dizia meu pai. Era difícil montar nele, já saia disparado. Se outro cavalo ao lado o ultrapassasse...ai, ai, ai...eu já me preparava...unia forças (não sei mais de onde) e ultrapassava... sempre. Tinha de estar ali: na frente. Cavalgava um espírito nato de um cavalo de corrida. 

Uma vez me jogou em um monte de espinhos, sangrei como nunca. Me levantei, bati em seu rosto e voltei a ele. Não me ofendia: me ensinava a ser brava. O branquinho era assim...não gostava de ordem: gostava de correr. Isso, sim, como gostava...como se eu não estivesse em cima dele querendo o mesmo. Era ele ali, querendo. Uma vontade visceral, sentida, que me liberava do peso do cabresto. Sinônimo de uma experiência rarefeita em minha vida: a de não sentir culpa. A melhor tradução que encontrei para a liberdade. Éramos, assim: dois brincando de sermos livres nesse galope. Separados: unidos. Companheiros em busca desse ar acelerado, desse coração que palpita, desse medo alegre...
Como posso sentir isso sem ele? De verdade, eu ainda não sei...

outubro 15, 2013

Porque os professores deveriam ter o salário de um deputado e o reconhecimento de um jogador de futebol?


Desde o movimento “Não é só por 20 centavos” circula na net uma frase do dramaturgo Bertolt Brecht muito oportuna a introdução deste texto: “Que tempos são estes que temos de defender o óbvio?” 
Nunca entendi porque um professor ganha menos do que um deputado, um senador, um juíz, um promotor de justiça?! Nunca entendi porque tem que trabalhar tanto, repetir aulas acriticamente e não tem tempo para estudar e se aperfeiçoar?! Nunca entendi porque deve publicar artigos de graça em revistas científicas e ainda conceder todos os direitos autorais do seu trabalho intelectual? Nunca entendi porque no final do mês ele quase não consegue pagar suas contas e tem uma vida restrita em todos os sentidos, inclusive culturalmente. Não tem recursos para viajar, comprar livros, participar de congressos ou mesmo oferecer um ensino de qualidade aos seus filhos.
Nunca entendi porque ele não é valorizado por empresários e políticos? Porque sua profissão não é tida como uma profissão? Será que é porque ganhamos trocados em troca do nosso trabalho intelectual? Porque a produção de conhecimento, por ser imaterial, não possa ser quantificada? Ou, porque não estamos no poder formulando as leis e definindo os nossos próprios salários?
A corrupção e o auto-favorecimento levam a uma miopia perigosa, inclusive para os mensaleiros de plantão. Pois, sem o desenvolvimento do país os seus interesses também estão em risco. Um país que não gera riqueza, não é um bom país para ninguém. O ganho imediato, o “tudo para mim”, a falta de princípios conduz a uma cegueira a médio, longo prazo. Lembrem-se do óbvio: são os professores que formam os juízes, os engenheiros, os médicos, os jornalistas, os economistas, os sociólogos, psicólogos... Querem bons profissionais? Teremos de formar bons professores. Um país desenvolvido, rico e autossuficiente é um país que investiu em algum momento nos profissionais da educação.
Um investimento financeiro, claro, mas também social: o de seu reconhecimento ampliado. Pois, como nos lembra o educador Paulo Freire ensinar não é uma mera transferência de conhecimento . Depende de uma relação de integridade, pois é acima de tudo um encontro humano, esse, sim, uma forma de abrir-se a possibilidades...
Mas, infelizmente não é essa a aposta do país, quem sabe seja por esta razão que nos revelamos ao mundo uma aposta frustrada. Uma país que tinha tudo para decolar e não decolou.
No entanto, uma faísca se ascende em meio a neblina: professores e alunos unidos em solidariedade em defesa da educação. Dois grupos que, de fato, podem reconduzir o país para o desenvolvimento e para a formação de princípios éticos.
Creio, sem duvidar, que o fortalecimento deles é o caminho para o bem estar social

julho 17, 2013

Estou indignada com a indignação

Revendo ontem uma entrevista com o filósofo Luc Ferry, percebi o quanto seria oportuno para o país escutar suas palavras nesse momento. Tratava, dentre outros temas, da indignação lembrando que a própria palavra é sintoma do seu mal: crer que somos demasiado dignos e que o outro não o é. A despeito da indisposição do filósofo com a indignação acredito que ela é, até certo ponto, um sintoma saudável de que nosso grau de intolerância ao mal feito continua vigoroso, que nem tudo é relativo e indiferente, que não somos passivos e apáticos. Mas, concordo com o fato de que: “a indignação é um sentimento que se deve saber superar. É preciso passar logo a outra coisa. Deve ser uma pequena faísca, nada mais do que isso”. Essa frase me deixou pensando: soubemos superar a indignação no Brasil? Infelizmente creio que não. Fui uma entusiasta da reação dos brasileiros, mas hoje me sinto decepcionada com a condução do debate, ou melhor das indignações. As pessoas continuam a atacar, mas não a propor. E quando as propostas surgem logo são desqualificadas. Adotou-se uma postura de “recusar por recusar”, como disse sabiamente minha colega, a professora Cicélia Pincer.

Percebi que isso aconteceu com a proposta do Plebiscito. Eu não votei em Dilma e de fato não gosto do que o PT se tornou, mas me surpreendi com a sua coragem, como enfrentou de imediato o tema. Propôs e, ainda assim, foi e é alvo de uma infinidade de críticas, especialmente por ter sido ‘precipitada’, quando na verdade respondia, com respeito e rapidez, aos manifestantes _ ao contrário do silêncio prolongado de Lula no caso do Mensalão. Suas propostas foram enfraquecidas pela série de ataques que sofreu, ficando praticamente isolada (mesmo diante dos integrantes do seu partido).  Com isso, o Congresso se viu desobrigado a atender suas propostas. Ao meu ver o Plebiscito não se reduziria a responder 5 ou mais perguntas, seria uma boa oportunidade para abrir um amplo debate sobre a Reforma Política para o qual os brasileiros demonstram-se preparados e não deixar que as mudanças ocorram a nossa revelia.

Outra proposta de Dilma também foi deformada rapidamente pelos Congressistas, a dos royaltis do petróleo (a presidenta propôs destinar 100% para a educação). “O repasse caiu de R$ 279,08 bilhões para R$ 108,18 bilhões. No caso da educação, o porcentual diminui 53,43%: de R$ 209,31 bilhões para R$ 97,48 bilhões. Na saúde, com a redução de 84,7%, o valor despenca de R$ 69,77 bilhões para R$ 10,7 bilhões” (ES). 

Na Argentina, onde moro no momento, por exemplo, fomos também as ruas em 4 oportunidades, mas Cristina ignorou o movimento, desqualificou-o e nada mudou.  Ainda que os Congressistas tenham também reagido “positivamente” a algumas indignações da rua creio que a boa vontade é esporádica. Para que torne-se contínua é preciso que as pessoas participem do processo político através dos instrumentos de participação direta (Plebiscito, Referendo e Projetos de Lei de Iniciativa Popular).

Sobre esses últimos uma conquista está sendo igualmente desqualificada pelos indignados, a assinatura digital, que tramita para ser aprovada. A PEC “reduzirá para a metade o número de adesões de eleitores necessárias à apresentação de um projeto de lei de iniciativa popular. O total de assinaturas exigido para que um projeto de lei de iniciativa popular possa ser aceito e tramitar no Congresso, segundo o texto, cairia do atual 1% do eleitorado nacional para 0,5% - de 1,4 milhão para cerca de 700 mil pessoas. A proposta abre, além disso, a possibilidade de se coletar assinaturas pela internet, o que tende a tornar-se bem mais fácil levar adiante tais iniciativas. O texto segue agora para a Câmara”. Mas, já há críticas do que dizem que nem todos tem Internet e que isso seria uma medida classista....

Primeiro a assinatura eletrônica não excluí a convencional, pode ser somada a ela. Por isso, não impede que todos que tenham ou não acesso a rede participem e assinem. Não contemplar a eletrônica seria ao meu ver um retrocesso histórico. Temos de acompanhar o nosso tempo, usar as conquistas tecnológicas a nosso favor para facilitar e incentivar a participação direta e semi-direta. Para se ter uma ideia apenas uma (1) Lei de Iniciativa Popular foi realizada no país _ o Ficha Limpa. Prova de que o sistema atual inviabiliza e dificulta a participação. As Leis tem que acompanhar as mudanças sociais, dentre elas incluir o universo digital, que torna-se rapidamente um espaço inclusivo e massivo.  


 Mas, é preciso também mudar a atitude. Ultrapassar o jogo de indingações e barganhas de classe e partidos. Hoje penso o quanto deve ser difícil ter propostas de fato e colocá-las em prática diante de tantos indignados (e interessados). De fato, "temos muito mais necessidade da inteligência e da coragem do que da indignação" Luc Ferry. 

http://issuu.com/urbhano/docs/urbhano_25x35_edicao_09_revisado_we

abril 26, 2013



O título da imagem? "A descida da Cruz". Da artista australiana Lee-Trewartha, em um estilo que nomeou de neo-barroco.
O que acho mais curioso (para além da força das expressões) é como ela combina esse recorte com o título da obra. Prova que, para termos uma imagem completa, basta uma indício para a recompormos mentalmente. Uma expressão que pode _inclusive_ dizer mais do pathos da imagem do que toda a composição (que torna-se, cada vez mais dispensável). Uma operação possível porque as imagens são, acima de tudo, parte (integrante e atuante) da  memória social. De um armazenamento e arquivamento simultaneamente coletivo e individual que nos possibilita produzir e ver imagens cada vez menos literais, mais complexas e inacabadas a medida que o tempo transcorre.

Para conhecer mais o trabalho de Lee: http://www.leeannetrewartha.com/


abril 03, 2013

O que nossa imagem não pode captar

As fotos são uma expressão contraditória do que sentimos. Sempre sorrimos para o flash. Não fazê-lo seria igualmente uma "atuação" às avessas. O que cria uma curiosa sinuca na nossa representação visual. A combinação com o texto é boa nesse sentido, restitui à cena algumas sensações que não podem ser capturadas por esse instante. Nem sempre viajar todo o tempo é bom (ficar longe do seu trabalho, carreira, amigos, cidade, língua). O estado de férias contínuas _o sonho de muitos brasileiros e suas mega-senas_ pode revelar-se para outros o fim dos desafios criativos.  Nem sempre a presença de pessoas significa companhia e amizade. "Detesto quem me rouba a solidão, sem me oferecer a verdadeira companhia" Nietzsche  (que em geral encontro  nos livros, com autores que merecem meus ouvidos e meu tempo). Por isso, encontrar amigos de verdade é tão bom!! Um oásis em meio a uma multidão de pessoas e compromissos. Um pedacinho silencioso no meio de tanto barulho. Onde podemos repousar nossa imagem, mesmo que por um instante, das representações e dos cenários.     

janeiro 15, 2013

“A vida é realizar sonhos e esperar notícias”



Achei isso de uma delicadeza! Confesso que não gosto de desatar as frases de suas origens, sob o risco de perder o pensamento que a sustenta.  Assumindo o perigo de descosturar o bordado tirando essa linha, gostaria de compartilhar a singela frase de Mia Couto. O escritor moçambicano que se consagra como um dos mais significativos em língua portuguesa; Ganhei um livro de uma nova amiga, com um sugestivo título para começar 2013: “Antes de nascer o mundo”. Sempre que posso escapo da tese e corro para umas linhas de emoção e reflexão desinteressada, humana. O livro? A história de uma família moçambicana de homens (dentre eles um pai e os dois filhos) que se exilam para evitar o sofrimento, o afeto e as mulheres. O bonito é que o menino, Mwanito, o nosso narrador, vai vendo o mundo pela primeira vez. E _ como é bom ver o mundo pela primeira vez! Esses entusiasmos... bons de sentir, mesmo que seja na companhia de alguém que conhece e vê algo que nunca havia visto. É como se a reação do outro rememorasse os nossos primeiros espantos. Já na primeira página Mwanito relata: “A primeira vez que vi uma mulher tinha onze anos e me surpreendi subitamente tão desarmado que desabei em lágrimas” (COUTO, p.11, 2009).
Em seguida chega na narrativa a frase que tomei emprestado no título:  “A Vida? Ora, viver é cumprir sonhos, esperar notícias” (COUTO, p.22, 2009). Fez tanto sentido! Cumprir sonho: porque o sentido da vida se realiza (ou não) dependendo de quantos sonhos fundadores conseguimos realizar. Nosso valor é medido nesta régua, a que nós mesmos nos impusemos e não tanto pela forma como os outros nos vêem. Mas, feliz (ou infelizmente), nem tudo está em nosso domínio e boa parte desses sonhos depende dessa espera de um contato, daquele sim! Esperar notícias...essa relação inevitável com o mundo e com os outros para que, enfim, o sonho se organize entre o nosso desejo e o olhar lançado pelo outro sobre nós.
Por essa razão, desejo potência em 2013 para realizarmos sonhos e...boas notícias!

dezembro 25, 2012

Sobre a importância de manter os rituais

Os rituais são importantes, pois param o tempo para que tornemos memoráveis um dia de encontro e de trocas _ reais e, agora, virtuais.
Retiraram-nos do moto-contínuo que nos suga as gentilezas, o cuidado e o olhar atento para os outros,
E, por mais que os rituais igualmente se imponham como uma nova rotina sua função é diversa.
As trocas de afetos, palavras e presentes, ao fim, tem um só objetivo: o encontro.
Preparamos a casa, a comida, escrevemos cartões e compramos presentes,
Mas, sobretudo, esperamos com uma ansiedade alegre os outros chegarem ou se lembrarem de nós.
Criamos um dia especial.
E ele, assim o é, na medida em que as pessoas que valorizamos dispõem-se de seu próprio mundo e nos encontram,
Simplesmente isso: dispõem-se a esse estar junto em presença ou pensamento. 

Esse é o "divino social" que o sociólogo Erving Goffman tão bem conceitua. Há para além da religião formal, uma transcendência que se dá no próprio encontro.
E, quando isso acontece, essa troca nos fortalece: revigora,

Atualiza nossos laços e, assim, o que somos.
Sem os rituais nosso próprio valor se esvazia no tempo com a falta do olhar alheio; sem o cuidado e o conselho de quem amamos. O tempo fica indiferente e perde o que possui de significativo, de humano.

Como é bela essa nossa capacidade de tornar alguns momentos memoráveis. De destacar do tempo contínuo esses espaços para estarmos juntos.
No fundo essa é verdade, que encobre a ilusão do movimento dos mais de trezentos dias de correria e faltas,
Sem a celebração desse encontro a vida perde a paixão que movimenta as demais coisas,
Pois, na verdade a vida é movida pelos afetos,
E, que bom que há rituais em que podemos expressá-los sem pudor e pressa,
Feliz dia com carinho, ternura e saudade dos meus amigos, amigas, familiares e queridos alunos

novembro 05, 2012

"Não se pode ter paz evitando a vida” (VW): entre os novos e repetitivos movimentos da vida

Há momentos que me pego evitando a vida: as pessoas, os encontros, as situações, especialmente as novas. Mas, estranhamente a vida me empurra para essas renovações. Há sempre uma onda, uma revolução se formando logo à frente.
Confesso que evitar a novidade é sempre um dilema para mim. Porque em geral as pessoas idealizam a mudança, o “conhecer pessoas novas”, o exótico... Vivemos hoje a “ditadura da novidade”, das experiências múltiplas. A nossa apólice da felicidade? As fotos das viagens. Não estar completamente satisfeito tendo contato com essas situações parece um contrassenso...
Confesso que também tenho medo de olhar para trás e ver que deixei de aproveitar as oportunidades, de encarar as novidades com mais alegria, de “peito aberto”...
Porque como as vivo frequentemente me pego, em alguns momentos, querendo fugir desses constantes movimentos da vida,
Como se eu quisesse enganá-la, brincando de esconder-me de suas exigências.
E, quando consigo sinto que posso ter enganado a mim mesma...
 “Não se pode ter paz evitando a vida”, como bem nos lembra Virgínia Woolf
Verdade. Quando a evito sinto-me ainda pior, como se assinasse minha incapacidade em viver, minha covardia, minha timidez...
Mas, posso perguntar? Será que a vida encontra-se só nesses movimentos? Há vida nas calmarias?   
Confesso que depois de tantas rotações aprendi a ver beleza na rotina, na casa, no repetir-se. Nos dias de chuva, que não nos exigem a disposição dos dias de sol. Minha poetiza mineira favorita, em um verso, quase uma oração, o diz lindamente: “que nada mude senhor”.

agosto 25, 2012

Im+previsíveis




Im+previsíveis é uma série de 26 documentários que apresentará, em cada episódio, mulheres fora do comum, que tiveram a coragem de romper expectativas, moralidades e estereótipos. Vamos acompanhar a vida de mulheres de bandido; como se vestem as fora de moda; os dramas e alegrias da maternidade de meninas de rua; compartilhar os segredos da vida de amante; ou viajar na companhia de uma mochileira. Acompanhando cada uma dessas personagens, a socióloga Isabelle Anchieta abordará temas polêmicos, emocionantes e mesmo divertidos sobre um lado incomum delas, introduzindo uma pitada de reflexão através da citação de trechos de obras literárias e análises de imagens de arte ligadas a personagem do episódio.
Muito se avançou no debate da condição da mulher moderna, mas há ainda um descompasso da programação televisiva sobre esse novo lugar. Abundam programas de beleza e culinária e poucos tratam da intelectualidade e de formas não estereotipadas de ser mulher. Im+previsíveis é uma série que une reflexão, filosofia, arte e aborda a condição feminina fora de um enquadramento tradicional, respeitando e apresentando as várias formas de ser mulher. 
Um programa que não menospreza a capacidade intelectual da telespectadora e a convida a pensar sua condição fora de um roteiro comum. A série não tem o intuito de julgar, nem tão pouco exaltará as formas tidas como não convencionais de se viver. Sua proposta é antes de mais nada emocional e reflexiva. O que queremos é dar visibilidade as mulheres reais, seus dramas existenciais, afetivos, profissionais com um tom sociológico, filosófico e poético. 

julho 20, 2012

Mulher: uma “classe desprivilegiada em alta conta


Caros, 
Esqueci de divulgar, para quem tiver interesse, um artigo que publiquei na Revista USP (Plural), intitulado: "Mulher: uma “classe desprivilegiada em alta conta”. Em resumo: "Dos grupos desprivilegiados, a mulher ocupa uma posição no mínimo curiosa. Ao contrário dos demais, como os negros e homossexuais, ela é exaltada socialmente pela maternidade, beleza, divindade e virtude. Símbolo da liberdade e da igualdadena Europa, na América e na Ásia, ela está simultaneamente à margem de posições sociais de prestígio na vida política, no trabalho e na família, há mais de vinte séculos. Será que o poder feminino foi ou ainda é apenas simbólico? Mas, se as imagens e os símbolos são fundamentais ao poder, por que, no caso feminino, há uma separação entre a vida real e a vida simbólica?
Para quem quiser ler mais:
http://pt.scribd.com/doc/95009406/7/Isabelle-Anchieta

junho 13, 2012

Parar de dar aula....voltar para a TV



Mais uma encruzilhada,

Dessas muitas que nos deparamos depois de trilhar rotas sem bifurcação
Duas placas se anunciam: uma continua, outra leva a um caminho parcialmente desconhecido
O mais difícil dessa opção é que não trata-se do clichê de estar entre o comodismo e a mudança,
Já que a via principal é também o princípio, o meu princípio, o fundamento: onde encontro as minhas maiores forças, onde posso me doar e de onde recebo uma inesgotável fonte de reconhecimento e afeto. Ensinar. Meus alunos. Como é bom, como tenho prazer... Porque isso sou eu, EU em caixa alta.
No segundo caminho: a TV. Nela já tive experiências que ora me fizeram sentir em caixa alta, ora em baixa. Com ela realizei experimentações de linguagem, misturei literatura com imagens e descobri um novo prazer.
Dentre eles o de me superar. De ter que lidar com minha imagem: com as delícias e as aflições dessa frágil relação _ tão delicada e tão humana. Fiz com a TV o exercício de encontrar um lugar que estivesse além da minha vaidade. Por isso foi bom parar! Para poder reencontrar minha base forte: a do conhecimento. Com ele ganho asas para deixar minhas mesquinharias abaixo. Onde possa ver com olhos de águia e engolir meus lixos de forma violenta, na espera de lançar-me novamente em busca de ar limpo. 
Nesse rota que agora vou tomar quero ser guiada por essa águia do conhecimento; não pelos ratos da minha vaidade. 
Superar-me com o objetivo de oferecer para as pessoas algo que ao mesmo tempo está e que transcende minha imagem.
Um programa que criei, sobre um tema que estudo há mais de 7 anos: as imagens da mulher. Mulheres Imprevisíveis. Um programa que traz como pano de fundo uma questão simples e central: a de como viver? quais os riscos, as delícias e o preço de romper com a previsibilidade? Segundo o filósofo suíço Jean Jaques Rousseau relatar a vida dos outros nos oferece esse exercício: o de nos confrontar com nossa própria vida e com os limites que criamos ou que enfrentamos para vivê-la. Em uma citação Rousseau diz: “para conhecer seu coração, é preciso começar por ler o coração de outrem. Os heróis imperfeitos de nosso tempo incitam não a imitação ou a submissão, mas ao exame e interrogação”     

Quero aprender com essas mulheres! Quero contar bem essa história e dividir tb o que aprendi nesses anos de estudo de doutoramento sobre o tema.

Dar existência a esse programa faz ecoar em mim um conceito filosófico que norteia meu modo de pensar e agir. Quem me ofereceu essa ideia, não sem propósito, é o  meu autor favorito. Ele o diz lindamente assim:
"E se mais adiante te faltarem todas as escadas, será preciso saber subir sobre a tua própria cabeça, senão como quererias subir mais alto?" (Nietzsche. A.F.Z, p.122)  

Vou tentar ser na TV, com esse programa, o que sou para meus alunos;
Por isso essa mensagem é também uma pequena despedida da sala de aula (que tanto me aperta o peito)
É um até logo para pegar uma rota nova que agora exige isso, 
Mas, que em breve será uma via paralela,
Queridos, vcs me deram mais do que eu dei a vcs,
Vcs me oferecem, generosamente, uma imagem para mim mesma. Foram o mais belo espelho que tive, formando uma Isabelle Anchieta da qual me orgulho. Um EU em caixa alta, sempre alta...

Por isso, perder vocês de vista é correr o risco de me perder um pouco também,
Espero me reencontrar nesse outro lugar, usando via memória afetiva, a imagem que me deram,

Com carinho, saudades e agradecimento,
Isabelle Anchieta

maio 30, 2012

A beleza é o resultado de um efeito e não de uma qualidade

A beleza é o resultado de um efeito e não de uma qualidade. E, sendo efeito, aproxima-se da poesia _ no que possui de sublime. Por essa razão, o poeta Edgar Allan Poe, em "A filosofia da Composição", afirma que a "beleza é  a província do poema". 
Como uma criação milimetricamente calculada para tal, elegendo dos tons poéticos a composição mais adequada para se comunicar com a nota profunda onde esconde-se a alma.
Aprendi, com essa beleza, que o efeito é alcançado com muito trabalho (e não por uma iluminação seletiva). O que não a impede de ser poética. Sua força não provém da intuição. Mas, emerge no poderoso encontro entre a intelecção e o afeto. Entre a paixão e a estratégia. Na navalha e na sutileza da relação, da interação, da tensão intersubjetiva na qual a vida é constituída.    

maio 22, 2012

"Eu não quero acabar, eu só quero fazer"


"Trabalhando de canivete, no pau de aroeira: 
_ Mas assim você não vai acabar nunca!
_ Eu não quero acabar, eu só quero fazer" (Renata Pallotini)

Nos conciliamos com o tempo: suspenso nesse encontro,
Da criação que nos estende,
Apagam-se as horas na morada da relatividade.
Não há sinal de fome,
Satisfeitos que estamos com as palavras que nascem e formam um sentido que nos supera
Seguir...
Não há objetivo ou razão que nos motive,
Há uma força, uma paixão,
Uma entrega
Nossos olhos tornam-se sagazes,
Nossa mente cria conexões improváveis,
Nossa alegria, um tom a mais,
A sensação é de que estamos construindo algo importante, sem saber ainda como o será e para quem
Continuamos....
Ao escurecer, quando a noite parece nos sinalizar o tempo: paramos.
E, só depois disso percebemos o cansaço,
Recobramos as pequenas coisas da vida: a conta na mesa, o relógio, o livro...aparecem.
Nos damos conta desses duas vidas. Esferas que estão no mesmo espaço e dividem-se por uma porta invisível. Uma porta, não uma janela. Porque nela passamos por inteiro de um lado a outro. Ambos espaços reais, que não deixam por isso de serem construções...
Um deles nos suspende, no outro faz frio e o relógio indica que já é tarde. Dormir para trabalhar amanhã
Exaustão misturada com essa sensação boa.
De ter se superado;
Superado o tempo
Esse passo agora gravado nas palavras que deixamos o rastro dessa passagem...

março 01, 2012

A curiosidade é mais saudável que a dúvida




Vivemos um momento particular: nos libertamos de um conjunto de dogmas políticos, crenças religiosas, mitos científicos e literários e isso não nos tornou melhores. Somos, sim, mais cínicos, mais críticos, mais desinteressados: indiferentes. Porque não, preguiçosos! É a sociedade do “para quê?” Do “tanto faz”, já que não há sentidos fortes para buscar. O mundo torna-se uma fábula,  “o sonhar, sabemos que se está a sonhar” (NIETZSCHE). No entanto, fizemos mau uso dessa reflexividade potencial.
A vida possui, sim, sentido e as respostas, ao contrário do que julgamos estão em aberto e precisam ser buscadas, assim como um arqueólogo busca suas evidências _ mesmo que não possa reconstruir toda a peça.  Se desacreditarmos nessa busca a vida torna-se uma falácia, um esforço desnecessário. Corremos o risco de adotar um ceticismo negativo. O que nos levaria a improdutiva equação da crítica pela crítica. Um ponto final que instaura a indiferença: o niilismo. A dúvida deve ser uma etapa de um ceticismo investigativo, não o seu fim, sob pena de nos tornarmos apáticos e pouco engajados socialmente. Pessoas que não acreditam no jogo são os cínicos negativos contemporâneos, os que desistem antes de entrar na vida, de se arriscar.
Pena que poucos conheçam a proposta do filósofo e matemático grego Sexto Empírico[1] (sec. 2). Ele oferece uma via interessante: o ceticismo investigativo. Uma proposição filosófica que simultaneamente se afasta dos que alegam ter encontrado a verdade _os estoicos, Aristóteles, Epicuro, Platão; mas igualmente recusa o dogmatismo negativo, que coloca tudo em dúvida _ Carnédeas, Citômaco e Descartes.
Uma postura que não duvida dos fenômenos, de que as coisas acontecem, mas duvida daquilo que se afirma dogmaticamente como absolutamente verdadeiro ou falso. Nessa via a busca pela realidade não é descartada, "mas avaliada como algo de tal modo importante que não pode ser reduzida a uma só explicação, a um só argumento". Trata-se da proposição de uma “filosofia da investigação”, que nos lança sempre na busca de outras explicações, experiências:  conhecimentos. Um horizonte para onde caminhamos incansavelmente. Mas, nem por isso, o desacreditamos. Já dizia, sabiamente, o escritor mineiro Guimarães Rosa que “o real não está nem na saída, nem na chegada, está na travessia”.
Saber conferir a essa travessia um sentido ético forte é o que impulsiona os passos, a caminhada. Há sim, razões em buscar o conhecimento, os sentidos. Seria agora, parafraseando Descartes, um "penso, logo há sentidos a se buscar para a existência". A impossibilidade da totalidade não pode impedir a motivação da aproximação com a complexidade da vida. Pois é no inacabado que reside o horizonte, que nos leva a uma aventura excitante ao encontro de novas pessoas, novas culturas, novos conhecimentos. Pois, mais saudável que a dúvida é cultivar a curiosidade


por Isabelle Anchieta

[1] Para ler mais sobre o filósofo Sexto Empírico recomendo tb o arttigo: CONTE, Jaimir. “O início: Sexto Empírico e o ceticismo pirrônico”. In: Revista Cult, ano 11, nº 121.  Disponível:< http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/o-inicio-sexto-empirico-e-o-ceticismo-pirronico/>

dezembro 31, 2011

GANÂNCIA> O que nos move: ganância, medo e preguiça?!



“Em geral somos movidos por ganância, preguiça ou medo. Estamos sempre em busca do meio mais lucrativo, mais fácil e seguro de fazer as coisas” afirma o arqueólogo e historiador Ian Morris. As palavras do historiador andam me atormentando. Ganância, medo e preguiça. Nenhuma delas parece ser digna de algo que gostaríamos de nos identificar. Mas, ao mesmo tempo fazem sentido, incomodam porque é difícil confessar sua presença. A mais  incômoda? A preguiça.
Minha maior inimiga. Me irrita como um parente chato do qual não podemos escapar, como uma cama boa,  uma comida que não conseguimos parar de comer,  um atraso a um compromisso importante. Desse estado meio bom, meio ruim. De evitar a vida. Esse estado lento, sonolento, de indiferença. De morte lenta...
Minha preguiça é letal,
 É quando paro de acreditar no jogo, nas minhas forças para entrar nele. Me pergunto sempre: Vou assistir a peça ou atuar nela?
Não sei se foram os efeitos colaterais da academia que produziram esses estados passageiros de niilismo em mim. O conhecimento nos apresenta as mazelas humanas, nos coloca em estado de alerta e desconfiança. O ceticismo e a desnaturalização fundamentam seus princípios. Eles podem nos levar à crítica, à consciência e à revolução, mas podem, colateralmente, desencantar o mundo a um ponto irremediável: o da indiferença, do niilismo. Como tenho medo desse sentimento...
O medo. Chegamos nele. De que temos medo? Um dia percebi que essa resposta determina em grande medida quem somos. Durante uma reportagem com meninos de rua tinha uma pauta: quais são os medos dos meninos que dão medo? As respostas eram um misto de medos reais misturados com fantasias infantis. “Tenho medo de quando todas as luzes se apagam. Alguém pode atirar em nós enquanto dormimos”, confessa R.M, de 10 anos. “Tenho medo de bicho venenoso, de gente eu não tenho medo não”, responde com gesto altivo J.C, de apenas nove anos. “Tenho medo de machucar alguém”, me surpreendeu profunda e definitivamente M.R de 18 anos. Já que o medo, em geral, é algo que nos escapa, que está fora, longe do nosso controle, como os acidentes, a violência e etc. Mas M.R me ofereceu, com aquela inesperada resposta, uma intrigante reflexão: o medo que deveríamos ter de nós mesmos, da história que construímos, das experiências pelas quais passamos, da forma que respondemos a elas e, especialmente, da influência daquilo que nos tornamos sobre os demais. Como afetemos os outros.
Como mais afetamos? Agindo ou nos omitindo? Uma mãe ausente e indiferente é pior que uma mãe presente da forma errada para seu filho? Ou mesmo nosso país: será que ele não é afetado por nossa indiferença política? Por nossa apatia diante da corrupção?
Nesse ponto concordo com a estranha afirmação do historiador ao dizer que a preguiça move o mundo. Move sim. O não fazer é um tipo ruim de fazer que as coisas aconteçam, uma forma de afetar os demais. Um amigo que desistiu de lutar, que deprime-se, nos afeta. Muito!
Por isso, dos sentimentos descritos pelo professor acho a ganância o preferível. Nada louvável, eu sei, já que sempre nos ensinaram que expressar nossa gana, nossa vontade de poder, de reconhecimento e sucesso é ruim. Sinônimos de vaidade e egoísmo.  Que bom que o Nietzsche me libertou desse pudor moral. Aprendi, como ele (e com minha mãe) que não devemos dissimular o que desejamos. Eu quero! De assumir os desejos de grandeza, de saber que esse desejo é legítimo, viável e que pode, sim, ser realizado para colaborar com os demais. Pois todas as criações apaixonadas, por mais que não tivessem o outro como objetivo,  acabaram contribuindo mais do que as ações que iniciam-se com razões supostamente altruístas.  Pois, o que nos move é essa paixão em criar, realizar. Santos Dumont, ao criar o avião, não poderia imaginar os seus usos. Ele queria voar, tinha paixão. Essa gana não reduz a solidariedade de sua criação. Pois se não fosse movido por esse “egoísmo” em se realizar sem restrições não teria tido as forças necessárias para levá-lo a cabo.    
Por isso, para 2012, desejo que as pessoas tenham menos preguiça, menos medo e que possam assumir sua “gana” pela vida de maneira legítima e apaixonada.

dezembro 19, 2011

PODER E IMAGEM> Formas e poder sempre andam juntos

Caros, compartilho reportagem especial do Jornal Hoje em Dia sobre as formas femininas. Concedi entrevista para a jornalista Elemara Duarte -que faz um belo trabalho nesse jornal- abordando como as formas do corpo e as exigências estéticas são forjadas na disputa de poder simbólico entre diversas forças sociais que são institucionais e de gênero. Abaixo link do blog gordinhas maravilhosas com a matéria - o blog também é tema da reportagem, Bjs Estilo e sentimento fazem a diferença ~ Gordinhas Maravilhosas ® www.gmaravilhosas.com