junho 17, 2016

Não sobrará ninguém? Que não sobre!

É preciso enrijecer as cordas em todos os nós dessa teia, sob pena de sermos capturados por sua perversa malemolência. Sobraram poucos, é fato. Mas, será somente por meio de um novo começo sem meios termos, jeitinhos e concessões que teremos um país renovado depois dessa crise. Onde enfim, possamos criar um cenário em que “a governabilidade e aniticorrupção caminhem mais próximas”, segundo a boa previsão da cientista política Izabela Corrê. Incentivando assim a entrada em cena de novos atores sociais, enfim, genuinamente interessados em construir um Brasil para os brasileiros"


Atentado em Orlando levanta 3 importantes questões


 O país que se orgulha da vanguarda em direitos humanos é o mesmo que autoriza que seus cidadãos portem armas e definam quem merece viver ou não. Esse “outro” em geral é negro, homossexual e imigrante. (...)
(...)
Mais do que medidas legais me parece que o tema perpassa a cultura da violência que paradoxalmente está enraizada no país que se diz símboloda liberdade. A segregação não só de homossexuais, mas de imigrantes e negros é fato escandaloso e em descompasso com a ideia de igualdade e liberdade que fizeram, da constituição republicana do país, um marco para todas as revoluções democráticas que se seguiram a 1787.
(...)
Uma cultura, diga-se de passagem, exportada como referência para todo o mundo. Aquela que torna a arma um item simbólico comum? Será preciso mais do que leis para repensar o lugar da violência na vida americana. É preciso romper o tabu. É preciso desmascarar as contradições e definir afinal de que lado os americanos estão: do lado dos direitos humanos, da liberdade ou da cultura da violência e do preconceito? Não é possível estar dos dois lados ao mesmo tempo. Essa hipocrisia não pode mais ser levada adiante. 

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http://brasil.estadao.com.br/blogs/tudo-em-debate/atentado-em-orlando-levanta-tres-importantes-questoes/


A irônica semântica da política nacional


Se uma figura de linguagem pudesse ser usada para definir a política no Brasil ela certamente seria a ironia. Aqui Ministros da Transparência são nomeados para obscurecer investigações da Justiça. A “defesa” da democracia é lema de simpatizantes de um partido sinônimo de atos “nada republicanos”. Sem falar no pleonasmo do “golpe” que conseguiu, pela redundância, significar que o desejo da maioria da população (e não de uma minoria) fosse compreendido como um atoantidemocrático. Mas, ninguém escapa a ironia. O líder da oposição _ que deveria ser a antítese do mal feito_ ao que tudo indica será “o primeiro a ser comido” pelo banquete antropofágico orquestrado pela Lava Jato. Eis que todas as afirmações são exatamente o contrário do que se pensa e dos fatos. Seriam ridículas, não fossem tomadas a sério por um grupo de pessoas que as repetem acriticamente.
(...) Mas, em meio a tantas ironias, alguém resolve falar sério. Dá real correspondência as palavras. A Lava Jato é a melhor antítese da política nacional. Delações premiadas, gravações de conversas privadas ofereceram o paradoxo que necessitávamos para romper a ironia. Escutamos pela primeira vez e com todas as palavras, os políticos dizerem (o que desconfiávamos que diziam), mas que nunca o fizeram em público. É a confissão dos crimes inconfessáveis. É o fim da hipocrisia. São as palavras ganhando o seu lugar. Crime é crime. Corrupção não é jeitinho. Propina e caixa dois dão cadeia. E, agora, bandido que rouba muito não vira mais Ministro, mas pode ir para a prisão.
Eis que a Lava Jato faz desse “ensurdecedor silencio” o mais delicioso emprego da palavra justiça engasgada há séculos na paciência nacional.



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